2 de ago. de 2013

O que é um coletivo?


O que é um coletivo?
Cezar Migliorin

Quando diversos grupos de cinema e audiovisual passam a se denominar coletivos, quando a Coca-Cola lança uma campanha na internet estimulando os consumidores a fazerem parte do Coletivo Coca-Cola, quando os funcionários do Ministério da Cultura avisam que irão incentivar os coletivos ou quando, em debates públicos, cineastas e artistas dizem que não aguentam mais falar em coletivos, é hora de desacelerarmos um pouco para tentar tracejar minimamente o que seja um coletivo.
Multiplicidades
Às vezes é preciso começar pelo óbvio. Um coletivo é mais que um. Certo, acho que até aí há consenso – por mais que um sujeito sozinho possa ser muitos. Entretanto, ao colocarmos assim, restam outras variáveis importantes. Um coletivo é mais que um e é aberto. Essa é uma primeira característica que evita que tratemos os coletivos como um grupo, como algo fechado; melhor seria dizer que um coletivo é antes um centro de convergência de pessoas e práticas, mas também de trocas e mutações. Ou seja, o coletivo é aberto e seria, assim, poroso em relação a outros coletivos, grupos e blocos de criação – comunidades.
Tal prática coletiva não significa que um coletivo se crie simplesmente com todos produzindo junto: ele se cria porque pessoas compartilham uma intensidade de trocas maiores entre elas do que com o resto da sociedade, do que com outros sujeitos e práticas e que, em um dado momento, encontram-se tensionados entre si. O coletivo, assim, é uma formação não de certo número de pessoas com ideais comuns, mas de um bloco de interesses, afetos, diálogos, experiências aos quais certo número de pessoas adere, reafirmando e transformando esse mesmo bloco. Um coletivo não faz unidade, mas é formado por irradiação dessa intensidade, um condensador, agregador de sujeitos e ideias, em constantes aproximações, distanciamentos, adesões e desgarramentos. Um coletivo é, assim, fragilmente delimitável seja pelos seus membros, seja por suas áreas de atuação e influência, e seus movimentos – um novo filme, um festival, uma intervenção urbana ou política – não se fazem sem que o próprio coletivo se transforme e entre em contato com outros centros de intensidade. Certo, toda criação é coletiva, quando criamos estamos em diálogo; desde os gregos o indivíduo só é concebível em relação. Não há página em branco, a começar pela língua e pela própria página – invenções coletivas. Toda criação é um diferenciar-se, uma operação de montagem com o que o mundo nos dá. Entretanto, não é com tudo e com todos que estabelecemos o mesmo nível de interação e troca. Nesse sentido, um coletivo é um campo de troca privilegiado, uma concentração de encontros de intensidade distinta.
Desmesuras
Podemos ainda afirmar que, em termos de desejo, investimento, criação, um coletivo está sempre em estado de crise, uma vez que seus membros não se articulam em função de uma institucionalidade, de um contrato ou de uma posição na cadeia produtiva, mas por conta de uma afinidade que se concretiza em ações em tempos variados. Um filme, um roteiro, uma obra, uma ideia. A crise constante é assim determinada pela heterogeneidade necessária e pelas múltiplas velocidades que constituem um coletivo. E a manutenção da intensidade que atravessa um coletivo depende da possibilidade de suportar e fomentar a coabitação de velocidades distintas, presenças inconstantes e dedicações não mensuráveis em dinheiro ou tempo, uma vez que são as intensidades transindividuais que garantem a força irradiadora do coletivo. Por exemplo, um sujeito ou gesto que pouco se faz presente fisicamente pode ser decisivo para a manutenção do coletivo como intensidade de conexão com outros coletivos, forças e criações, permitindo a participação em redes que os transcendem. A instabilidade essencial de um coletivo é estabelecida por investimentos e experiências não mensuráveis, e por isso um coletivo precisa conviver com regimes de trabalho não pautados pela lógica da medida – seja ela temporal ou econômica. Você trabalhou menos que eu, você ganhou mais que Fulano, você não consertou o vazamento. Sim, às vezes a manutenção de um coletivo se assemelha àquela de uma casa. Essas acusações negam o coletivo não no “trabalhou” ou no “ganhou”, mas na insistência no você – em relação ao vazamento, como nos lembra Gilles Deleuze, todo sistema hidráulico depende da fluidez do líquido e das paredes dos canos.[1]
            Frequentemente um coletivo pode ter um líder ou um sujeito que ganha muito dinheiro ou alguém de grande destaque em sua área. Esse ponto fora da curva só se estabelece uma vez que ele entra em uma narrativa que atravessa o coletivo – o sucesso financeiro, a lógica da celebridade – e passa a operar dentro de uma hipersignificação dessa narrativa no interior do coletivo. As crises dos coletivos são, frequentemente, formas de incorporar narrativas externas – que também o constituem – sem que essas narrativas estandardizem a tensão do múltiplo que configura um coletivo. A crise se configura como um processo de desmanche da hipersiginificação das narrativas duras. A lógica do sucesso que está em tudo e hierarquiza uma empresa, uma família, uma sala de aula torna-se hipersignicante em um coletivo se ele se verticaliza e perde a intensidade de conexão. A crise torna-se uma forma de fazer o ponto fora da curva se assemelhar ao líder que Pierre Clastres descreve em seu livro A sociedade contra o Estado. Em determinada tribo estava nítida a necessidade de haver um chefe. Sua incumbência era bastante clara: como todo chefe, ele deveria falar para a tribo. Todos os dias, no mesmo horário, o chefe se deitava em sua rede e falava. Entretanto, ninguém o escutava. As crianças brincavam em volta e os adultos seguiam em seus afazeres. Se porventura um desses chefes se tornasse um orador escutado e suas palavras começassem a significar na tribo, ele logo era substituído. Lembremos ainda os lobos caçadores de Elias Canetti, citados por Deleuze:

Nas constelações cambiantes da matilha, o indivíduo se manterá sempre em sua periferia. Ele estará dentro e, logo depois, na borda, na borda e, logo após, dentro. Quando a matilha se põe em círculo ao redor de seu fogo cada um poderá ter vizinhos à direita e à esquerda, mas as costas estão livres, as costas estão expostas à natureza selvagem” (CANETTI, 1966 apud DELEUZE, 1997a: 45).
“Reconhece-se a posição esquizo, estar na periferia, manter-se ligado por uma mão ou um pé... Opor-se-á a isto a posição paranoica do sujeito de massa, com todas as identificações do indivíduo ao grupo, do grupo ao chefe, do chefe ao grupo; estar bem fundido com a massa, aproximar-se do centro, nunca ficar na periferia, salvo prestando serviço sob comando (DELEUZE, 1997a: 45).

Esse parece ser o frequente desafio dos coletivos. Quando um sai da curva, ou se torna o um desgarrado do múltiplo, é preciso inventar estratégias para que sua força pessoal retorne ao coletivo e a narrativa de um não se sobreponha ao todo. Cada linha reta, cada narrativa forte é atingida para logo ser abandonada, virar comédia no coletivo sem que a linha reta precise ser quebrada. Que o sucesso e o dinheiro não nos abandonem! Assim, quando um coletivo se dissolve, não há fracasso, a menos que a dissolução seja pela adesão a ordens que escapam às invenções do coletivo, às práticas dominantes que impossibilitarão tanto seu movimento quanto a existência dos indivíduos sós e associados, simultaneamente. O fracasso é a hipérbole da linha reta.
O coletivo pode ser formado por uma série de indivíduos que, olhando para o fogo, para alguma centralidade, trazem todo um mundo nas costas. Diferentemente das pirâmides, não é na acumulação de blocos iguais que se dará a construção de algo, mas no encontro não hierarquizado dos mundos que trazemos nas costas. E são esses mundos que nos coletivos são mediados. Quando a filtragem dos mundos se dá de maneira dura e exterior aos coletivos, ele perde o sentido.
Atualizações
Há uma pragmática dos coletivos. Eles se efetivam em ato, nas atualizações dos encontros que podem se dar das mais diversas formas: obras, filmes, seminários, livros, invenções simbólicas e econômicas. Quando destacamos o caráter processual de muitas obras feitas por coletivos, tal característica não se deve ao fato de serem eles grupos ou produtoras que se forjam apenas para a execução de algo, mas ao fato de haver, nessas obras, uma parte da intensidade de estar junto, com evidentes consequências para a estética das obras. Trabalho e vida se atualizam em obras, fundamentais em vários sentidos, mas nunca tomadas como o fim do coletivo. Estar junto, fazer, conectar, assim as obras são também contaminadas pela força do coletivo. Uma produtora produz filmes. No limite, um coletivo pode ou não produzir filmes, e se produz hoje pode deixar de produzir adiante. Quando a lógica dos coletivos ganha intensidade, para além da pura retórica conectivista ou coletivista, parece ser justamente o momento em que artistas, cineastas e documentaristas mais exploraram a ideia da obra como disparador de encontros, apostando em uma intensificação da comunidade por meio de instalações fílmicas, site specific, espacialização da música, desespecificação das artes e invenção de maneiras de ocupação do espaço. As obras são atravessadas por uma investigação em torno da organização entre corpos e imagens, normalmente não pautada por uma centralidade – roteiro, autor, artista.
            Jacques Rancière (2003) faz uma crítica veemente à grande parte da produção contemporânea em artes plásticas que opta por dispositivos relacionais e é tratada como arte essencialmente política. Rancière critica a falta de conflito e a tendência enfaticamente consensual das obras que se fiam em um “estar junto” da comunidade e em pequenos rearranjos do grupo. Assim, ele dirá que essas obras operam dentro de um regime ético – ou seja, meramente prolongando o ethos, as formas de ser da comunidade, sem comprometer a organização das partes da comunidade, aqueles que têm direito à fala e ao sensível.
            A revolução, que fica como um pano de fundo dessa crítica, efetivamente não tem lugar. Mas seria excessivamente redutor desconsiderar os efeitos micropolíticos de obras que não operam por amplas rupturas, mas são agregadoras e ao colocarem junto podem, sim, tocar o limite das harmonias possíveis quando se está em tensão com o real. Para isso, não basta estar junto, mas é preciso atualizar o contato: diferença que se encontra com a diferença. Nesse sentido, um coletivo se forja entre obras e pessoas com um braço estendido para o caos – um outro potencial.
