Quem é o comitê gestor que decide que não haverá "fortalecimento da
pesquisa e da inovação" nem verba para "Aperfeiçoar a capacitação
profissional do setor audiovisual", como indicam os objetivos e
diretrizes do Fundo:
18 de mai. de 2012
Fundo Setorial do Audiovisual
Fundo setorial do Audiovisual *
Objetivos:
• fortalecimento da pesquisa e da inovação
Diretrizes:
• Aperfeiçoar a capacitação profissional do setor audiovisual
Muito dinheiro sem atender todos os objetivos e diretrizes que estão na lei.
----
*Lei Nº 11.437, de 28 de dezembro de 2006, e regulamentado pelo Decreto
nº 6.299, de 12 de dezembro de 2007- Fundo Nacional de Cultura (FNC).
1 de abr. de 2012
um debate fora do lugar
O debate em torno
da ditadura tem me impressionado muito, efetivamente. Hoje, depois de tudo o
que aconteceu, depois do desastre social, cultural, educacional, político e
civil que representou a ditadura, me sinto absolutamente desconfortável em ter
que pensar a ditadura como se ela tivesse tido algum papel, alguma
legitimidade. Para mim, não é possível naturaliza a possibilidade do que
aconteceu. Qualquer manifestação que tente resgatar “aspectos positivos” acaba
se engajando no absurdo, acaba colocando a ditadura como se fosse uma outra
possibilidade ao estado de direito. Assim, o que me parece inacreditável é que
tenhamos que estar aqui lembrando que a ditadura não é uma possibilidade, não
interessa o que eu acho da Dilma, do Fernando Cardoso ou de um general
qualquer. Não interessa. Ou negamos a possibilidade da ditadura ser "um
possível" ou vamos ter que entrar no mérito do: "será que vale a
pena?". O que é inacreditável é ver uma certa adesão ao discurso dos
ex-torturadores que pretendem recolocar a ditadura como uma possibilidade entre
outras.
24 de mar. de 2012
Cacá Diegues e o MinC
Meu querido Cacá, fico com pena, ainda, quando vejo um artigo teu tão equivocado.
Talvez não te interesse que a reforma dos direitos autorais tenha sido comprometida com a atual gestão do MInC.
Talvez não te interesse que o DOC TV, exemplo de democratização da produção audiovisual, esteja parado há mais de 15 meses.
Talvez não te interesse que nenhum edital para ponto de cultura tenha sido feito.
Talvez, talvez não te interesse a recentralização da cultura nos grandes produtores e nos grandes centros.
Talvez não te interesse o conformismo das praças pré-moldadas do PAC.
Talvez não te interesse as infâmias desse ministério a favor do ECAD e das "indústrias criativas".
Apenas mais um detalhe do teu artigo. Professor universitário sou eu,
já o Viveiros, a Suely e a Manuela são, além de professores
universitários, dos intelectuais mais importantes e engajados que
existem no país e no mundo.
http:// sergyovitro.blogspot.com.br/ 2012/03/ cultura-e-alma-de-um-povo-caca- diegues.html
16 de mar. de 2012
Cinema Brasileiro no Glaucio Gill - Copacabana
Caros,
Fred Benevides e eu estamos oferecendo um curso sobre o
cinema brasileiro contemporâneo no Teatro Glaucio Gill em Copacabana.
Na próxima terça teremos a segunda aula em que discutiremos
a introdução do livro do Ver e Poder, de Jean Louis Comolli, escrita por Ruben
Caixeta e César Guimarães. (link)
Trabalharemos também a ideia de superfície como um método
para nos aproximarmos do cinema. Utilizaremos para isso o primeiro capítulo do
Livro Mil Platôs de Deleuze e Guattari.
As aula acontecem às terças entre 15:00 e 18:00.
Quem ainda não se inscreveu deve mandar um mail para: cinemabrasileirouff@gmail.com
Abraços
28 de fev. de 2012
Carnaval no Rio
Impressiona
que no sambódromo, o povo que pagou muito caro para sentar nas duras
arquibancadas para assistir os famosos andando livremente entre os camarotes e
a pista e os ricos nas frisas, aplaudam com entusiasmo o arquiteto autor de um
projeto completamente estratificado que impossibilita o próprio carnaval.
22 de fev. de 2012
Só há realismo no engajamento.
A historinha é assim.
Estava lendo um artigo de um historiador sobre um fato bastante específico da literatura brasileira nos anos 10 (sec.XX). Eu não conhecia nenhum dos personagens, nenhuma das casas de edição, nenhum dos livros citados. Claro, estava mergulhado em minha ignorância, mas ao mesmo tempo que o artigo levantava documentos e microhistórias, tudo ali poderia ser uma narrativa falsa, que apenas se pretendia verídica. Entretanto, num dado momento, o artigo deixava de elencar dados e fatos e fazia uma leitura política de uma passagem. De alguma maneira o artigo se colocava, ou seja, se engajava no presente com o que a história lhe trazia.
