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educação, política mídia e arte

18 de mai. de 2012

Fundo Setorial do Audiovisual


Quem é o comitê gestor que decide que não haverá "fortalecimento da pesquisa e da inovação" nem verba para "Aperfeiçoar a capacitação profissional do setor audiovisual", como indicam os objetivos e diretrizes do Fundo:
Ana de Hollanda
Ministra de Estado da Cultura

Ana Paula Santana
Secretária do Audiovisual (SAV) do Ministério da Cultura - MinC

Manoel Rangel
Diretor-Presidente da Agência Nacional de Cinema - ANCINE

Luiz Antônio Coelho Lopes
Representante das Instituições Financeiras Credenciadas

Paulo Mendonça
Representante da indústria cinematográfica e audiovisual

André Sturm
Representante da indústria cinematográfica e audiovisual

--

Detalhe: a lei que criou o fundo diz que o comitê deve ter "dois representantes do setor de audiovisual". A Ancine traduziu para: "Representante da indústria cinematográfica e audiovisual". Não é pouca coisa.
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    Fundo Setorial do Audiovisual

    Fundo setorial do Audiovisual *

    Objetivos:
    • fortalecimento da pesquisa e da inovação

    Diretrizes:
    • Aperfeiçoar a capacitação profissional do setor audiovisual


    Muito dinheiro sem atender todos os objetivos e diretrizes que estão na lei.
    ----
    *Lei Nº 11.437, de 28 de dezembro de 2006, e regulamentado pelo Decreto nº 6.299, de 12 de dezembro de 2007- Fundo Nacional de Cultura (FNC).
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    1 de abr. de 2012

    um debate fora do lugar

    O debate em torno da ditadura tem me impressionado muito, efetivamente. Hoje, depois de tudo o que aconteceu, depois do desastre social, cultural, educacional, político e civil que representou a ditadura, me sinto absolutamente desconfortável em ter que pensar a ditadura como se ela tivesse tido algum papel, alguma legitimidade. Para mim, não é possível naturaliza a possibilidade do que aconteceu. Qualquer manifestação que tente resgatar “aspectos positivos” acaba se engajando no absurdo, acaba colocando a ditadura como se fosse uma outra possibilidade ao estado de direito. Assim, o que me parece inacreditável é que tenhamos que estar aqui lembrando que a ditadura não é uma possibilidade, não interessa o que eu acho da Dilma, do Fernando Cardoso ou de um general qualquer. Não interessa. Ou negamos a possibilidade da ditadura ser "um possível" ou vamos ter que entrar no mérito do: "será que vale a pena?". O que é inacreditável é ver uma certa adesão ao discurso dos ex-torturadores que pretendem recolocar a ditadura como uma possibilidade entre outras.
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    24 de mar. de 2012

    Cacá Diegues e o MinC

    Meu querido Cacá, fico com pena, ainda, quando vejo um artigo teu tão equivocado.

    Talvez não te interesse que a reforma dos direitos autorais tenha sido comprometida com a atual gestão do MInC.

    Talvez não te interesse que o DOC TV, exemplo de democratização da produção audiovisual, esteja parado há mais de 15 meses.

    Talvez não te interesse que nenhum edital para ponto de cultura tenha sido feito.

    Talvez, talvez não te interesse a recentralização da cultura nos grandes produtores e nos grandes centros.

    Talvez não te interesse o conformismo das praças pré-moldadas do PAC.

    Talvez não te interesse as infâmias desse ministério a favor do ECAD e das "indústrias criativas".

    Apenas mais um detalhe do teu artigo. Professor universitário sou eu, já o Viveiros, a Suely e a Manuela são, além de professores universitários, dos intelectuais mais importantes e engajados que existem no país e no mundo.

    http://sergyovitro.blogspot.com.br/2012/03/cultura-e-alma-de-um-povo-caca-diegues.html
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    16 de mar. de 2012

    Cinema Brasileiro no Glaucio Gill - Copacabana


    Caros,


    Fred Benevides e eu estamos oferecendo um curso sobre o cinema brasileiro contemporâneo no Teatro Glaucio Gill em Copacabana.

    Na próxima terça teremos a segunda aula em que discutiremos a introdução do livro do Ver e Poder, de Jean Louis Comolli, escrita por Ruben Caixeta e César Guimarães. (link)

    Trabalharemos também a ideia de superfície como um método para nos aproximarmos do cinema. Utilizaremos para isso o primeiro capítulo do Livro Mil Platôs de Deleuze e Guattari.

