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educação, política mídia e arte

1 de jul. de 2012

Capitalismo e açucar - Deleuze aula de 1980 / MIl Platôs


Gilles Deleuze, Março de 1980
Pensando o estado e o capitalismo

“É fascinante a situação do Brasil.
Uma situação de suspense. Estamos diante da possibilidade de um estado social democrata e eleições livres ou a possibilidade da volta de um estado totalitário.
Até onde irá o entendimento entre esses polos?
Caso raro na história em que esse suspense se apresenta.”

http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k1282807.r=deleuze.langFR


A aula tem dois focos: Uma reflexão sobre a diferença entre o estado social democrata e o totalitarismo feita a partir da forma como o estado cria ou esvazia os axiomas. Retomado Virilio, Deleuze diz que o  estado totalitário é, na verdade, o estado mínimo - fundado apenas em dois axiomas, da acumulação de reservas e da inflação. O resto são teoremas - desdobramentos desses axiomas.
O estado SD tende a multiplicar os axiomas: um axioma para as mulheres, um para os negros, etc.

O segundo foco da aula é sobre o marxismo. Muito bom!
Qual o limite do capital para Marx?
Trata-se de um limite interno e não externo - ecológico, humano ou energético. Um limite imanente. Quanto mais ele se aproxima, mais ele o empurra.
Esse limite traduz uma contradição.
O capitalismo inventa a produção pela produção. Ao mesmo tempo que inventa um produzir por produzir; um produzir para o capital, uma contradição aparente.
Para explicar esse limite interno do capital, Deleuze volta ao Brasil com o Livro “O Açucar e a fome” de Robert Linhart. No livro o autor pesquisa o desenvolvimento do capital ligado ao açúcar e como este capital está envolvido em uma rede de poderes que ao mesmo tempo em que é pautado pelo axioma exportador é produtor de capital, de açúcar e de fome. Fome produzida pela evolução do capital com a monocultura, com homogeneidade da plantação, pelo latifúndio. Nossa conhecida indústria da seca que Deleuze apresenta como um produto do próprio desenvolvimento, um limite imanente ao próprio capital.
O limite que não paramos de empurrar. Não é que as pessoas morrem de fome, esse seria o limite definitivo, mas não, o que acontece é uma produção incessante e crescente de famintos, diz Deleuze, ou, pobres, se quisermos.
Esse exemplo permite Deleuze explicar como não há volta atrás no caso do capitalismo e essa é a nossa desgraça.
Quando há excesso de açúcar, começamos a usar em carros – álcool. Até um certo ponto podemos usar os mesmo motores, mas, quando é necessário colocar mais álcool nos carros, as indústrias precisam fazer novos motores, operando um movimento essencial na transformação do capital constante, ou seja, é preciso desvalorizar um capital constante para produzir outro.
No momento que a indústria começa a fazer carros com motores para álcool, não há mais volta na monocultura e na forma de vida que esta implica. Eis a flecha irreversível do capitalismo.
 Tão parecido com os argumentos pró-Belo Monte!



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Marcadores: Capitalismo, Deleuze

29 de jun. de 2012

A sala de ópera e o que podemos: notas para uma conversa sobre cultura em Fortaleza.


Gostaria de compartilhar um artigo que escrevi no ano passado para uma conferência de cultura de Fortaleza.

http://www.calameo.com/books/00036052414d150654663

O artigo foi editado agora em um caderno com vários outros textos.
Como seria bom se no Rio tivéssemos pelo menos um Conselho de Cultura!
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27 de jun. de 2012

nostalgia da centralidade ou do esvaziamento da política

Link para uma pubicação na revista da PUC/RJ.
Artigo em coautoria com Ednei Genaro