O realismo tomava concretude, não pela veracidade dos fatos, mas pela relação com o presente, pela tomada de um ponto de vista. O que havia de real era um desejo de mundo, independente da veracidade do que permitia aquele desejo de mundo.
Engajamento é uma conexão do corpo, da linguagem, da práxis, com o presente. Realismo é o que se constitui nessa relação. (ah se fosse tão fácil :) )-
Estava lendo um artigo de um historiador sobre um fato bastante específico da literatura brasileira nos anos 10 (sec.XX). Eu não conhecia nenhum dos personagens, nenhuma das casas de edição, nenhum dos livros citados. Claro, estava mergulhado em minha ignorância, mas ao mesmo tempo que o artigo levantava documentos e microhistórias, tudo ali poderia ser uma narrativa falsa, que apenas se pretendia verídica. Entretanto, num dado momento, o artigo deixava de elencar dados e fatos e fazia uma leitura política de uma passagem. De alguma maneira o artigo se colocava, ou seja, se engajava no presente com o que a história lhe trazia.
O realismo tomava concretude, não pela veracidade dos fatos, mas pela relação com o presente, pela tomada de um ponto de vista. O que havia de real era um desejo de mundo, independente da veracidade do que permitia aquele desejo de mundo.
Engajamento é uma conexão do corpo, da linguagem, da práxis, com o presente. Realismo é o que se constitui nessa relação. (ah se fosse tão fácil :) )-
19 de fev. de 2012
Fechando as abas do firefox - a semana
1 - LANA DEL REY-VIDEO GAMES
Tudo bem, todo
mundo deve conhecer, mas acabei de descobrir e gostei. Pop, brega, fica tocando
aqui e me deixa contente.
2 - Occupy: Rediscovering the General Will in Hard Time
by Nick Couldry and Natalie Fenton
Artigo interessante de dois ingleses sobre ocuppy – na Inglaterra. Economia e papel da universidade em questão.
http://www.possible-futures.org/2011/12/22/rediscovering-the-general-will/
3 - Um grande momento dessa semana.
Mais de uma hora com Félix Guattari. O engajamento é tocante e a delicadeza inspiradora.
http://www.youtube.com/watch?v=aleBHgDS-Qg&feature=related
4 - Perguntei no Twitter: E hoje, o que os psicanalistas tem a falar sobre o mundo, sobre o presente.
Simone Pereira de Sá me disse: veja o MD Magno
Ai está http://www.youtube.com/watch?v=Nva48aI7030
5 - Talvez o mais importante livro sobre política que eu tenha lido.
Aqui o Marc Ngui faz um ensaio de desenhos em torno dos parágrafos do primeiro capítulo. Belo desafio. Não me dediquei ao desenho a ponto de julgar a pertinência, mas os desenhos são bonitos e o livro merece esse experimento.
http://www.bumblenut.com/drawing/art/plateaus/index.shtml
6 Doc sobre a política para o cinema no Brasil, realizado pelo Arthur Autran.
É ótimo ver essas pessoas contando essa história.
http://vimeo.com/32374308
7 - Momento choque.
Matéria antiga com Fátima Toledo, preparadora de atores.
Se cinema é isso, prefiro a poesia de uma linha de montagem.
http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-28/questoes-de-interpretacao/como-nao-ser-ator
8 - Fala de Bernard Stiegler.
Não vi. Vou com cuidado, normalmente ele adere a ‘está tudo dominado” que me desagrada, mas o cara é forte.
http://www.youtube.com/watch?v=7PC-WDHxXU0&feature=related
9 – E, lista das
assinaturas contra a inclusão dos reality-shows nas cotas da lei que regula os
canais pagos de TV.
Assinou?
18 de jan. de 2012
Editais SAV/Minc, nos detalhes as opções mais conservadoras
Os editais para cinema e audiovisual lançados no final de dezembro vieram em
boa hora. Depois de um ano de transição, começar o ano de 2012 com novas
perspectivas é alvissareiro. Entretanto, gostaria de apontar duas questões que
não comprometem de forma definitiva os editais, mas explicitam os problemas do
MinC e da SAV atualmente.
Antes de expor essas críticas, é importante lembrar que no processo de
elaboração dos editais o conselho da SAV não foi consultado e a consulta
pública não deixou memória nenhuma. Ao pedir para a SAV o texto apresentado
para a consulta e a memória das contribuições recebi a seguinte resposta:
“Os textos dos editais disponibilizados na
página da SAv para o recebimento de sugestões, eram semelhantes ao material que
seria posteriormente publicado no Diário Oficial da União. As contribuições
enviadas foram analisadas e atendidas dentro das possibilidades legais.
Após
o término do prazo para o recebimento das sugestões (28 de setembro), os
conteúdos foram retirados do site.”
Ou
seja, aparentemente pouca coisa mudou e, bem mais grave, não há memória do
processo.