    As aula acontecem às terças entre 15:00 e 18:00.
    Quem ainda não se inscreveu deve mandar um mail para: cinemabrasileirouff@gmail.com

    Abraços
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    28 de fev. de 2012

    Carnaval no Rio



    Impressiona que no sambódromo, o povo que pagou muito caro para sentar nas duras arquibancadas para assistir os famosos andando livremente entre os camarotes e a pista e os ricos nas frisas, aplaudam com entusiasmo o arquiteto autor de um projeto completamente estratificado que impossibilita o próprio carnaval.
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    22 de fev. de 2012

    Só há realismo no engajamento.

    A historinha é assim.
    Estava lendo um artigo de um historiador sobre um fato bastante específico da literatura brasileira nos anos 10 (sec.XX). Eu não conhecia nenhum dos personagens, nenhuma das casas de edição, nenhum dos livros citados. Claro, estava mergulhado em minha ignorância, mas ao mesmo tempo que o artigo levantava documentos e microhistórias, tudo ali poderia ser uma narrativa falsa, que apenas se pretendia verídica. Entretanto, num dado momento, o artigo deixava de elencar dados e fatos e fazia uma leitura política de uma passagem. De alguma maneira o artigo se colocava, ou seja, se engajava no presente com o que a história lhe trazia.
    O realismo tomava concretude, não pela veracidade dos fatos, mas pela relação com o presente, pela tomada de um ponto de vista. O que havia de real era um desejo de mundo, independente da veracidade do que permitia aquele desejo de mundo.
    Engajamento é uma conexão do corpo, da linguagem, da práxis, com o presente. Realismo é o que se constitui nessa relação. (ah se fosse tão fácil :) )-
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    19 de fev. de 2012

    Fechando as abas do firefox - a semana


    1 - LANA DEL REY-VIDEO GAMES

    Tudo bem, todo mundo deve conhecer, mas acabei de descobrir e gostei. Pop, brega, fica tocando aqui e me deixa contente.

    http://www.youtube.com/watch?v=HO1OV5B_JDw

    2 - Occupy: Rediscovering the General Will in Hard Time

    by Nick Couldry and Natalie Fenton

    Artigo interessante de dois ingleses sobre ocuppy – na Inglaterra. Economia e papel da universidade em questão.

    http://www.possible-futures.org/2011/12/22/rediscovering-the-general-will/

     

    3 - Um grande momento dessa semana.

    Mais de uma hora com Félix Guattari. O engajamento é tocante e a delicadeza inspiradora.

    http://www.youtube.com/watch?v=aleBHgDS-Qg&feature=related

    4 - Perguntei no Twitter: E hoje, o que os psicanalistas tem a falar sobre o mundo, sobre o presente.

    Simone Pereira de Sá me disse: veja o MD Magno

    Ai está http://www.youtube.com/watch?v=Nva48aI7030

    5 - Talvez o mais importante livro sobre política que eu tenha lido.

    Aqui o Marc Ngui faz um ensaio de desenhos em torno dos parágrafos do primeiro capítulo. Belo desafio. Não me dediquei ao desenho a ponto de julgar a pertinência, mas os desenhos são bonitos e o livro merece esse experimento.

    http://www.bumblenut.com/drawing/art/plateaus/index.shtml

     

    6 Doc sobre a política para o cinema no Brasil, realizado pelo Arthur Autran.

    É ótimo ver essas pessoas contando essa história.

    http://vimeo.com/32374308

    7 - Momento choque.

    Matéria antiga com Fátima Toledo, preparadora de atores.

    Se cinema é isso, prefiro a poesia de uma linha de montagem.

    http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-28/questoes-de-interpretacao/como-nao-ser-ator

     

    8  - Fala de Bernard Stiegler.

    Não vi. Vou com cuidado, normalmente ele adere a ‘está tudo dominado” que me desagrada, mas o cara é forte.

    http://www.youtube.com/watch?v=7PC-WDHxXU0&feature=related

     

    9 – E, lista das assinaturas contra a inclusão dos reality-shows nas cotas da lei que regula os canais pagos de TV.
    Assinou?
    http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoListaSignatarios.aspx?pi=P2012N20825
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    18 de jan. de 2012

    Editais SAV/Minc, nos detalhes as opções mais conservadoras



               Os editais para cinema e audiovisual lançados no final de dezembro vieram em boa hora. Depois de um ano de transição, começar o ano de 2012 com novas perspectivas é alvissareiro. Entretanto, gostaria de apontar duas questões que não comprometem de forma definitiva os editais, mas explicitam os problemas do MinC e da SAV atualmente.
               Antes de expor essas críticas, é importante lembrar que no processo de elaboração dos editais o conselho da SAV não foi consultado e a consulta pública não deixou memória nenhuma. Ao pedir para a SAV o texto apresentado para a consulta e a memória das contribuições recebi a seguinte resposta:

                “Os textos dos editais disponibilizados na página da SAv para o recebimento de sugestões, eram semelhantes ao material que seria posteriormente publicado no Diário Oficial da União. As contribuições enviadas foram analisadas e atendidas dentro das possibilidades legais.
    Após o término do prazo para o recebimento das sugestões (28 de setembro), os conteúdos foram retirados do site.”