Resumo:
Através de um mapeamento de discursos e práticas, o artigo identifica movimentos em que se produz uma nostalgia das centralidades que legitimam, julgam e hierarquizam comunidades, indivíduos e estéticas. Argumentamos que tal nostalgia perfaz, na verdade, uma forma de se esvaziar a política e, consequentemente, de se retirar dos jogos de poder aqueles que não são acompanhados de uma legitimidade que anteceda suas práticas. Ou seja, em oposição às centralidades nos esforçamos para pensarmos as construções em rede e a política como a possiblidade do “um qualquer” fazer diferença na comunidade.
Palavras-chave
Política; Internet; Rede; Mediação; Educação.
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Greve de estudantes (para os alunos da UFF)


A greve de estudantes é absolutamente legítima, uma vez que eles se negam a participar do papel que lhes cabe na sociedade nesse momento da vida.
Os estudantes em greve estão deixando de participar da ordem social, estão demostrando que uma instituição não está funcionando.
Negar a possibilidade de greve para estudantes é entender a greve apenas como um problema privado – o meu salário, o meu trabalho - e não como uma possibilidade de intervenção pública.
Nesse momento, o mais importante movimento politico no Quebec, em anos, acontece por conta de uma greve de estudantes por melhores condições nas universidades e custos menores. Essa greve coloca todo estado em questão.
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20 de jun. de 2012

Festival de Inverno da UFMG em Diamantina



Em julho acontece o Festival de Inverno da UFMG em Diamantina.
Olhei com calma a programação e diria que esse festival é dos gestos mais bonitos e políticos que vi a universidade fazer nos últimos tempos.

Trata-se de um festival complexo, feito de pequenas intervenções e o tempo todo atento ao conhecimento local, à comunidade e as possibilidades estéticas dos encontros entre atores muito diferentes.

O Festival faz um grande esforço apostando em um universidade forte, com grande capacidade de ação, mas, ao mesmo tempo, permeável à toda invenção que não passa por ela, por modos de vida que não são facilmente incorporáveis à lógica do mercado, da mídia e da academia. Impressiona a capacidade de dar corpo e promover ações com tanta ressonância com as reflexões políticas e estéticas que são feitas hoje em certos meios acadêmicos.

Uma das belas facetas do festival é a facilidade com que se passa de uma intervenção mais ligada ao universo das artes a um escritório público de arquitetura com a presença de um advogado ou de como aproxima, como proponentes de ações, doutores e crianças. Estética e politica fazem parte de ações que não são restritas a artistas ou a gestores e advogados.

Mais do que uma simples aposta na diversidade, o festival consegue traçar uma continuidade entre as questões estéticas, urbanas, discursivas, legais e expressivas. Essa linha de continuidade é propriamente um não isolamento das forças e desafios das próprias vidas no esforço de inventar um comum, ou seja, “uma comunidade de partilha” em que essa comunidade parece desejar rever-se reexperimentar-se, indo buscar em múltiplos cantos e saberes – populares, acadêmicos, indígenas – as potências para uma invenção no presente, para uma forma de estar junto e sermos muitos.

Diamantina,
Julho – de graça!
http://festivalufmg.wordpress.com/o-bem-comum/



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13 de jun. de 2012

O capitalismo organizando o descontrole e a inventividade


A chamada para um recente simpósio realizado pela ABA (Associação Brasileira de Anunciantes),  patrocinado pela Petrobrás, Governo Federal, Caixa e empresas privadas, não poderia ser mais explicita:
O evento tem como objetivo “discutir os desafios, as oportunidades e as melhores práticas comerciais e mercadológicas que possibilitem transformar o Rio de Janeiro no grande produto nacional e internacional do momento" 

Eles provavelmente mostraram esse anúncio da Coca-Cola: 


Não só transforma as estratégias policiais em publicidade como organiza a desordem a inventividade das vidas para o capital.
Se a cidade e a vida são os produtos, o pessoal anda no caminho certo.



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10 de jun. de 2012

Coréia do Sul


O Globo em 10.06.2012:
Lições do 'milagre econômico' da Coreia do Sul para o Brasil Puxado por Samsung, LG e Hyundai e movido à tecnologia, o país asiático cresce e vira exemplo.