Em relação ao edital, a primeira surpresa foi com o edital para longas-metragens
que restringe os filmes a 70 minutos, que, como sabemos, não faz um longa. O
que parecia ser um erro na escritura do edital era, na verdade, uma manobra, ou
como disse a secretaria: “Essa foi a saída legal para darmos continuidade ao
Programa de Editais com os BOs.”
Essa gambiarra jurídica, para poder conseguir verba com o FNC e com Incentivo
Fiscal, apenas explicita a fragilidade institucional e de gestão de um
ministério que, depois de um ano, não conseguiu verba para fazer a política
mais simples e tradicional que se faz todo ano. Assim, é louvável que o edital
tenha acontecido, mas como aceitar um edital de longas que não contempla longas-metragens?
O problema se torna mais flagrante com essa cláusula do edital: “O apoio aos
selecionados está condicionado à existência de disponibilidade orçamentária e
financeira, constituindo sua aprovação no presente edital mera expectativa de
direito.” Ora, trata-se então de um edital que não necessariamente será pago?
Por melhores que sejam as intenções da SAV, trata-se de uma afronta aos
profissionais que trabalharão para que seus projetos sejam aprovados sem
garantias de que, uma vez selecionados, terão direito às verbas.
O mais sério de todos os problemas, entretanto, diz respeito às opções
políticas e estéticas presentes nos editais. As opções são centralizadoras,
elitistas e desconhecem, ou desconsideram, as formas contemporâneas de produção
e os modos que boa parte do cinema e do audiovisual brasileiro se organizou nos
últimos anos, em sintonia com um momento singular do mundo no que diz respeito
às possibilidades econômicas, políticas e tecnológicas.
1 – Só o desejo de privilegiar os maiores produtores justifica que o primeiro
aporte de verba do MinC para documentários seja um edital para 5 projetos de
500 mil reais, mais 100 mil em contrapartidas. Tal opção ignora os resultados
das quatro edições do Doctv, projeto que realizou em cada edição pelo menos um
filme por estado em parceria com a TV Brasil (1) e com resultados estéticos e
econômicos impactantes. Menos do que reivindicar o DocTv, ou um futuro FicTv,
para filmes de ficção, esse edital despreza um histórico de sucesso e um
contexto que demanda descentralização e democratização. Seria importante que o
MinC justificasse essa opção.
2 – Os editais para longas e curtas definem os formatos que as imagens devem
ser captadas, ignorando que a atenção deve ser dada ao formato de exibição.
Esse sim definirá tecnicamente as possibilidades de circulação dos filmes. Um
filme captado em celular ou com imagens retiradas do Youtube, como o recente Fragmentos de uma Revolução ganhador do
FórumDOC 2011 ou como o filme de Harun Farocki, como o mesmo nome, não seriam
permitidos pelo edital. Novamente, trata-se de privilegiar um modelo de
produção em que o “padrão de qualidade” é mais importante que a qualidade, a
criação, o filme. Essa opção, novamente, tende a centralizar a produção e
elitizar os proponentes e em nada contribui para o cinema nem estética nem
economicamente.
3 – O edital para longas traz uma distinção importante entre estreantes e
veteranos, entretanto erra ao definir o que seria um estreante. Segundo o
edital, apenas diretores que já tenham “assinado a direção de pelo menos 3
(três) obras audiovisuais, dentre curtas-metragens de ficção finalizados em 16
mm, 35 mm ou fita HDCAM, séries e/ou documentários para televisão” estariam
aptos a concorrer. Isso significa que aqueles que fizeram curtas em outros
formatos digitais ou um ator que atuou em 10 longas, não seriam habilitados
como proponentes. Trata-se de, por um lado, uma opção pela centralidade
dos grandes formatos, por outro um desconhecimento da própria formação de um
diretor que, muitas vezes, acontece na prática com outras artes ou na prática
de outras funções, no próprio cinema. Para defender certos diretores o edital
acaba prejudicando o cinema.
4 - Parece
importante ainda que a SAV justifique o edital para roteiristas dentro de uma
política para o cinema brasileiro. Se o objetivo são os filmes, por que não
ampliar para projetos de filmes em geral, o que frequentemente parte de
produtoras e coletivos. Esses projetos não necessariamente partem do roteiro.
Tal como está, o edital para roteiros é importante, mas define excessivamente
um formato de obra.
O mesmo
acontece com relação ao roteiro no edital de “longa”, em que são pedidos
roteiros de no mínimo 70 páginas. Tal opção é injustificável. Seguindo que
padrões a SAV entende que um roteiro de longa precisa ter no mínimo 70 páginas?
Poderíamos refazer a história do cinema com filmes decisivos que não chegavam
perto disso. Novamente, o incentivo à produção torna-se um incentivo a um
formato decidido pela SAV e baseado em um sistema de produção que pouco fala
sobre grande parte do que acontece no país hoje.
É preciso ressaltar que trago aqui minha preocupação em relação aos editais,
mas, sobretudo, em relação ao que o MinC e a SAV tem feito. Acreditamos na
necessidade de uma secretaria forte e que seja efetivamente propositora de uma
política para o cinema e para o audiovisual no Brasil, pautada pelo crescimento
do mercado, pela qualidade das obras e pela democratização da produção e do
acesso. O que estamos apontando aqui é que os editais, por mais importantes que
sejam, estão repletos de opções que não contemplam esses princípios.