                Ou seja, aparentemente pouca coisa mudou e, bem mais grave, não há memória do processo.
               
               Em relação ao edital, a primeira surpresa foi com o edital para longas-metragens que restringe os filmes a 70 minutos, que, como sabemos, não faz um longa. O que parecia ser um erro na escritura do edital era, na verdade, uma manobra, ou como disse a secretaria: “Essa foi a saída legal para darmos continuidade ao Programa de Editais com os BOs.”
               Essa gambiarra jurídica, para poder conseguir verba com o FNC e com Incentivo Fiscal, apenas explicita a fragilidade institucional e de gestão de um ministério que, depois de um ano, não conseguiu verba para fazer a política mais simples e tradicional que se faz todo ano. Assim, é louvável que o edital tenha acontecido, mas como aceitar um edital de longas que não contempla longas-metragens?
               O problema se torna mais flagrante com essa cláusula do edital: “O apoio aos selecionados está condicionado à existência de disponibilidade orçamentária e financeira, constituindo sua aprovação no presente edital mera expectativa de direito.” Ora, trata-se então de um edital que não necessariamente será pago? Por melhores que sejam as intenções da SAV, trata-se de uma afronta aos profissionais que trabalharão para que seus projetos sejam aprovados sem garantias de que, uma vez selecionados, terão direito às verbas.
               O mais sério de todos os problemas, entretanto, diz respeito às opções políticas e estéticas presentes nos editais. As opções são centralizadoras, elitistas e desconhecem, ou desconsideram, as formas contemporâneas de produção e os modos que boa parte do cinema e do audiovisual brasileiro se organizou nos últimos anos, em sintonia com um momento singular do mundo no que diz respeito às possibilidades econômicas, políticas e tecnológicas.
               1 – Só o desejo de privilegiar os maiores produtores justifica que o primeiro aporte de verba do MinC para documentários seja um edital para 5 projetos de 500 mil reais, mais 100 mil em contrapartidas. Tal opção ignora os resultados das quatro edições do Doctv, projeto que realizou em cada edição pelo menos um filme por estado em parceria com a TV Brasil (1) e com resultados estéticos e econômicos impactantes. Menos do que reivindicar o DocTv, ou um futuro FicTv, para filmes de ficção, esse edital despreza um histórico de sucesso e um contexto que demanda descentralização e democratização. Seria importante que o MinC justificasse essa opção.

               2 – Os editais para longas e curtas definem os formatos que as imagens devem ser captadas, ignorando que a atenção deve ser dada ao formato de exibição. Esse sim definirá tecnicamente as possibilidades de circulação dos filmes. Um filme captado em celular ou com imagens retiradas do Youtube, como o recente Fragmentos de uma Revolução ganhador do FórumDOC 2011 ou como o filme de Harun Farocki, como o mesmo nome, não seriam permitidos pelo edital. Novamente, trata-se de privilegiar um modelo de produção em que o “padrão de qualidade” é mais importante que a qualidade, a criação, o filme. Essa opção, novamente, tende a centralizar a produção e elitizar os proponentes e em nada contribui para o cinema nem estética nem economicamente.

               3 – O edital para longas traz uma distinção importante entre estreantes e veteranos, entretanto erra ao definir o que seria um estreante. Segundo o edital, apenas diretores que já tenham “assinado a direção de pelo menos 3 (três) obras audiovisuais, dentre curtas-metragens de ficção finalizados em 16 mm, 35 mm ou fita HDCAM, séries e/ou documentários para televisão” estariam aptos a concorrer. Isso significa que aqueles que fizeram curtas em outros formatos digitais ou um ator que atuou em 10 longas, não seriam habilitados como proponentes.  Trata-se de, por um lado, uma opção pela centralidade dos grandes formatos, por outro um desconhecimento da própria formação de um diretor que, muitas vezes, acontece na prática com outras artes ou na prática de outras funções, no próprio cinema. Para defender certos diretores o edital acaba prejudicando o cinema.

        4 - Parece importante ainda que a SAV justifique o edital para roteiristas dentro de uma política para o cinema brasileiro. Se o objetivo são os filmes, por que não ampliar para projetos de filmes em geral, o que frequentemente parte de produtoras e coletivos. Esses projetos não necessariamente partem do roteiro. Tal como está, o edital para roteiros é importante, mas define excessivamente um formato de obra.
    O mesmo acontece com relação ao roteiro no edital de “longa”, em que são pedidos roteiros de no mínimo 70 páginas. Tal opção é injustificável. Seguindo que padrões a SAV entende que um roteiro de longa precisa ter no mínimo 70 páginas? Poderíamos refazer a história do cinema com filmes decisivos que não chegavam perto disso. Novamente, o incentivo à produção torna-se um incentivo a um formato decidido pela SAV e baseado em um sistema de produção que pouco fala sobre grande parte do que acontece no país hoje.