Guattari 1989:
"A instauração a longo prazo de imensas zonas de miséria, fome e morte parece daqui em diante fazer parte integrante do monstruoso sistema de "estimulação" do Capitalismo Mundial Integrado. Em todo caso, é sobre tal instauração que repousa a implantação das Novas Potências Industriais, centros de hiperexploração tais como: Hong Kong, Taiwan, Coréia do Sul etc."

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9 de jun. de 2012

A crise e a dívida


A crise é o momento em que todos os processos libertários são estancados.
-Agora não, não podemos arriscar, é preciso se controlar, etc.
E nós, que não estamos em crise?
Temos as dívidas. Podemos crescer emprestando, diminuído os juros e aumentando as parcelas. Podemos comprometer os ganhos de uma vida.
Se você tem um dívida é preciso se controlar, não é bom arriscar. O dia de amanhã é o dia de pagar o que se deve.
Crise e dívida são operações muito parecidas.

Nos dois casos há produção demais e consumo de menos.
Nos dois casos é bom não arriscar.
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8 de jun. de 2012

Violeta Foi para o Céu

Passei a semana lendo um capítulo do mil platôs - 1837 - A cerca do Ritornelo. Na edição brasileira está no Livro 4 -  que parece descrever o Papel da música nesse filme.

Primeiro a música pode aparecer como um assobio. Uma criança anda pela rua e cantarola, isso garante um território, afasta a criança do caos, um esboço de um centro estável.

Depois a música e a sonoridade inventam uma casa, um território que é sempre criação. As forças do caos são mantidas do lado de fora e no seu interior um rádio ou uma música garantem o território.

E, simultaneamente, os limites do lar nunca são absolutos, há sempre uma fresta por onde entra o caos, um estrangeiro ou por onde podemos sair e retomar o caos, lançarmo-nos nas forças da improvisação e do descontrole.

Violeta parece passar por todas essa potências da música. Com ela o Chile circula e lhe garante uma estabilidade, com ela se constrói um forte, uma cabana, mas esse território é invadido por diversos poderes e desejos, refazendo o contato com forças excessivas, maiores que ela própria.

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18 de mai. de 2012

Fundo Setorial do Audiovisual


Quem é o comitê gestor que decide que não haverá "fortalecimento da pesquisa e da inovação" nem verba para "Aperfeiçoar a capacitação profissional do setor audiovisual", como indicam os objetivos e diretrizes do Fundo:
Ana de Hollanda
Ministra de Estado da Cultura

Ana Paula Santana
Secretária do Audiovisual (SAV) do Ministério da Cultura - MinC

Manoel Rangel
Diretor-Presidente da Agência Nacional de Cinema - ANCINE

Luiz Antônio Coelho Lopes
Representante das Instituições Financeiras Credenciadas

Paulo Mendonça
Representante da indústria cinematográfica e audiovisual

André Sturm
Representante da indústria cinematográfica e audiovisual

--

Detalhe: a lei que criou o fundo diz que o comitê deve ter "dois representantes do setor de audiovisual". A Ancine traduziu para: "Representante da indústria cinematográfica e audiovisual". Não é pouca coisa.
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    Fundo Setorial do Audiovisual

    Fundo setorial do Audiovisual *

    Objetivos:
    • fortalecimento da pesquisa e da inovação

    Diretrizes:
    • Aperfeiçoar a capacitação profissional do setor audiovisual


    Muito dinheiro sem atender todos os objetivos e diretrizes que estão na lei.
    ----
    *Lei Nº 11.437, de 28 de dezembro de 2006, e regulamentado pelo Decreto nº 6.299, de 12 de dezembro de 2007- Fundo Nacional de Cultura (FNC).
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    1 de abr. de 2012