-----
(1)
Importante,
por Max Eluard: O programa teve 4 edições no Brasil e apenas na última que a tv
brasil entrou como parceira. Na verdade a emissora parceira do doctv desde sua
gênese foi a tv cultura, pode parecer um detalhe apenas, mas é
importante salientar que o minc (do pt) logrou uma importante articulação com a
tv pública de sp (do psdb) em prol da produção independente nacional e mais, se
associava às tvs públicas de todos os estados brasileiros, independentemente do
partido. Isso aponta para uma política pública voltada ao estado e não para o
governo.
Ps. Essas notas forma feitas com o auxílio de várias pessoas que nas
redes sociais discutiram o assunto.
Agradeço ao Mauro Reis pela leitura e sinalizações.26 de dez. de 2011
A cidade e a exclusão
Duas manchetes do Globo de hoje (27.12), como
se fossem fatos isolados.
1 - Rio, uma cidade em movimento. Projetos e investimentos põem o Rio no caminho para a transformação
2 - Favelas cresceram mais no interior do RJ do que na capital. Aumento foi de 121%; só em Macaé, são 36.233 vivendo em comunidade.
1 - Rio, uma cidade em movimento. Projetos e investimentos põem o Rio no caminho para a transformação
2 - Favelas cresceram mais no interior do RJ do que na capital. Aumento foi de 121%; só em Macaé, são 36.233 vivendo em comunidade.
23 de dez. de 2011
A questão da Habitação - Engels 1873
"Na realidade, a burguesia tem apenas um método para resolver à sua
maneira a questão da habitação — isto é, resolvê-la de tal forma que a solução
produza a questão sempre de novo. Este método chama-se «Haussmann».
Por «Haussmann» entendo não apenas a maneira especificamente bonapartista do Haussmann parisiense de abrir ruas compridas, direitas e largas pelo meio dos apertados bairros operários e de guarnecê-las de ambos os lados com grandes edifícios de luxo, com o que se pretendia não só atingir a finalidade estratégica de dificultar a luta nas barricadas mas também formar um proletariado da construção civil especificamente bonapartista e dependente do governo e transformar a cidade numa pura cidade de luxo. Por «Haussmann» entendo também a prática generalizada de abrir brechas nos bairros operários, especialmente nos de localização central nas nossas grandes cidades, quer essa prática seja seguida por considerações de saúde pública e de embelezamento ou devido à procura de grandes áreas comerciais centralmente localizadas ou por necessidades do trânsito, tais como vias-férreas, ruas, etc. O resultado é em toda a parte o mesmo, por mais diverso que seja o pretexto: as vielas e becos mais escandalosos desaparecem ante grande autoglorificação da burguesia por esse êxito imediato mas... ressuscitam logo de novo em qualquer lugar e frequentemente na vizinhança imediata."
Por «Haussmann» entendo não apenas a maneira especificamente bonapartista do Haussmann parisiense de abrir ruas compridas, direitas e largas pelo meio dos apertados bairros operários e de guarnecê-las de ambos os lados com grandes edifícios de luxo, com o que se pretendia não só atingir a finalidade estratégica de dificultar a luta nas barricadas mas também formar um proletariado da construção civil especificamente bonapartista e dependente do governo e transformar a cidade numa pura cidade de luxo. Por «Haussmann» entendo também a prática generalizada de abrir brechas nos bairros operários, especialmente nos de localização central nas nossas grandes cidades, quer essa prática seja seguida por considerações de saúde pública e de embelezamento ou devido à procura de grandes áreas comerciais centralmente localizadas ou por necessidades do trânsito, tais como vias-férreas, ruas, etc. O resultado é em toda a parte o mesmo, por mais diverso que seja o pretexto: as vielas e becos mais escandalosos desaparecem ante grande autoglorificação da burguesia por esse êxito imediato mas... ressuscitam logo de novo em qualquer lugar e frequentemente na vizinhança imediata."
22 de dez. de 2011
Eleições no Egito - 3 candidatos
Por conta do alto índice de analfabetismo, cada candidato tem um símbolo. Esse símbolo é sorteado. Alguns deixam o símbolo bem pequeno no cartaz, outros se identificam e o exploram, com o é o caso do rifle.
O candidato com o boné tem na testa a marca de um muçulmano praticante, uma espécie de calo causado por tanto se tocar a testa no chão durante a reza. A marca é muito comum no Egito.
A primeira candidata é a mais intrigante. Uma imagem sem imagem.
21 de dez. de 2011
Tv no Brasil, Tv no Egito
No Egito as restrições aos meios de comunicação sempre foram muito
grandes no regime de Mubarak. Hoje, críticos à junta militar são julgados e
condenados.
Ao mesmo tempo, a TV do hotel baratinho tem 500 canais. No domingo
a noite 11 filmes originalmente falados em árabe eram transmitidos
simultaneamente.
