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24 de jun. de 2015

mulher comum

Dilma não precisa ser nenhuma líder carismática, afeita ao espetáculo midiático ou a populismo que organizou grande parte da política ocidental no século XX, para pautar o país pelas questões que interessam a nós e ao mundo. E parece que seu governo não tem outra saída.
É muito importante que a política seja feita por pessoas comuns, que façam parte do que somos e não por narrativas exemplares ou conquistas individuais fenomenais. Um dos grandes ganhos de Dilma como presidente é nos livrar do personalismo que torna a chegada a um cargo como algo escrito na trajetória do sujeito. Lula e Henrique Cardoso, com todas as suas diferenças, fazem parte dessa narrativa, quase heroica – no caso de Lula.
As falas golpistas aparecem porque mais insuportável para as elites que um operário com uma trajetória espetacular é uma mulher comum.

23.3.15

Negociação não é política

Fica fácil para o PMDB e Cunha se imporem no congresso. A pauta de pequenos ajustes que o governo tenta passar não mobiliza ninguém.
Se houvesse clareza e peso político em uma pauta de educação ou de meio ambiente, por exemplo, o embate não seria por conta de pequenos acordos, mas visões de mundo.
Dilma, na sua perspectiva gerencial, entende tudo como negociação, sem jamais vir a público com questões dignas de quem é presidente.
Não há melhor momento para a presidente dizer: Temos que ser protagonistas no combate ao aquecimento global, por exemplo. Se isso fosse uma pauta, não teríamos que ficar discutindo miudezas palacianas, mas as opções de cada grupo em aceitar ou não o fim da água potável e a morte de muitos por conta de nossa forma de consumo. Uma pauta como essa mobiliza questões econômicas, sócias, de política internacional, culturais, etc.
A mesma coisa a educação. O ex-ministro Cid Gomes, quando ainda era ministro deu entrevistas burocráticas sobre o papel do governo federal na educação. É preciso partir do escândalo que é a desigualdade na educação. De outra maneira vamos ficar no gerenciamento da miséria. Sem pautas que exponham opções de mundo, congressistas como o presidente da Câmara ficam no conforto de suas opções moralistas... (frequentemente fomentados por movimentos enfadonhos de esquerda)
O que é perturbador é ver o debate organizado pelos meios conservadores e pelo gerenciamento do mesmo, sem um pingo de invenção ou de explicitação de nossos desastres. Quando o executivo tiver uma causa a vida vai ficar mais leve

Dilma não é a regra

“Isso é a política: encontrar uma maneira de fazer o que não era esperado que fizéssemos, estar lá onde nós não deveríamos estar. Sem isso, não há política” Rancière
Se Dilma achar que é normal uma mulher com uma história na esquerda ser presidente, não haverá política.

1989 - Inventa Dilma!

Em 1989, quando Lula disputou sua primeira eleição, o PT elegeu menos de 7% dos deputados. Muito menos do que tem hoje.
Na época, votamos em Lula, mesmo sabendo das dificuldades que teria no congresso. Dilma hoje tem uma situação bem melhor que Lula teria tido em 89.
Se 89 fosse hoje, votaria novamente em Lula, mesmo sabendo que o congresso seria de oposição.
Já escolhemos viver situações mais difíceis que a atual. Inventa Dilma!

Inventa Dilma!

Há algo fantástico acontecendo.
O PMDB está rompido com o executivo.
Não é possível que essa crise não seja a possibilidade de uma invenção.
Talvez seja esperar demais do governo Dilma, mas que há algo extremamente interessante no ar, estou certo.
O desafio do executivo é dos mais sedutores. Criar nos próximos anos um governo com novos pactos, com a mobilização das ruas de 2013, com pautas que mobilizem forças progressistas. Mesmo que seja para sobreviver, essa é a alternativa.
Inventa ai.


17.3.15