               É preciso ressaltar que trago aqui minha preocupação em relação aos editais, mas, sobretudo, em relação ao que o MinC e a SAV tem feito. Acreditamos na necessidade de uma secretaria forte e que seja efetivamente propositora de uma política para o cinema e para o audiovisual no Brasil, pautada pelo crescimento do mercado, pela qualidade das obras e pela democratização da produção e do acesso. O que estamos apontando aqui é que os editais, por mais importantes que sejam, estão repletos de opções que não contemplam esses princípios.


    -----



    (1) Importante, por Max Eluard: O programa teve 4 edições no Brasil e apenas na última que a tv brasil entrou como parceira. Na verdade a emissora parceira do doctv desde sua gênese foi a tv cultura, pode parecer um detalhe apenas, mas é importante salientar que o minc (do pt) logrou uma importante articulação com a tv pública de sp (do psdb) em prol da produção independente nacional e mais, se associava às tvs públicas de todos os estados brasileiros, independentemente do partido. Isso aponta para uma política pública voltada ao estado e não para o governo.



    Ps. Essas notas forma feitas com o auxílio de várias pessoas que nas redes sociais discutiram o assunto.
    Agradeço ao Mauro Reis pela leitura e sinalizações.

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    26 de dez. de 2011

    A cidade e a exclusão

    Duas manchetes do Globo de hoje (27.12), como se fossem fatos isolados.

    1 - Rio, uma cidade em movimento. Projetos e investimentos põem o Rio no caminho para a transformação

    2 - Favelas cresceram mais no interior do RJ do que na capital. Aumento foi de 121%; só em Macaé, são 36.233 vivendo em comunidade.
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    23 de dez. de 2011

    A questão da Habitação - Engels 1873


    "Na realidade, a burguesia tem apenas um método para resolver à sua maneira a questão da habitação — isto é, resolvê-la de tal forma que a solução produza a questão sempre de novo. Este método chama-se «Haussmann».
    Por «Haussmann» entendo não apenas a maneira especificamente bonapartista do Haussmann parisiense de abrir ruas compridas, direitas e largas pelo meio dos apertados bairros operários e de guarnecê-las de ambos os lados com grandes edifícios de luxo, com o que se pretendia não só atingir a finalidade estratégica de dificultar a luta nas barricadas mas também formar um proletariado da construção civil especificamente bonapartista e dependente do governo e transformar a cidade numa pura cidade de luxo. Por «Haussmann» entendo também a prática generalizada de abrir brechas nos bairros operários, especialmente nos de localização central nas nossas grandes cidades, quer essa prática seja seguida por considerações de saúde pública e de embelezamento ou devido à procura de grandes áreas comerciais centralmente localizadas ou por necessidades do trânsito, tais como vias-férreas, ruas, etc. O resultado é em toda a parte o mesmo, por mais diverso que seja o pretexto: as vielas e becos mais escandalosos desaparecem ante grande autoglorificação da burguesia por esse êxito imediato mas... ressuscitam logo de novo em qualquer lugar e frequentemente na vizinhança imediata."



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    22 de dez. de 2011

    Cairo


    Grafite na parede de concreto que a junta militar fez em duas ruas que cercam Tahrir para impedir que os manifestantes cheguem nos prédios públicos.


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    Eleições no Egito - 3 candidatos




    Por conta do alto índice de analfabetismo, cada candidato tem um símbolo. Esse símbolo é sorteado. Alguns deixam o símbolo bem pequeno no cartaz, outros se identificam e o exploram, com o é o caso do rifle.

    O candidato com o boné tem na testa a marca de um muçulmano praticante, uma espécie de calo causado  por tanto se tocar a testa no chão durante a reza. A marca é muito comum no Egito.

    A primeira candidata é a mais intrigante. Uma imagem sem imagem.
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    21 de dez. de 2011

    Tv no Brasil, Tv no Egito

    No Egito as restrições aos meios de comunicação sempre foram muito grandes no regime de Mubarak. Hoje, críticos à junta militar são julgados e condenados. 
    Ao mesmo tempo, a TV do hotel baratinho tem 500 canais. No domingo a noite 11 filmes originalmente falados em árabe eram transmitidos simultaneamente.
    Na nosso caso, a liberdade de expressão na televisão é regida por um mercado monopolista e elitista, em muitos casos pior que o de uma ditadura.
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    18 de dez. de 2011

    Último dia em Tahrir


    Estive hoje novamente na Praça Tahrir. Uma despedida. Amanha retono ao Brasil.
    A Praça tem as marcas dos embates de ontem. A policia queimou as barracas dos muitos que estavam acampados, o chão da praça est'a cheio de pedras e com muitas pessoas circulando com feridas ou com capacetes de obra.