Na nosso caso, a liberdade de expressão na televisão é regida por um mercado monopolista e elitista, em muitos casos pior que o de uma ditadura.
Na nosso caso, a liberdade de expressão na televisão é regida por um mercado monopolista e elitista, em muitos casos pior que o de uma ditadura.
18 de dez. de 2011
Último dia em Tahrir
Estive hoje novamente na Praça Tahrir. Uma despedida. Amanha retono ao Brasil.
A Praça tem as marcas dos embates de ontem. A policia
queimou as barracas dos muitos que estavam acampados, o chão da praça est'a
cheio de pedras e com muitas pessoas circulando com feridas ou com capacetes de
obra.
Ao mesmo tempo, algum engraxam seus sapatos, os
vendedores de camiseta que homenageiam a revolução continuam ali e o comercio est'a aberto.
Rua fechada em frente ao palácio do primeiro ministro.
O embate pesado acontece 400 metros mais a frente,
onde a policia bloqueou a rua com enormes blocos de concreto para impedir que
os manifestantes recuperem a rua do palacio no primeiro ministro.
Impressiona a calma nas proximidades da praça, mas,
mais do que isso, impressiona a massa de gente diante dos blocos de concreto.
Essa 'e a segunda barreira de concreto que a
policia faz para impedir uma ligação direta entre a praça e os principais
prédios do governo.
Como disse um rapaz que me deu uma carona hoje.
Quando eles construirem umas cinco barreiras dessa, eles não terão como sair de
la e dai derrubaremos a junta militar.
4 de dez. de 2011
5 x Favela - agora por nós mesmos e Avenida Brasília Formosa: da possibilidade de uma imagem crítica
As favelas são parte da disputa estética e política na cidade. Uma disputa que se faz em torno do descontrole das potências vitais que ali se forjam. Privilegiamos neste artigo os filmes 5 x Favela - agora por nós mesmos (Cacá Diegues – prod., 2010) e Avenida Brasília Formosa (Gabriel Mascaro, 2009) e com eles investigamos as possibilidades críticas, de escrituras e projetos, que operam no horizonte biopolítico do capitalismo contemporâneo.
--
Artigo publicado na Revista Devires (segue)
3 de dez. de 2011
Internet democrática e sem nostalgia
Artigo publicado no jornal O Povo, de Fortaleza.
Internet democrática e sem nostalgia
Alguns dirão: antes da internet a crítica estava reprimida. Ou seja, havia uma massa de críticos e pensadores escrevendo e pensando sobre arte, cultura e política e, com a internet, encontraram um espaço de publicação.
( segue )
Internet democrática e sem nostalgia
No atual debate sobre a
crítica e a forma como a internet aparece como espaço em que novas
mediações são inventadas, gostaria de refletir sobre três pontos
relevantes para entender o que acontece com a crítica e a produção de
conhecimento com a internet.
A crítica não estava reprimidaAlguns dirão: antes da internet a crítica estava reprimida. Ou seja, havia uma massa de críticos e pensadores escrevendo e pensando sobre arte, cultura e política e, com a internet, encontraram um espaço de publicação.
( segue )
14 de nov. de 2011
Em defesa da obra às obras: Carta/comentário sobre "Em defesa da obra" - Revista Piauí #62, por Bernardo Carvalho.
Em defesa da obra às obras
Carta/comentário sobre o artigo Em defesa da obra publicado na Revista
Piauí de novembro de 2011 por Bernardo Carvalho.
Prezado Bernardo,
Seu
artigo na Piauí Em defesa da obra é
importante. Trata-se de uma organização de ideias que vemos espalhadas aqui e
acolá, mas defendidas com menos brilhantismo que o seu.
Partindo
dos mesmos problemas, gostaria de pensar alguns pontos. Teu artigo parte do
princípio que os autores existem, que eles fazem obras, vivem vidas e que essas
obras e vidas são hoje disputadas pelas grandes corporações da internet que
desejam tudo publicizar e obter lucro, ao mesmo tempo em que encontram
justificativas para isso na própria lógica de exposição do universo privado e
das celebridades que atravessa a internet.
A mediação produtiva
Se
organizarmos esses problemas entre obra, direitos e internet da maneira como tu
fazes, estamos partindo do princípio que a internet – redes sociais, blogs, etc
– é apenas um meio. Ou seja, algo se produz no privado: as vidas, as obras e
todos os processos subjetivos em que os sujeitos estão engajados e, depois, em
um segundo momento, isso é exposto, se transforma em opinião ou se entrega à
lógica das celebridades. Pois, essa separação entre o lugar em que a vida se
faz e o lugar em que a vida se publiciza atravessa teu artigo e produz
desdobramentos inevitavelmente duvidosos.
Quando
nos deparamos com problemas subjetivos, econômicos e políticos em relação à
internet, me esforçaria em pensar o mundo que ela possibilita, os processos
subjetivos e políticos que ela engendra e não vê-la como um meio para
transmissão daquilo que existe.