    um debate fora do lugar

    O debate em torno da ditadura tem me impressionado muito, efetivamente. Hoje, depois de tudo o que aconteceu, depois do desastre social, cultural, educacional, político e civil que representou a ditadura, me sinto absolutamente desconfortável em ter que pensar a ditadura como se ela tivesse tido algum papel, alguma legitimidade. Para mim, não é possível naturaliza a possibilidade do que aconteceu. Qualquer manifestação que tente resgatar “aspectos positivos” acaba se engajando no absurdo, acaba colocando a ditadura como se fosse uma outra possibilidade ao estado de direito. Assim, o que me parece inacreditável é que tenhamos que estar aqui lembrando que a ditadura não é uma possibilidade, não interessa o que eu acho da Dilma, do Fernando Cardoso ou de um general qualquer. Não interessa. Ou negamos a possibilidade da ditadura ser "um possível" ou vamos ter que entrar no mérito do: "será que vale a pena?". O que é inacreditável é ver uma certa adesão ao discurso dos ex-torturadores que pretendem recolocar a ditadura como uma possibilidade entre outras.
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    24 de mar. de 2012

    Cacá Diegues e o MinC

    Meu querido Cacá, fico com pena, ainda, quando vejo um artigo teu tão equivocado.

    Talvez não te interesse que a reforma dos direitos autorais tenha sido comprometida com a atual gestão do MInC.

    Talvez não te interesse que o DOC TV, exemplo de democratização da produção audiovisual, esteja parado há mais de 15 meses.

    Talvez não te interesse que nenhum edital para ponto de cultura tenha sido feito.

    Talvez, talvez não te interesse a recentralização da cultura nos grandes produtores e nos grandes centros.

    Talvez não te interesse o conformismo das praças pré-moldadas do PAC.

    Talvez não te interesse as infâmias desse ministério a favor do ECAD e das "indústrias criativas".

    Apenas mais um detalhe do teu artigo. Professor universitário sou eu, já o Viveiros, a Suely e a Manuela são, além de professores universitários, dos intelectuais mais importantes e engajados que existem no país e no mundo.

    http://sergyovitro.blogspot.com.br/2012/03/cultura-e-alma-de-um-povo-caca-diegues.html
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    16 de mar. de 2012

    Cinema Brasileiro no Glaucio Gill - Copacabana


    Caros,


    Fred Benevides e eu estamos oferecendo um curso sobre o cinema brasileiro contemporâneo no Teatro Glaucio Gill em Copacabana.

    Na próxima terça teremos a segunda aula em que discutiremos a introdução do livro do Ver e Poder, de Jean Louis Comolli, escrita por Ruben Caixeta e César Guimarães. (link)

    Trabalharemos também a ideia de superfície como um método para nos aproximarmos do cinema. Utilizaremos para isso o primeiro capítulo do Livro Mil Platôs de Deleuze e Guattari.

    As aula acontecem às terças entre 15:00 e 18:00.
    Quem ainda não se inscreveu deve mandar um mail para: cinemabrasileirouff@gmail.com

    Abraços
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    28 de fev. de 2012

    Carnaval no Rio



    Impressiona que no sambódromo, o povo que pagou muito caro para sentar nas duras arquibancadas para assistir os famosos andando livremente entre os camarotes e a pista e os ricos nas frisas, aplaudam com entusiasmo o arquiteto autor de um projeto completamente estratificado que impossibilita o próprio carnaval.
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    22 de fev. de 2012

    Só há realismo no engajamento.

    A historinha é assim.
    Estava lendo um artigo de um historiador sobre um fato bastante específico da literatura brasileira nos anos 10 (sec.XX). Eu não conhecia nenhum dos personagens, nenhuma das casas de edição, nenhum dos livros citados. Claro, estava mergulhado em minha ignorância, mas ao mesmo tempo que o artigo levantava documentos e microhistórias, tudo ali poderia ser uma narrativa falsa, que apenas se pretendia verídica. Entretanto, num dado momento, o artigo deixava de elencar dados e fatos e fazia uma leitura política de uma passagem. De alguma maneira o artigo se colocava, ou seja, se engajava no presente com o que a história lhe trazia.
    O realismo tomava concretude, não pela veracidade dos fatos, mas pela relação com o presente, pela tomada de um ponto de vista. O que havia de real era um desejo de mundo, independente da veracidade do que permitia aquele desejo de mundo.
    Engajamento é uma conexão do corpo, da linguagem, da práxis, com o presente. Realismo é o que se constitui nessa relação. (ah se fosse tão fácil :) )-
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    19 de fev. de 2012

