Mostrando postagens com marcador linguagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador linguagem. Mostrar todas as postagens

15 de abr. de 2008

Raízes do Brasil

Breve vocabulário do livro do Sérgio Buarque de Holanda

Tomista: seguidores da filosofia de São Tomás de Aquino.
Prosápia: Linhagem, raça.
Pelagianismo: Teoria Cristã atribuída a Pelágio (350-423) segundo o qual todo homem nasce moralmente neutro e que é capaz de converter-se por si só, sem influência externa.
Molinista: filosofia de Luis de Molina (1535 -1600) segundo o qual Deus oferece sua graça a todo homem e esse é livre para aceitá-la ou não.
Óbice: dificuldade, estorvo.
Menoscabo: menosprezo
Arroteado: Cultivado ,"terreno arroteado"
Almotacé: do árabe (al-muhtasib) inspetor de pesos e medidas de gêneros alimentícios.
Tirocínio: aprendizado

6 de dez. de 2007

Deleuze / Amizade

Com os amigos o que compartilhamos é uma linguagem, não idéias comuns.
"há pessoas que me dizem: me passe o sal e eu tenho grande dificuldade de entender o que elas estão dizendo..."
é mais ou menos o que diz Deleuze na letra F.

29 de nov. de 2007

“O que dá um medo extremo não é o caos daqui, nem as coisas em labirinto mas a arrumação absoluta de tudo e a súbita aparição do universo numa língua ordenada” (Novarina, Diante da Palavra p. 23)

15 de out. de 2007

Material Bruto, de Ricardo Alves Junior

Tive o prazer esta semana de fazer parte do júri (Marta Biavaschi, Bertrand Lira e eu) da Goiânia Mostra Curta que concedeu o prêmio de melhor curta ao belíssimo vídeo mineiro Material Bruto, de Ricardo Alves Junior.

Nossa justificativa:
O filme realizado com pacientes dos centros de convivência da rede pública de saúde mental de Belo Horizonte traz uma dimensão experimental e estética aos gestos, sons e movimentos dos personagens: homem-cigarro, mulher-cabelo e homem-música. Estes movimentos e formas do corpo, normalmente vistos como “expressões de loucura”, aqui ganham uma potência artística que nos faz ver o outro.


5 de jul. de 2007

Fred Forest - Sinal dos tempos


Em 1972 Fred Forest criou o trabalho 150cm2 de papel jornal. Na parte dedicada à cultura do jornal francês Le monde, o artista publicou um espaço em branco em que convidava as pessoas a se expressarem e mandarem suas intervenções para uma exposição no Grand Palais, Paris. Forest recebeu 800 respostas.
A experiência de Forest trazia uma crítica ao conteúdo mesmo da mídia que exclui o leitores, o homem ordinário.
Exprima-se! Escreveu Forest em um pequeno texto ao lado do espaço em branco, com o mesmo tipo e tamanho que os utilizados pelo jornal.

Isto é uma experiência.
É a primeira frase do texto

O artista reproduziu depois a mesma experiência nos jornais Tribune de Lausanne (Suiça), Jornal do Brasil, Jornal da Tarde, O Estado São-Paulo, Folha de São-Paulo, O Globo, Jornal do Bahia, Diário do Paraná, Zero Hora, Última Hora (Brasi), Clarin (Argentina), Eksit (Bélgica), Sydsvenska Dagbladet (Suécia), Télérama, Ouest-France (França).

Provavelmente todos os jornais utilizados por Fred Forest em 1972 incorporaram, 35 anos depois, a experiência, as palavras e as imagens feitas pelos leitores em suas edições on-line, em muitos casos mais lidas que as versões em papel. Essa adaptação da mídia dificulta toda percepção utópica da obra de Forest hoje e dos procedimentos artísticos fundados nos dispositivos que criam espaços de livre expressão e de formação de teias de comunicação.

Em resumo, todo problema da internet e da necessidade de uma poética.