As
vidas alterdirigidas, como as denomina a Paula Sibília no Show do Eu, não são apenas participantes da lógica das
celebridades. Felizmente acho que esse quadro não é tão simples. Diria que essa
dimensão pública da vida é freqüentemente atravessada por novas formas de
produção de comunidade, de engajamentos, de produção comum, de organização de
trabalho, de invenção coletiva, de problematização das centralidades de mediação,
de acesso e compartilhamento. Se retirarmos essa dimensão produtiva em que as
vidas estão engajadas com as obras, com os outros e com computadores em rede,
continuaremos pensando a internet como um meio em que o que acontece ali não é
produção e onde as empresas – Google, Facebook - operariam dentro da mesma
lógica de centralidade, hierarquia e exploração que os meios de comunicação
tradicionais.
Note,
por exemplo, o caso das revoluções árabes, ou dos recentes movimentos políticos
em diversos lugares do mundo. Uma coisa seria dizer: Toda a revolta estava
dada, toda reflexão estava feita e, pela internet, os grupos se organizaram.
Pois, acho que não é apenas isso. A internet não organiza o que está dado na
rua, há uma relação muito mais complexa, sem dentro e fora da internet, nesses
casos. Com a internet se possibilitou ali um modo de ser na política, também.
Não sei se me acompanhas, mas é nesse sentido que eu diria que a questão do
público e do privado precisa ser vista. Não apenas tornando público o que
estava no privado, mas produzindo-se formas de ser que transitam entre
dimensões públicas e privadas da vida, trazendo rearranjos para ambas. Uma certa
espetacularização da vida, de maneira alguma, significa que toda a vida está
espetacularizada, que ela foi consumida pela exposição. Tendo a achar que o
mistério não se desvenda de maneira tão banal. Entretanto, tens razão, estamos
diante de novas formas de colocar a vida em público, no século XX essas formas
variaram enormemente e em muitos casos foram decisivas para grandes conquistas
políticas, os movimentos das feministas e dos gays viveram essa tensão. Talvez uma parte da
inquietante presença das vidas nas redes sociais, que você chamou de
narcisismo, passe por uma profunda problematização das formas tradicionais de
representação, das formas de inscrições dos sujeitos na cidade, interrogando
esteticamente lugares de fala e possibilidades sensíveis. Definitivamente, não
eliminaria essas possibilidades para pensar o que acontece hoje nessa tensão entre
o público e o privado e, conseqüentemente, em relação à produção e a fruição
estética.
A nostalgia das centralidades e das hierarquias
Outra
dicotomia com a qual guardo significativa distância é expressa na sua frase:
“Hoje temos acesso a tudo, mas sabemos cada vez menos distinguir uma coisa da
outra”. Nosso problema seria então ter perdido as formas conhecidas de
mediação, de hierarquização. Digo perdido porque seria absurdo acharmos que na
internet não se inventa formas de julgar o que é bom, o que deve ser lido e
visto e o que não deve, o que não significa que essa mediação é melhor que
outras. De um modo geral, um grande esforço das grandes corporações da mídia é
manter na internet a mesma partilha e a mesma mediação de outros meios. Por
isso, as Tvs disponibilizam seus programas no Youtube, investem em sites e
proíbem que em uma novela para adolescentes se diga Facebook. Mas o que é
perturbador - para eles - é que as redes
sociais tem pautado os mediadores tradicionais. [1]
Uma
das separações/hierarquizações que propões é a separação escola/internet e
esta, meu caro, é falaciosa. Há uma inevitável complementaridade, tanto para
alunos como para professores. Como professor, não imaginas como é prazeroso
citar o Bill Viola, a Marcela Levi ou Leminski em uma aula na Baixada
Fluminense e, na semana seguinte, descobrir que as imagens e sons foram baixados,
vistos e discutidos pelos alunos. Da
mesma maneira, vejo meus filhos utilizando a internet para as maiores bobagens
do mundo, ao mesmo tempo em que trocam partituras, compartilham reflexões,
escrevem sobre futebol. Certamente não são conteúdos dos mais relevantes, mas
definitivamente estão longe de ter com a internet uma relação passiva em que
ela apenas entrega o que já conhecem. Se colocas que a escola é transmissão,
regra e trabalho, enquanto que a internet é prazer, futilidade e repetição,
perdemos o melhor dos dois mundos, uma vez que a educação e a cultura não estão
nem em um nem em outro, mas em redes que estamos sempre nos esforçando para formarmos
para nós, nossos filhos ou alunos. Redes que passam justamente pelas potências
do outro, da diferença, de o que já inventamos em tantas áreas do saber, e
essas redes, decisivas para os processos subjetivos e para uma comunidade mais
rica, estão na escola, na rua ou na internet. Tendo ainda a acreditar que a
democratização da internet não passa então apenas por um pluralismo discursivo:
cada um em um canto falando e se expressando livremente. A rede aqui é constitutiva de uma força nas
maneiras de ser e sentir que formam comunidades e práticas que não são muito
rapidamente transformadas em discursos. Separar a escola da internet, como se
houvesse uma oposição, parece, antes, configurar uma nostalgia de uma
centralidade ou de uma hierarquia pré-constituída, independente de qualquer
práxis. A escola se torna assim uma metáfora para uma nostálgica de uma era em
que os mediadores e artistas tinham seus lugares garantidos pelo estado, pelo
mercado ou, na pior das hipóteses, pela mídia que atendia ao estado e ao
mercado.