    Fechando as abas do firefox - a semana


    1 - LANA DEL REY-VIDEO GAMES

    Tudo bem, todo mundo deve conhecer, mas acabei de descobrir e gostei. Pop, brega, fica tocando aqui e me deixa contente.

    http://www.youtube.com/watch?v=HO1OV5B_JDw

    2 - Occupy: Rediscovering the General Will in Hard Time

    by Nick Couldry and Natalie Fenton

    Artigo interessante de dois ingleses sobre ocuppy – na Inglaterra. Economia e papel da universidade em questão.

    http://www.possible-futures.org/2011/12/22/rediscovering-the-general-will/

     

    3 - Um grande momento dessa semana.

    Mais de uma hora com Félix Guattari. O engajamento é tocante e a delicadeza inspiradora.

    http://www.youtube.com/watch?v=aleBHgDS-Qg&feature=related

    4 - Perguntei no Twitter: E hoje, o que os psicanalistas tem a falar sobre o mundo, sobre o presente.

    Simone Pereira de Sá me disse: veja o MD Magno

    Ai está http://www.youtube.com/watch?v=Nva48aI7030

    5 - Talvez o mais importante livro sobre política que eu tenha lido.

    Aqui o Marc Ngui faz um ensaio de desenhos em torno dos parágrafos do primeiro capítulo. Belo desafio. Não me dediquei ao desenho a ponto de julgar a pertinência, mas os desenhos são bonitos e o livro merece esse experimento.

    http://www.bumblenut.com/drawing/art/plateaus/index.shtml

     

    6 Doc sobre a política para o cinema no Brasil, realizado pelo Arthur Autran.

    É ótimo ver essas pessoas contando essa história.

    http://vimeo.com/32374308

    7 - Momento choque.

    Matéria antiga com Fátima Toledo, preparadora de atores.

    Se cinema é isso, prefiro a poesia de uma linha de montagem.

    http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-28/questoes-de-interpretacao/como-nao-ser-ator

     

    8  - Fala de Bernard Stiegler.

    Não vi. Vou com cuidado, normalmente ele adere a ‘está tudo dominado” que me desagrada, mas o cara é forte.

    http://www.youtube.com/watch?v=7PC-WDHxXU0&feature=related

     

    9 – E, lista das assinaturas contra a inclusão dos reality-shows nas cotas da lei que regula os canais pagos de TV.
    Assinou?
    http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoListaSignatarios.aspx?pi=P2012N20825
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    18 de jan. de 2012

    Editais SAV/Minc, nos detalhes as opções mais conservadoras



               Os editais para cinema e audiovisual lançados no final de dezembro vieram em boa hora. Depois de um ano de transição, começar o ano de 2012 com novas perspectivas é alvissareiro. Entretanto, gostaria de apontar duas questões que não comprometem de forma definitiva os editais, mas explicitam os problemas do MinC e da SAV atualmente.
               Antes de expor essas críticas, é importante lembrar que no processo de elaboração dos editais o conselho da SAV não foi consultado e a consulta pública não deixou memória nenhuma. Ao pedir para a SAV o texto apresentado para a consulta e a memória das contribuições recebi a seguinte resposta:

                “Os textos dos editais disponibilizados na página da SAv para o recebimento de sugestões, eram semelhantes ao material que seria posteriormente publicado no Diário Oficial da União. As contribuições enviadas foram analisadas e atendidas dentro das possibilidades legais.
    Após o término do prazo para o recebimento das sugestões (28 de setembro), os conteúdos foram retirados do site.”