2 de jul. de 2007

Artistas Inventaristas

Provocado por uma amiga faço uma lista de 4 artistas que trabalham com inventários, acúmulo de imagens e objetos. Não fazem propriamente uma classificação, mas se apoiam nas diferenças que aparecem no excesso de um mesmo procedimento.

Angela Ricci Lucchi, Yervant Gianikian
O casal de cineastas e documentaristas, instalados em Milão, trabalha com lost-footage desde os anos 70 e com coleções as mais diversas. Um dos filmes que assisti deles
era um longo acúmulo de imagens feitas à partir de uma coleção de brinquedos.

Richard Serra
Serra tem um trabalho impressionante antes de ficar ficar mundialmente conhecido por suas esculturas. Seus filmes Boomerang ou Hand Catching Lead são trabalhos que dialogam com a arte conceitual e com repetição incessante de uma mesmo procedimento. Na recente exposição Les mouvements des Imagens que aconteceu no Beaubourg, Paris, o curador Philippe Alain Michaux colocou Hand Catching lead na entrada da exposição abrindo o diálogo ente o cinema e as artes plásticas, o que me pareceu uma escolha bastante precisa. (Texto sobre a exposição na Revista Cinética). Mas me lembrei de Serra nesta pequena lista por conta de um trabalho do final dos anos 60
Verb List Compilation: Actions to Relate to Oneself (Compilação de Lista de verbos: Ações relacionas consigo), divertido e poético.

Zoe Leonard
Analogue, 1998/2007, um dos bons trabalhos da Documenta 12.
Uma coleção de fotos que documentam o comércio de rua mundial, das franquias que ocupam NY à partir dos anos 90 ao comércio de roupas usadas importadas em países africanos.
Na instalação Zoe coloca mais de uma centena de fotos.

Alonzo Mosley
Um video feito com fragmentos de filmes.
Uma contagem-regressiva muito divertida.
O trabalho é de um blogueiro que se identifica como sendo do FBI, o que traz uma certa ironia para um trabalho feito com um gigantesco banco de dados. Ele que coloca em seu Blog a lista de todos os filmes utilizados. - Dica do Ricardo Calil




17 de jun. de 2007

"Não somos demais, somos o a mais"

"Nous ne sommes pas en trop, nous sommes en plus" com esta frase usada pelos desempregados franceses dos anos 90, Brian Holmes - que recentemente citei por conta de seu artigo sobre Ricardo Basbaum - abre seu texto, Práticas artísticas, estéticas e políticas, em que discute a relação da arte com a política tendo Rancière como marco teórico.
A prática artista tem a possibilidade de provocar um deslocamento de lugar e de identidade dos indivíduos que reconfigura os espaços de fala permitindo a invenção uma comunidade de sujeitos com voz. Essa operação é o que impossibilita a separação da argumentação da operação estética. Ou seja, em um mesmo gesto a ação política inventa a cena da fala por um ato poético em que a própria fala aparece.

Texto de Holmes publicado em espanhol na revista Brumária

1 de jun. de 2007

Barthes e a língua

O último post, sobre o virtual, me lembrou uma passagem de Roland Barthes muito forte:

"A língua, como performace da linguagem, não é nem reacionária nem progressista; ela é simplesmente facista; porque o facismo, não é impedir de dizer, é obrigar a dizer"Leçon inaugurale au Collège de France, 1977


«La langue, comme performance de tout langage, n'est ni réactionnaire ni progressiste; elle est tout simplement fasciste; car le fascisme, ce n'est pas d'empêcher de dire, c'est d'obliger à dire.»

31 de mai. de 2007

e o mundo se põe a cantar... + o virtual



Essa é a alegria presente no filme Les Chansons d’Amour de Christophe Honoré que estava em Cannes. Amores banais e uma tragédia, mas, o que não é nada banal é a euforia das relações que se dão pela música. Sem ironia nenhuma o mundo se põe a cantar.