A
escola como metáfora é uma negação da literatura, justamente. Como nos apontou
Rancière, a literatura se inventa como uma revolução poética em que se quebra a
separação entre aqueles que faziam parte da história e os outros - as pessoas comuns – que não tinham a vida
reconhecida como dignas de serem contadas. [2] A
escola como fato não traz em si nenhuma garantia, pelo contrário, ela é freqüentemente
a forma de não se fazer política, de garantir que aqueles que não devem fazer
parte da vida pública do país continuem não fazendo. As formas de modelização
dos processos subjetivos são as mais diversas, na escola, na universidade, no
consumo, na mídia e na auto-exposição, em todos esses lugares, os embates são
cotidianos. Vou novamente lembrar do Rancière que, graças às tuas referencias,
nos acompanha aqui: A política se faz
quando aqueles que são expulsos pela porta entram pela janela. “Isso é a
política: encontrar uma maneira de fazer o que não era esperado que fizéssemos,
estar lá onde nós não deveríamos estar. Sem isso, não há política.” [3]
A
defesa da exceção, como bem sabes, não pode se dar no sentido de se negar a
possibilidade de um sujeito qualquer se proclamar artista. Essa é uma cara
invenção do século XX, lá do seu início, e da qual ainda não tiramos todas as conseqüências.
Pelo contrário, recentemente o presidente da França, Nicolas Sarkozy, declarou
a necessidade de “redirecionar as ajudas em direção à excelência
artística”, buscando formas mais claras de avaliar a diferença entre o bom e o
mau artista, em uma evidente nostalgia da grande arte e dos critérios estáveis
em que as formas de fazer estavam separadas das formas de ser. [4] Em
nome da ordem e de critérios que hierarquizem quem deve ou não ser lido, a
melhor opção não é optar pela abolição da democracia que, como bem nos explica,
ainda, o Rancière, é necessariamente escandalosa, pois o sujeito sem nenhum
título, que não é nem o mais rico, nem o mais inteligente, nem o mais premiado,
ainda assim, continua fazendo diferença na comunidade.
Capitalismo de excessos
Mas,
voltemos às megacorporações, estas são efetivamente uma questão importante para
pensarmos as formas de produção de valor hoje. Argumentas que elas são as
principais interessadas na fragilização das leis dos direitos autorais e para
isso marcas uma oposição do capitalismo do século XIX, que formula a noção de
direitos autorais, e o capitalismo contemporâneo. A bem da verdade, antes de
tudo o capitalismo. Pois, eu não faria uma oposição tão dura entre dois mundos:
aquele em que os direitos autorais eram “bem vindos” e esse mundo do
capitalismo informatizado. Vale lembrar um artigo brilhante da antropóloga Manuela
Carneiro da Cunha em que ela discute a propriedade intelectual indígena e diz o
seguinte: “Na verdade, desde seu surgimento na Grã-Bretanha no início do
século XVIII, os direitos autorais - os primeiros direitos de propriedade
intelectual surgidos no ocidente - não foram instituídos para proteger os
autores, e sim o monopólio de editores londrinos, ameaçados por edições piratas
feitas por escoceses”[5].
Também esses - os editores ingleses - não eram produtores. Seria um equívoco cairmos na oposição que coloca interesses
corporativos do capitalismo contemporâneo de um lado e autores de outro. As
disputas corporativas não são nada recentes e se os autores são a parte frágil,
como colocas, isso definitivamente não começou hoje.
O caso
dos roteiristas brasileiros, que citas, é efetivamente exemplar. Eles exigem
direitos autorais não para as cópias de um roteiro eventualmente vendido na
internet ou nas livrarias, mas um direito que deve ser pago em cada sessão de
cinema. Ora, vai aí uma compreensão muito equivocada do que é o cinema. Um
roteiro em um filme não existe sem atores, montagem, fotografia, música, som,
direção de arte, etc. A demanda dos roteiristas é descabida por que se tal
lógica for levada a sério a prática cinematográfica se inviabilizaria, uma vez
que todos esses profissionais teriam, também, que receber direitos autorais,
todos eles trabalham com suas competências técnicas e artísticas e, na maioria
dos casos, são pagos por isso.
Ficamos
com a questão, como defender a obra sem que se faça uma defesa do autor no
sentido do proprietário alienado do mundo, sem deveres e apenas com direitos,
como coloca o Godard. Como defender a exceção da obra sem trazer junto a
exceção da fruição? O autor não pode defender o seu direito de ganho, com sua
obra que vem sendo compartilhada indiscriminadamente, usando como justificativa
os poderes mais danosos; a indústria médica que segura as patentes mesmo depois
de ter efetivado seus ganhos ou o próprio Google que mantém seus códigos
fechados.