    Ao mesmo tempo, algum engraxam seus sapatos, os vendedores de camiseta que homenageiam a revolução continuam ali e o comercio est'a aberto.
    Rua fechada em frente ao palácio do primeiro ministro.












    O embate pesado acontece 400 metros mais a frente, onde a policia bloqueou a rua com enormes blocos de concreto para impedir que os manifestantes recuperem a rua do palacio no primeiro ministro.

    Impressiona a calma nas proximidades da praça, mas, mais do que isso, impressiona a massa de gente diante dos blocos de concreto.
    Essa 'e a segunda barreira de concreto que a policia faz para impedir uma ligação direta entre a praça e os principais prédios do governo.

    Como disse um rapaz que me deu uma carona hoje. Quando eles construirem umas cinco barreiras dessa, eles não terão como sair de la e dai derrubaremos a junta militar.

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    4 de dez. de 2011

    5 x Favela - agora por nós mesmos e Avenida Brasília Formosa: da possibilidade de uma imagem crítica


     As favelas são parte da disputa estética e política na cidade. Uma disputa que se faz em torno do descontrole das potências vitais que ali se forjam. Privilegiamos neste artigo os filmes 5 x Favela - agora por nós mesmos (Cacá Diegues – prod., 2010) e Avenida Brasília Formosa (Gabriel Mascaro, 2009) e com eles investigamos as possibilidades críticas, de escrituras e projetos, que operam no horizonte biopolítico do capitalismo contemporâneo.
     --
    Artigo publicado na Revista Devires  (segue)
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    3 de dez. de 2011

    Internet democrática e sem nostalgia

    Artigo publicado no jornal O Povo, de Fortaleza.

    Internet democrática e sem nostalgia


    No atual debate sobre a crítica e a forma como a internet aparece como espaço em que novas mediações são inventadas, gostaria de refletir sobre três pontos relevantes para entender o que acontece com a crítica e a produção de conhecimento com a internet.
    A crítica não estava reprimida


    Alguns dirão: antes da internet a crítica estava reprimida. Ou seja, havia uma massa de críticos e pensadores escrevendo e pensando sobre arte, cultura e política e, com a internet, encontraram um espaço de publicação.
    ( segue )



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    14 de nov. de 2011

    Em defesa da obra às obras: Carta/comentário sobre "Em defesa da obra" - Revista Piauí #62, por Bernardo Carvalho.



    Em defesa da obra às obras
    Carta/comentário sobre o artigo Em defesa da obra publicado na Revista Piauí de novembro de 2011 por Bernardo Carvalho.

    Prezado Bernardo,

                Seu artigo na Piauí Em defesa da obra é importante. Trata-se de uma organização de ideias que vemos espalhadas aqui e acolá, mas defendidas com menos brilhantismo que o seu.
                Partindo dos mesmos problemas, gostaria de pensar alguns pontos. Teu artigo parte do princípio que os autores existem, que eles fazem obras, vivem vidas e que essas obras e vidas são hoje disputadas pelas grandes corporações da internet que desejam tudo publicizar e obter lucro, ao mesmo tempo em que encontram justificativas para isso na própria lógica de exposição do universo privado e das celebridades que atravessa a internet.