                Ou seja, aparentemente pouca coisa mudou e, bem mais grave, não há memória do processo.
               
               Em relação ao edital, a primeira surpresa foi com o edital para longas-metragens que restringe os filmes a 70 minutos, que, como sabemos, não faz um longa. O que parecia ser um erro na escritura do edital era, na verdade, uma manobra, ou como disse a secretaria: “Essa foi a saída legal para darmos continuidade ao Programa de Editais com os BOs.”
               Essa gambiarra jurídica, para poder conseguir verba com o FNC e com Incentivo Fiscal, apenas explicita a fragilidade institucional e de gestão de um ministério que, depois de um ano, não conseguiu verba para fazer a política mais simples e tradicional que se faz todo ano. Assim, é louvável que o edital tenha acontecido, mas como aceitar um edital de longas que não contempla longas-metragens?
               O problema se torna mais flagrante com essa cláusula do edital: “O apoio aos selecionados está condicionado à existência de disponibilidade orçamentária e financeira, constituindo sua aprovação no presente edital mera expectativa de direito.” Ora, trata-se então de um edital que não necessariamente será pago? Por melhores que sejam as intenções da SAV, trata-se de uma afronta aos profissionais que trabalharão para que seus projetos sejam aprovados sem garantias de que, uma vez selecionados, terão direito às verbas.
               O mais sério de todos os problemas, entretanto, diz respeito às opções políticas e estéticas presentes nos editais. As opções são centralizadoras, elitistas e desconhecem, ou desconsideram, as formas contemporâneas de produção e os modos que boa parte do cinema e do audiovisual brasileiro se organizou nos últimos anos, em sintonia com um momento singular do mundo no que diz respeito às possibilidades econômicas, políticas e tecnológicas.
               1 – Só o desejo de privilegiar os maiores produtores justifica que o primeiro aporte de verba do MinC para documentários seja um edital para 5 projetos de 500 mil reais, mais 100 mil em contrapartidas. Tal opção ignora os resultados das quatro edições do Doctv, projeto que realizou em cada edição pelo menos um filme por estado em parceria com a TV Brasil (1) e com resultados estéticos e econômicos impactantes. Menos do que reivindicar o DocTv, ou um futuro FicTv, para filmes de ficção, esse edital despreza um histórico de sucesso e um contexto que demanda descentralização e democratização. Seria importante que o MinC justificasse essa opção.

               2 – Os editais para longas e curtas definem os formatos que as imagens devem ser captadas, ignorando que a atenção deve ser dada ao formato de exibição. Esse sim definirá tecnicamente as possibilidades de circulação dos filmes. Um filme captado em celular ou com imagens retiradas do Youtube, como o recente Fragmentos de uma Revolução ganhador do FórumDOC 2011 ou como o filme de Harun Farocki, como o mesmo nome, não seriam permitidos pelo edital. Novamente, trata-se de privilegiar um modelo de produção em que o “padrão de qualidade” é mais importante que a qualidade, a criação, o filme. Essa opção, novamente, tende a centralizar a produção e elitizar os proponentes e em nada contribui para o cinema nem estética nem economicamente.

               3 – O edital para longas traz uma distinção importante entre estreantes e veteranos, entretanto erra ao definir o que seria um estreante. Segundo o edital, apenas diretores que já tenham “assinado a direção de pelo menos 3 (três) obras audiovisuais, dentre curtas-metragens de ficção finalizados em 16 mm, 35 mm ou fita HDCAM, séries e/ou documentários para televisão” estariam aptos a concorrer. Isso significa que aqueles que fizeram curtas em outros formatos digitais ou um ator que atuou em 10 longas, não seriam habilitados como proponentes.  Trata-se de, por um lado, uma opção pela centralidade dos grandes formatos, por outro um desconhecimento da própria formação de um diretor que, muitas vezes, acontece na prática com outras artes ou na prática de outras funções, no próprio cinema. Para defender certos diretores o edital acaba prejudicando o cinema.