Espaços
Como os sistemas hidráulicos, os coletivos existem atravessados por fluidez e abertura, disponíveis a novas conexões, mas ao mesmo tempo dependem de pontos fixos de convergência. Caso contrário, a dispersão impede a configuração de um ponto de tensão, de um irradiador de intensidade. Esse ponto de convergência pode ser um espaço, um ambiente em que sujeitos, ideias e dispersões – de todas as naturezas – sexuais, alucinógenas ou depressivas – encontram a possibilidade de coexistir. O espaço se constitui frequentemente como catalisador e como razão para a manutenção do coletivo, mesmo quando nada se conecta, mesmo quando as redes não se fazem ou quando pouco se materializa.
O espaço de um coletivo não é um ateliê nem um centro de negócios, mas tende a contemplar as dimensões econômicas, produtivas, criativas e festivas dos sujeitos que o constituem. Atravessado por várias ordens e presente em configurações de trabalho que não estão preestabelecidas, o espaço tende a ser ponto de convergência mas, no seu interior, a fluidez também é grande: novas paredes aparecem, outras caem; mudanças de sala, cadeiras que se deslocam de um lugar para outro, paredes abrigam ora uma imagem, ora outra, e o telhado ganha novos contornos para evitar o excesso de calor. Mesmo o espaço de convergência e consumo de comida, café e drogas tende a ser móvel, apesar de frequentemente ser aquele que resiste mais à transformação. E, claro, em algum lugar sempre há alguma infiltração ou goteira, ambas com sua beleza.
Redes
Finalmente, os últimos anos nos apresentaram um tipo de mobilização em torno do cinema e do audiovisual que traz singularidades para a história dos coletivos. Por questões tecnológicas, políticas, econômicas e subjetivas, vimos novas redes de produção e consumo se forjarem. Essas redes produziram muito e barato, baixaram filmes de todas as épocas, transformaram as políticas públicas, tensionaram o Estado, inventaram cursos de cinema e audiovisual em muitas cidades, multiplicaram os cineclubes e festivais, fizeram o audiovisual muito presente em ONGs, escolas e associações as mais diversas, inventaram revistas de crítica etc. Não se trata de valorar aqui esse processo, mas de perceber que a noção de coletivo reaparece em um contexto inalienável dessa configuração que atravessa as vidas e essas várias redes sociotécnicas. Diria, então, que uma das características dessas redes é estabelecer a conexão entre coletivos e que os coletivos aparecem como uma tentativa micropolítica de sincronia com movimentos de redes que os ultrapassam e para as quais eles são fundamentais. O coletivo é um ponto na rede e, também, ele próprio uma rede. Na construção de redes, acentradas, entre múltiplos atores em um espaço ilimitado, os coletivos aparecem como centros de concentração de ideias, pessoas, criação, forças de onde novas conexões podem sair para compor outras redes.
Uma rede não é por princípio um valor, mas é difícil pensarmos um cinema, uma arte ou uma comunicação que se forje de maneira potente e democrática e não passe pela ampliação dessas redes de pessoas, tecnologias, políticas e criações. Ser afetado por um filme, como espectador ou como produtor, é passar a fazer parte de um mundo, de uma comunidade, dessas redes sociais e técnicas. Nesse sentido, sempre houve coletivos na história das artes, mas eles existem enquanto se diferenciam no tempo, enquanto estão engajados com o que varia no presente e com as possibilidades de atualização criativa, política e subjetiva que não se repetem no tempo. Coletivos existem nos atos que afirmam o presente, em operações que não encontram resposta em outro lugar, mas nas próprias práticas.
Referências
CANETTI, Elias. Masse et puissance. Paris : Gallimard, 1966.
Clastres Pierre. A sociedade contra o Estado. São Paulo: Francisco Alves, 1978.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. São Paulo: Editora 34, 1997a. v. 1.
____. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. São Paulo: Editora 34, 1997b. v. 5.
RANCIÈRE, Jacques. Le destin des images. Paris: La Fabrique, 2003.
VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Encontros. Rio de Janeiro: Azougue, 2008.