    A mediação produtiva
                Se organizarmos esses problemas entre obra, direitos e internet da maneira como tu fazes, estamos partindo do princípio que a internet – redes sociais, blogs, etc – é apenas um meio. Ou seja, algo se produz no privado: as vidas, as obras e todos os processos subjetivos em que os sujeitos estão engajados e, depois, em um segundo momento, isso é exposto, se transforma em opinião ou se entrega à lógica das celebridades. Pois, essa separação entre o lugar em que a vida se faz e o lugar em que a vida se publiciza atravessa teu artigo e produz desdobramentos inevitavelmente duvidosos.
                Quando nos deparamos com problemas subjetivos, econômicos e políticos em relação à internet, me esforçaria em pensar o mundo que ela possibilita, os processos subjetivos e políticos que ela engendra e não vê-la como um meio para transmissão daquilo que existe.
                As vidas alterdirigidas, como as denomina a Paula Sibília no Show do Eu, não são apenas participantes da lógica das celebridades. Felizmente acho que esse quadro não é tão simples. Diria que essa dimensão pública da vida é freqüentemente atravessada por novas formas de produção de comunidade, de engajamentos, de produção comum, de organização de trabalho, de invenção coletiva, de problematização das centralidades de mediação, de acesso e compartilhamento. Se retirarmos essa dimensão produtiva em que as vidas estão engajadas com as obras, com os outros e com computadores em rede, continuaremos pensando a internet como um meio em que o que acontece ali não é produção e onde as empresas – Google, Facebook - operariam dentro da mesma lógica de centralidade, hierarquia e exploração que os meios de comunicação tradicionais.
                Note, por exemplo, o caso das revoluções árabes, ou dos recentes movimentos políticos em diversos lugares do mundo. Uma coisa seria dizer: Toda a revolta estava dada, toda reflexão estava feita e, pela internet, os grupos se organizaram. Pois, acho que não é apenas isso. A internet não organiza o que está dado na rua, há uma relação muito mais complexa, sem dentro e fora da internet, nesses casos. Com a internet se possibilitou ali um modo de ser na política, também. Não sei se me acompanhas, mas é nesse sentido que eu diria que a questão do público e do privado precisa ser vista. Não apenas tornando público o que estava no privado, mas produzindo-se formas de ser que transitam entre dimensões públicas e privadas da vida, trazendo rearranjos para ambas. Uma certa espetacularização da vida, de maneira alguma, significa que toda a vida está espetacularizada, que ela foi consumida pela exposição. Tendo a achar que o mistério não se desvenda de maneira tão banal. Entretanto, tens razão, estamos diante de novas formas de colocar a vida em público, no século XX essas formas variaram enormemente e em muitos casos foram decisivas para grandes conquistas políticas, os movimentos das feministas e dos gays viveram essa tensão. Talvez uma parte da inquietante presença das vidas nas redes sociais, que você chamou de narcisismo, passe por uma profunda problematização das formas tradicionais de representação, das formas de inscrições dos sujeitos na cidade, interrogando esteticamente lugares de fala e possibilidades sensíveis. Definitivamente, não eliminaria essas possibilidades para pensar o que acontece hoje nessa tensão entre o público e o privado e, conseqüentemente, em relação à produção e a fruição estética.

    A nostalgia das centralidades e das hierarquias
                Outra dicotomia com a qual guardo significativa distância é expressa na sua frase: “Hoje temos acesso a tudo, mas sabemos cada vez menos distinguir uma coisa da outra”. Nosso problema seria então ter perdido as formas conhecidas de mediação, de hierarquização. Digo perdido porque seria absurdo acharmos que na internet não se inventa formas de julgar o que é bom, o que deve ser lido e visto e o que não deve, o que não significa que essa mediação é melhor que outras. De um modo geral, um grande esforço das grandes corporações da mídia é manter na internet a mesma partilha e a mesma mediação de outros meios. Por isso, as Tvs disponibilizam seus programas no Youtube, investem em sites e proíbem que em uma novela para adolescentes se diga Facebook. Mas o que é perturbador -  para eles - é que as redes sociais tem pautado os mediadores tradicionais. [1]
                Uma das separações/hierarquizações que propões é a separação escola/internet e esta, meu caro, é falaciosa. Há uma inevitável complementaridade, tanto para alunos como para professores. Como professor, não imaginas como é prazeroso citar o Bill Viola, a Marcela Levi ou Leminski em uma aula na Baixada Fluminense e, na semana seguinte, descobrir que as imagens e sons foram baixados, vistos e discutidos pelos alunos.  Da mesma maneira, vejo meus filhos utilizando a internet para as maiores bobagens do mundo, ao mesmo tempo em que trocam partituras, compartilham reflexões, escrevem sobre futebol. Certamente não são conteúdos dos mais relevantes, mas definitivamente estão longe de ter com a internet uma relação passiva em que ela apenas entrega o que já conhecem. Se colocas que a escola é transmissão, regra e trabalho, enquanto que a internet é prazer, futilidade e repetição, perdemos o melhor dos dois mundos, uma vez que a educação e a cultura não estão nem em um nem em outro, mas em redes que estamos sempre nos esforçando para formarmos para nós, nossos filhos ou alunos. Redes que passam justamente pelas potências do outro, da diferença, de o que já inventamos em tantas áreas do saber, e essas redes, decisivas para os processos subjetivos e para uma comunidade mais rica, estão na escola, na rua ou na internet. Tendo ainda a acreditar que a democratização da internet não passa então apenas por um pluralismo discursivo: cada um em um canto falando e se expressando livremente.  A rede aqui é constitutiva de uma força nas maneiras de ser e sentir que formam comunidades e práticas que não são muito rapidamente transformadas em discursos. Separar a escola da internet, como se houvesse uma oposição, parece, antes, configurar uma nostalgia de uma centralidade ou de uma hierarquia pré-constituída, independente de qualquer práxis. A escola se torna assim uma metáfora para uma nostálgica de uma era em que os mediadores e artistas tinham seus lugares garantidos pelo estado, pelo mercado ou, na pior das hipóteses, pela mídia que atendia ao estado e ao mercado.
                A escola como metáfora é uma negação da literatura, justamente. Como nos apontou Rancière, a literatura se inventa como uma revolução poética em que se quebra a separação entre aqueles que faziam parte da história e os outros  - as pessoas comuns – que não tinham a vida reconhecida como dignas de serem contadas. [2] A escola como fato não traz em si nenhuma garantia, pelo contrário, ela é freqüentemente a forma de não se fazer política, de garantir que aqueles que não devem fazer parte da vida pública do país continuem não fazendo. As formas de modelização dos processos subjetivos são as mais diversas, na escola, na universidade, no consumo, na mídia e na auto-exposição, em todos esses lugares, os embates são cotidianos. Vou novamente lembrar do Rancière que, graças às tuas referencias, nos acompanha aqui:  A política se faz quando aqueles que são expulsos pela porta entram pela janela. “Isso é a política: encontrar uma maneira de fazer o que não era esperado que fizéssemos, estar lá onde nós não deveríamos estar. Sem isso, não há política.” [3]
                A defesa da exceção, como bem sabes, não pode se dar no sentido de se negar a possibilidade de um sujeito qualquer se proclamar artista. Essa é uma cara invenção do século XX, lá do seu início, e da qual ainda não tiramos todas as conseqüências. Pelo contrário, recentemente o presidente da França, Nicolas Sarkozy, declarou a necessidade de “redirecionar as ajudas em direção à excelência artística”, buscando formas mais claras de avaliar a diferença entre o bom e o mau artista, em uma evidente nostalgia da grande arte e dos critérios estáveis em que as formas de fazer estavam separadas das formas de ser. [4] Em nome da ordem e de critérios que hierarquizem quem deve ou não ser lido, a melhor opção não é optar pela abolição da democracia que, como bem nos explica, ainda, o Rancière, é necessariamente escandalosa, pois o sujeito sem nenhum título, que não é nem o mais rico, nem o mais inteligente, nem o mais premiado, ainda assim, continua fazendo diferença na comunidade.