        4 - Parece importante ainda que a SAV justifique o edital para roteiristas dentro de uma política para o cinema brasileiro. Se o objetivo são os filmes, por que não ampliar para projetos de filmes em geral, o que frequentemente parte de produtoras e coletivos. Esses projetos não necessariamente partem do roteiro. Tal como está, o edital para roteiros é importante, mas define excessivamente um formato de obra.
    O mesmo acontece com relação ao roteiro no edital de “longa”, em que são pedidos roteiros de no mínimo 70 páginas. Tal opção é injustificável. Seguindo que padrões a SAV entende que um roteiro de longa precisa ter no mínimo 70 páginas? Poderíamos refazer a história do cinema com filmes decisivos que não chegavam perto disso. Novamente, o incentivo à produção torna-se um incentivo a um formato decidido pela SAV e baseado em um sistema de produção que pouco fala sobre grande parte do que acontece no país hoje.

               É preciso ressaltar que trago aqui minha preocupação em relação aos editais, mas, sobretudo, em relação ao que o MinC e a SAV tem feito. Acreditamos na necessidade de uma secretaria forte e que seja efetivamente propositora de uma política para o cinema e para o audiovisual no Brasil, pautada pelo crescimento do mercado, pela qualidade das obras e pela democratização da produção e do acesso. O que estamos apontando aqui é que os editais, por mais importantes que sejam, estão repletos de opções que não contemplam esses princípios.


    -----



    (1) Importante, por Max Eluard: O programa teve 4 edições no Brasil e apenas na última que a tv brasil entrou como parceira. Na verdade a emissora parceira do doctv desde sua gênese foi a tv cultura, pode parecer um detalhe apenas, mas é importante salientar que o minc (do pt) logrou uma importante articulação com a tv pública de sp (do psdb) em prol da produção independente nacional e mais, se associava às tvs públicas de todos os estados brasileiros, independentemente do partido. Isso aponta para uma política pública voltada ao estado e não para o governo.



    Ps. Essas notas forma feitas com o auxílio de várias pessoas que nas redes sociais discutiram o assunto.
    Agradeço ao Mauro Reis pela leitura e sinalizações.

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    26 de dez. de 2011

    A cidade e a exclusão

    Duas manchetes do Globo de hoje (27.12), como se fossem fatos isolados.

    1 - Rio, uma cidade em movimento. Projetos e investimentos põem o Rio no caminho para a transformação

    2 - Favelas cresceram mais no interior do RJ do que na capital. Aumento foi de 121%; só em Macaé, são 36.233 vivendo em comunidade.
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    23 de dez. de 2011

    A questão da Habitação - Engels 1873


    "Na realidade, a burguesia tem apenas um método para resolver à sua maneira a questão da habitação — isto é, resolvê-la de tal forma que a solução produza a questão sempre de novo. Este método chama-se «Haussmann».
    Por «Haussmann» entendo não apenas a maneira especificamente bonapartista do Haussmann parisiense de abrir ruas compridas, direitas e largas pelo meio dos apertados bairros operários e de guarnecê-las de ambos os lados com grandes edifícios de luxo, com o que se pretendia não só atingir a finalidade estratégica de dificultar a luta nas barricadas mas também formar um proletariado da construção civil especificamente bonapartista e dependente do governo e transformar a cidade numa pura cidade de luxo. Por «Haussmann» entendo também a prática generalizada de abrir brechas nos bairros operários, especialmente nos de localização central nas nossas grandes cidades, quer essa prática seja seguida por considerações de saúde pública e de embelezamento ou devido à procura de grandes áreas comerciais centralmente localizadas ou por necessidades do trânsito, tais como vias-férreas, ruas, etc. O resultado é em toda a parte o mesmo, por mais diverso que seja o pretexto: as vielas e becos mais escandalosos desaparecem ante grande autoglorificação da burguesia por esse êxito imediato mas... ressuscitam logo de novo em qualquer lugar e frequentemente na vizinhança imediata."