[1] Sobre os sistemas hidráulicos, ver “Tratado de nomadologia: a máquina de guerra”, em DELEUZE e GUATTARI, 1997b.

1 de ago. de 2013

What is a collective?

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What is a collective?
Cezar Migliorin

When several cinema and audiovisual groups are named collectives, when Coca-Cola launches an internet campaign stimulating consumers to be part of the Coca-Cola Collective, when employees of the Ministry of Culture say they will give incentives to collectives, or when in public debates filmmakers and artists say they can no longer stand to talk about collectives, it is time to slow down a little and try to minimally outline what a collective is.

Multiplicities
Sometimes we must begin with the obvious. A collective is more than one. Certainly, I believe that up to this point there is a consensus even though a lone subject can be many more. Putting it this way, however, other important variables remain. A collective is more than one and is open. This is the first characteristic that prevents us from treating collectives as a group, as something closed; it would be better to say that a collective is first a center of convergence for people and practices, but also for exchanges and mutations. That is, the collective is open and porous in relation to other collectives, groups and creative blocks - communities.
Such collective practice does not mean that a collective is created simply by everyone producing together: it is created because people share an intensity of greater exchanges among themselves than with the rest of society, with other subjects and practices and that, in a given moment, find themselves strained with one another. The collective thus is a formation not of a certain number of people of common ideals but of a block of interests, affects, dialogues, experiences to which a certain number of people adhere, reaffirming or transforming this same block. A collective does not form a unit, but is formed by radiating this intensity, a condenser, aggregator of subjects and ideas in constant approximations, distances, adhesions and unattachments. A collective is thus tenuously distinguishable by its members, its areas of performance and influence, its movements - a new film, a festival, an urban or political intervention - they are not done without the collective itself transforming and coming into contact with other centers of intensity. Certainly all creation is collective, when we create we are in dialogue; ever since the Greeks, the individual is only conceivable in relation to others. There is no blank page, starting with language and the page itself - collective inventions. All creation is a differentiation, an operation, of montage of what the world gives us. However, it is not with everything and with everyone that we establish the same level of interaction and exchange. In this sense, a collective is a field of privileged exchange, a concentration of encounters of distinct intensity.