No mesmo dia, de maneira diferente, o mundo se coloca a cantar. Trata-se de Nani Moretti em Palombella Rossa, de 89. Humor e política na sua melhor forma. Moretti fala do fim do comunismo e do PCI (Partido comunista Italiano) de maneira original. O fim do comunismo coincide com a amnésia do personagem. Ele sabe que é comunista, mas não tem muita idéia do que isso quer dizer.
O personagem de Moretti, um jogador de pólo-aquático, se revolta com a forma como se desrespeita as palavras e língua. "'é preciso respeitar as palavras", grita ele com muito humor. Essas passagens me lembraram uma insistência que o historiador de arte Didi-Huberman tem com algumas palavras. Virtual, por exemplo. Para ele, virtual é um conceito e uma palavra rara, especial, que foi capturada e vulgarizada. A vulgarização de uma palavra bela não justifica seu abandono mas a luta por ela, para que ela possa guardar a sua virtualidade.

Sur les chemins du virtuel, de Pierre Levy (em francês)
O livro "O que é o virtual?" de Levy está publicado em português.

30 de mai. de 2007

Slavoj Žižek, Zack Snyder e os números do elevador

"Se você é verdadeiramente de esquerda, você deve assitir 300, de Zack Snyder. Para a esquerda que sabe que há um preço a pagar."
Assim filósofo da Eslovênia, Slavoj Žižek, encerrou sua palestra no Beaubourg. Foram duas horas entre Lacan e política contemporânea. Uma performance cheia de exemplos da cultura de massa, como o do filme acima e do cotidiano. "Uma grande diferença entre os Estados Unidos e a Europa é que nos EUA os andares em um prédio começam no 1 e não no 0. Eles não sabem que antes do um não há nada. Para eles o começo é a unidade. O lugar perfeito é a Polônia - no que concerne a numeração dos andares de um prédio. Na Polônia o 0 é 0 e o primeiro andar é 2." Do nada ao múltiplo.

à venda na Amazon documentário sobre Zizek
Palestra nos Estados Unidos
Artigo em que aborda o filme 300

26 de mai. de 2007

Agamben e política


O artigo A POTÊNCIA DE NÃO: LINGUAGEM E POLÍTICA EM AGAMBEN, de Peter Pál Pelbar faz parte de uma coletânea de textos que estão sendo publicados pela Documenta 12.
O artigo apresenta as principais teses de Agamben na relação entre política e linguagem. Um dos principais caminhos do texto é abordar a infância como o momento que acompanha o homem durante sua vida e que materializa o fato de no homem não haver uma coincidência entre língua e discurso, o que abre para uma pura potência da linguagem.
A dimensão política aparece na idéia de que se nos apropriamos desse livre uso da linguagem - não da linguagem para dizer isso ao aquilo - nos apropriamos também de uma virtualidade do dizer e do não dizer.

André Brasil trabalhou com esta noção da infância e da linguagem no texto Infância do cinema, publicado na Revista Cinética.

Tanto Pelbart quanto Brasil fazem uma incursão à obra de Agamben a partir de um enfoque que valoriza as potência do indivíduo pela infância, pela linguagem ou pela possibilidade da política e não pela frequente oposição que o italiano faz entre a "o poder" e a "vida nua" ou na utilizacão do Muçulmano do campo de concentração (Ce qui reste d´Auschwitz) como paradigma do bio-poder contemporâneo.

25 de mai. de 2007

USP e Rancière

A ocupação da USP me fez pensar em uma das definições de política para o filósofo francês Jacques Rancière. "A atividade política, diz Rancière, é aquela que desloca um corpo do lugar que lhe foi determinado ou troca a destinação de um lugar" A passagem é do livro O desentendimento. A lógica de Rancière é que esse deslocamento pode provocar o encontro entre lógicas heterogêneas e desse encontro é que surje a política.

Blog de Marcelo Coelho com post sobre a USP.



alguma coisa acontece que o blog oficial da acupação não está no ar.