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    22 de dez. de 2011

    Cairo


    Grafite na parede de concreto que a junta militar fez em duas ruas que cercam Tahrir para impedir que os manifestantes cheguem nos prédios públicos.


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    Eleições no Egito - 3 candidatos




    Por conta do alto índice de analfabetismo, cada candidato tem um símbolo. Esse símbolo é sorteado. Alguns deixam o símbolo bem pequeno no cartaz, outros se identificam e o exploram, com o é o caso do rifle.

    O candidato com o boné tem na testa a marca de um muçulmano praticante, uma espécie de calo causado  por tanto se tocar a testa no chão durante a reza. A marca é muito comum no Egito.

    A primeira candidata é a mais intrigante. Uma imagem sem imagem.
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    21 de dez. de 2011

    Tv no Brasil, Tv no Egito

    No Egito as restrições aos meios de comunicação sempre foram muito grandes no regime de Mubarak. Hoje, críticos à junta militar são julgados e condenados. 
    Ao mesmo tempo, a TV do hotel baratinho tem 500 canais. No domingo a noite 11 filmes originalmente falados em árabe eram transmitidos simultaneamente.
    Na nosso caso, a liberdade de expressão na televisão é regida por um mercado monopolista e elitista, em muitos casos pior que o de uma ditadura.
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    18 de dez. de 2011

    Último dia em Tahrir


    Estive hoje novamente na Praça Tahrir. Uma despedida. Amanha retono ao Brasil.
    A Praça tem as marcas dos embates de ontem. A policia queimou as barracas dos muitos que estavam acampados, o chão da praça est'a cheio de pedras e com muitas pessoas circulando com feridas ou com capacetes de obra.

    Ao mesmo tempo, algum engraxam seus sapatos, os vendedores de camiseta que homenageiam a revolução continuam ali e o comercio est'a aberto.
    Rua fechada em frente ao palácio do primeiro ministro.












    O embate pesado acontece 400 metros mais a frente, onde a policia bloqueou a rua com enormes blocos de concreto para impedir que os manifestantes recuperem a rua do palacio no primeiro ministro.

    Impressiona a calma nas proximidades da praça, mas, mais do que isso, impressiona a massa de gente diante dos blocos de concreto.
    Essa 'e a segunda barreira de concreto que a policia faz para impedir uma ligação direta entre a praça e os principais prédios do governo.

    Como disse um rapaz que me deu uma carona hoje. Quando eles construirem umas cinco barreiras dessa, eles não terão como sair de la e dai derrubaremos a junta militar.

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    4 de dez. de 2011

    5 x Favela - agora por nós mesmos e Avenida Brasília Formosa: da possibilidade de uma imagem crítica


     As favelas são parte da disputa estética e política na cidade. Uma disputa que se faz em torno do descontrole das potências vitais que ali se forjam. Privilegiamos neste artigo os filmes 5 x Favela - agora por nós mesmos (Cacá Diegues – prod., 2010) e Avenida Brasília Formosa (Gabriel Mascaro, 2009) e com eles investigamos as possibilidades críticas, de escrituras e projetos, que operam no horizonte biopolítico do capitalismo contemporâneo.
     --
    Artigo publicado na Revista Devires  (segue)
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    3 de dez. de 2011

    Internet democrática e sem nostalgia

    Artigo publicado no jornal O Povo, de Fortaleza.

    Internet democrática e sem nostalgia


    No atual debate sobre a crítica e a forma como a internet aparece como espaço em que novas mediações são inventadas, gostaria de refletir sobre três pontos relevantes para entender o que acontece com a crítica e a produção de conhecimento com a internet.
    A crítica não estava reprimida


    Alguns dirão: antes da internet a crítica estava reprimida. Ou seja, havia uma massa de críticos e pensadores escrevendo e pensando sobre arte, cultura e política e, com a internet, encontraram um espaço de publicação.
    ( segue )



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