    Capitalismo de excessos
                Mas, voltemos às megacorporações, estas são efetivamente uma questão importante para pensarmos as formas de produção de valor hoje. Argumentas que elas são as principais interessadas na fragilização das leis dos direitos autorais e para isso marcas uma oposição do capitalismo do século XIX, que formula a noção de direitos autorais, e o capitalismo contemporâneo. A bem da verdade, antes de tudo o capitalismo. Pois, eu não faria uma oposição tão dura entre dois mundos: aquele em que os direitos autorais eram “bem vindos” e esse mundo do capitalismo informatizado. Vale lembrar um artigo brilhante da antropóloga Manuela Carneiro da Cunha em que ela discute a propriedade intelectual indígena e diz o seguinte:  “Na verdade, desde seu surgimento na Grã-Bretanha no início do século XVIII, os direitos autorais - os primeiros direitos de propriedade intelectual surgidos no ocidente - não foram instituídos para proteger os autores, e sim o monopólio de editores londrinos, ameaçados por edições piratas feitas por escoceses”[5]. Também esses - os editores ingleses - não eram produtores. Seria um equívoco cairmos na oposição que coloca interesses corporativos do capitalismo contemporâneo de um lado e autores de outro. As disputas corporativas não são nada recentes e se os autores são a parte frágil, como colocas, isso definitivamente não começou hoje.
    O caso dos roteiristas brasileiros, que citas, é efetivamente exemplar. Eles exigem direitos autorais não para as cópias de um roteiro eventualmente vendido na internet ou nas livrarias, mas um direito que deve ser pago em cada sessão de cinema. Ora, vai aí uma compreensão muito equivocada do que é o cinema. Um roteiro em um filme não existe sem atores, montagem, fotografia, música, som, direção de arte, etc. A demanda dos roteiristas é descabida por que se tal lógica for levada a sério a prática cinematográfica se inviabilizaria, uma vez que todos esses profissionais teriam, também, que receber direitos autorais, todos eles trabalham com suas competências técnicas e artísticas e, na maioria dos casos, são pagos por isso.
                Ficamos com a questão, como defender a obra sem que se faça uma defesa do autor no sentido do proprietário alienado do mundo, sem deveres e apenas com direitos, como coloca o Godard. Como defender a exceção da obra sem trazer junto a exceção da fruição? O autor não pode defender o seu direito de ganho, com sua obra que vem sendo compartilhada indiscriminadamente, usando como justificativa os poderes mais danosos; a indústria médica que segura as patentes mesmo depois de ter efetivado seus ganhos ou o próprio Google que mantém seus códigos fechados.
                O risco, ainda, é usarmos a lógica das grandes corporações industriais para pensar Google ou Facebook, isso me parece um equívoco. O embate pela democracia e pela diferença que fazemos com essas corporações é muito diferente daqueles que tantos continuam fazendo com a Ford ou com O Globo. Isso não quer dizer que estamos em um mundo melhor ou que o capitalismo pós-industrial é menos nocivo que o capitalismo do século XIX - obviamente ainda muito forte. Mas, certamente não são as mesmas armas. Assim, diria que outra distinção carece de ênfase em teu artigo. A internet não é o Google e o Facebook. Se os filmes não são disponibilizados pelo Youtube, eles são disponibilizados por outras redes. Se os livros não são digitalizados pelo Google, eles são trocados por estudantes que acham importante não se submeterem a todas as regras das editoras. O Rancière, por exemplo, você deve ter lido em francês. Como ter acesso a esses textos no Brasil? Como defender a lógica que faz com que livros esgotados de autores mortos não possam ser reeditados por que a família não autoriza ou por que a editora que detém os direitos não tem interesse em reeditar? O Rancière mesmo protagonizou uma situação bastante ilustrativa da situação. Uma revista acadêmica brasileira, distribuída gratuitamente, pediu e obteve sua autorização para a tradução e publicação de um artigo. Quando cientes do caso, os editores franceses do livro onde esse artigo aparece, avisaram a universidade brasileira que o artigo não poderia ser publicado, depois de muito trabalho acabaram liberando apenas para a versão impressa, mas não para a internet. Nada mais anacrônico. O que fazer nesse caso? Respeitamos o autor, os editores da revista acadêmica e o público brasileiro e colocamos o artigo na internet ou obedecemos Berna e a OMC e mantemos o artigo restrito aos poucos leitores que terão acesso à revista em papel?
                Mesmo se a internet não é o Facebook, ele está aí com toda sua força, vendendo nossas formas de vida, vendendo nossa produção subjetiva – muito mais que nossa privacidade! Essa é a lógica do capitalismo hoje. Mas, se o que o capitalismo hoje tem para vender são nossas formas de inventar a vida, seria excessivamente redutor acreditarmos que tudo que inventamos é capitalizável, que nada escapa e que tudo se transforma em mercadoria. Se essas megacorporações fazem parte das formas contemporâneas de modular as forças vitais, eu tenderia a achar que há modos de engajamento e criação que se forjam com essas redes e que em muito as transcendem. O que estamos constantemente vendo é o contrário de sua apocalíptica conclusão. Somos estimulados – é verdade – à produção, o mundo parece por vezes hiperacessível, com poucas barreiras entre nós e os mais diversos poderes, o que é deveras cansativo, mas essa vida que se dá com as redes não é o privado nem algo recôndito até então trancado a sete chaves, mas formas de estar no mundo que podem ser mais democráticas, estéticas e políticas – sem garantias, é verdade.