O
risco, ainda, é usarmos a lógica das grandes corporações industriais para
pensar Google ou Facebook, isso me parece um equívoco. O embate pela democracia
e pela diferença que fazemos com essas corporações é muito diferente daqueles
que tantos continuam fazendo com a Ford ou com O Globo. Isso não quer dizer que
estamos em um mundo melhor ou que o capitalismo pós-industrial é menos nocivo
que o capitalismo do século XIX - obviamente ainda muito forte. Mas, certamente
não são as mesmas armas. Assim, diria que outra distinção carece de ênfase em
teu artigo. A internet não é o Google e o Facebook. Se os filmes não são
disponibilizados pelo Youtube, eles são disponibilizados por outras redes. Se
os livros não são digitalizados pelo Google, eles são trocados por estudantes
que acham importante não se submeterem a todas as regras das editoras. O
Rancière, por exemplo, você deve ter lido em francês. Como ter acesso a esses
textos no Brasil? Como defender a lógica que faz com que livros esgotados de
autores mortos não possam ser reeditados por que a família não autoriza ou por
que a editora que detém os direitos não tem interesse em reeditar? O Rancière
mesmo protagonizou uma situação bastante ilustrativa da situação. Uma revista
acadêmica brasileira, distribuída gratuitamente, pediu e obteve sua autorização
para a tradução e publicação de um artigo. Quando cientes do caso, os editores
franceses do livro onde esse artigo aparece, avisaram a universidade brasileira
que o artigo não poderia ser publicado, depois de muito trabalho acabaram
liberando apenas para a versão impressa, mas não para a internet. Nada mais
anacrônico. O que fazer nesse caso? Respeitamos o autor, os editores da revista
acadêmica e o público brasileiro e colocamos o artigo na internet ou obedecemos
Berna e a OMC e mantemos o artigo restrito aos poucos leitores que terão acesso
à revista em papel?
Mesmo
se a internet não é o Facebook, ele está aí com toda sua força, vendendo nossas
formas de vida, vendendo nossa produção subjetiva – muito mais que nossa
privacidade! Essa é a lógica do capitalismo hoje. Mas, se o que o capitalismo
hoje tem para vender são nossas formas de inventar a vida, seria excessivamente
redutor acreditarmos que tudo que inventamos é capitalizável, que nada escapa
e que tudo se transforma em mercadoria. Se essas megacorporações fazem parte
das formas contemporâneas de modular as forças vitais, eu tenderia a achar que
há modos de engajamento e criação que se forjam com essas redes e que em muito
as transcendem. O que estamos constantemente vendo é o contrário de sua
apocalíptica conclusão. Somos estimulados – é verdade – à produção, o mundo
parece por vezes hiperacessível, com poucas barreiras entre nós e os mais
diversos poderes, o que é deveras cansativo, mas essa vida que se dá com as
redes não é o privado nem algo recôndito até então trancado a sete chaves, mas
formas de estar no mundo que podem ser mais democráticas, estéticas e políticas
– sem garantias, é verdade.
A obra é uma fase, não é o fim
As
obras não estão em risco. O cinema é um exemplo disso, seja nos filmes
fortemente interessados no outro, como os dois que acompanham a edição para
assinantes desse mês da Piauí – Avenida Brasília
Teimosa e O Céu sobre os ombros -,
seja em obras onde o autor efetivamente está no centro, como no filme da Flavia
Castro, Diário de uma busca, em
cartaz nesse momento. Assim meu caro, compartilho contigo a preocupação com as
obras, com o que elas trazem de desordem às formas como as estéticas e as
possibilidades sensíveis dos sujeitos e das comunidades estão organizadas. É
com essa perspectiva que a obra ou o autor não são o fim, mas parte de
processos que os ultrapassam, parte da própria transformação da comunidade.
Nosso problema é o que constrange a existência das obras e da presença que elas
podem ter na comunidade, nesse sentido acho que nosso problema é menos o Google
que a falta de acesso universal à banda larga, nosso problema é menos o
Facebook que a política restritiva dos direitos autorias baseadas no acordo de Berna,
nosso problema é menos a especularização do universo privado do que as
estratégias que tentam estancar e empobrecer os processos de subjetivação coletiva;
processos esses que se fazem com a escola, com a internet e com obras que já se
desdobram em outras obras.
Meu abraço
Cezar Migliorin
[1] Sobre essa questão vale ver o artigo de Ivana Bentes: Adeus aos Críticos? Jornalismo cultural e crise dos mediadores
www.trezentos.blog.br/?p=6468
[2] Rancière : Et Tant pis pour les gens fatigues. p.
578.
[4] Esse caso é narrado por Maurízio Lazzarato em Expérimentations Politiques, p. 157
[5] Manuela Carneiro da Cunha, Cultura com aspas p. 368
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