    A obra é uma fase, não é o fim

                As obras não estão em risco. O cinema é um exemplo disso, seja nos filmes fortemente interessados no outro, como os dois que acompanham a edição para assinantes desse mês da Piauí – Avenida Brasília Teimosa e O Céu sobre os ombros -, seja em obras onde o autor efetivamente está no centro, como no filme da Flavia Castro, Diário de uma busca, em cartaz nesse momento. Assim meu caro, compartilho contigo a preocupação com as obras, com o que elas trazem de desordem às formas como as estéticas e as possibilidades sensíveis dos sujeitos e das comunidades estão organizadas. É com essa perspectiva que a obra ou o autor não são o fim, mas parte de processos que os ultrapassam, parte da própria transformação da comunidade. Nosso problema é o que constrange a existência das obras e da presença que elas podem ter na comunidade, nesse sentido acho que nosso problema é menos o Google que a falta de acesso universal à banda larga, nosso problema é menos o Facebook que a política restritiva dos direitos autorias baseadas no acordo de Berna, nosso problema é menos a especularização do universo privado do que as estratégias que tentam estancar e empobrecer os processos de subjetivação coletiva; processos esses que se fazem com a escola, com a internet e com obras que já se desdobram em outras obras.

    Meu abraço
    Cezar Migliorin   






    [1] Sobre essa questão vale ver o artigo de Ivana Bentes: Adeus aos Críticos? Jornalismo cultural e crise dos mediadores

    www.trezentos.blog.br/?p=6468
    [2] Rancière : Et Tant pis pour les gens fatigues. p. 578.
    [3] Rancière :  Moments Politique, p. 215.
    [4] Esse caso é narrado por Maurízio Lazzarato em Expérimentations Politiques, p. 157
    [5] Manuela Carneiro da Cunha, Cultura com aspas p. 368
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