Excesses
We can still affirm that in terms of desire, investment, creation, a collective is always in a state of crisis as its members do not articulate themselves in function of an institutionalism, of a contract or a position in the production chain, but on account of an affinity that is realized in actions in varied times. A film, a screenplay, a work, an idea. The necessary heterogeneity and multiple velocities that constitute a collective thus determine the constant crisis. Keeping the intensity that crosses a collective depends on the possibility of supporting and promoting the co-habitation of distinct velocities, inconstant presences and dedications that are not measurable in money or time, as the trans-individual intensities guarantee the radiating force of the collective. For example, a subject or gesture that barely makes itself physically present can be decisive for maintaining the collective as intensity of connection with other collectives, forces and creations, allowing participation in networks that transcend them. The essential instability of a collective is established by non-measurable investments and experiences, and because of this a collective needs to co-exist with work regimens that are not ruled by the logic of measurement - be it temporal or economic. You worked less than I, you earned less than so-and-so, you did not fix the leak. Indeed, sometimes the maintenance of a collective is similar to that of a house. These accusations negate the collective not as “worked” or “earned”, but in the insistence of you - in regards to the leak, as Gilles Deleuze reminds us, all hydraulic systems depend on the fluidity of liquid and the walls of the pipes.[1]
Frequently a collective can have a leader or a subject who earns a lot of money or someone who is high profile in his or her area. This point outside of the curve is only established once it enters in a narrative that crosses the collective - financial success, the logic of celebrity - and comes to operate inside a hyper-meaning of this narrative inside the collective. The crises of collectives are frequently ways to incorporate external narratives - which also compose it - without these narratives standardizing the tension of the multiple that configures a collective. The crisis configures itself as a process of dismantling the hyper-significance of harsh narratives. The logic of success that is in everything and creates a hierarchy in a company, family, classroom becomes hyper-significant in a collective if it verticalizes and loses the intensity of connection. The crisis becomes a way of making the point outside of the curve resemble the leader that Pierre Clastres describes in his book Society Against the State. In a given tribe, the necessity for a chief was distinct. His incumbency was very clear: as all chiefs, he should speak for the tribe. Everyday at the same time, the chief would lie on his hammock and speak. However, no one listened to him. The children would play around him and the adults continued their tasks. If by chance one of these chiefs became an orator who people listened to and his words started to have meaning in the tribe, he would soon be substituted. Let us recall Elias Canetti’s hunting wolves cited by Deleuze:
In the changing constellation of the pack, in its dances and expeditions, he will again and again find himself at its edge. He may be in the center, and then, immediately afterwards, at the edge again; at the edge and then back in the center. When the pack forms a ring around the fire, each man will have neighbors to the right and left, but no one behind him; his back is naked and exposed to the wilderness.”
 (CANETTI, 1966 apud DELEUZE, 1987:37).
We recognize this as the schizo position, at the periphery, holding on by a hand or a foot...

As opposed to the paranoid position of the mass subject, with all the identifications of the individual with the group, the group with the leader, and the leader with the group; be securely embedded in the mass, get close to the center, never be at the edge except in the line of duty
” (DELEUZE, 1997a:38).

This seems to be the frequent challenge of collectives. When one leaves the curve, or becomes stray from the fold, strategies must be invented for personal force to return to the collective and the narrative of one to not overlap all. Each straight line, each strong narrative is achieved to be swiftly abandoned, to become a joke in the collective without needing to break the straight line. Here’s to success and money not abandoning us! Thus, when a collective dissolves there is no failure, unless the dissolution is for adhering to orders that escape the collective’s inventions, the dominant practices that will make their movement as impossible as the existence of single and associated individuals, simultaneously. Failure is the hyperbole of the straight line.
The collective can be formed by a series of individuals that, looking at the fire, at some centrality, bring the whole world with them on their backs. Unlike the pyramids, there is no accumulation of equal blocks that would lead to building something, but in the non-hierarchical encounter of worlds that we bring on our backs. And these are the worlds that are mediated in collectives. When filtering the worlds takes place in a harsh way that is exterior to the collectives, it loses meaning .
Actualizations
There is a pragmatic of collectives. They become effective in action, in the updates of the encounters that can take place in the most varied ways: works, films, seminaries, books, symbolic and economic inventions. When we highlight the procedural character of many works done by collectives, such a characteristic is not due to the fact that they are groups or producers that are forged only for executing a task, but the fact that there is, in these works, a part of the intensity of being together, with evident consequences for the aesthetic of the works. Work and life update themselves in works, fundamental in several senses, but never taken as the end of the collective. Being together, making, connecting, in this way the works are also contaminated by the force of the collective. A production company produces films. Within limits, a collective may or may not produce films, and if it produces them today it may not in the future. When the logic of collectives gains intensity, beyond pure connectivist or collectivist rhetoric, it seems to be exactly the moment in which artists, filmmakers and documentary filmmakers further explored the idea of work as a trigger of encounters, betting on an intensification of the community through filmic installations, site specific, spacialization of music, de-specification of the arts and invention of ways of occupying a space. Works are crossed by an investigation around organization between bodies and images, normally not ruled by a centrality - screenplay, author, artist.
Jacques Rancière (2003) vehemently criticizes a large part of contemporary visual art production that opts for relational devices and is treated as essentially political art. Rancière criticizes the lack of conflict and the emphatically consensual tendency of works that rely on a “being together” of the community and small rearrangements of the group. Thus, he will say that these works operate inside an ethical regime - that is, merely prolonging the ethos, the community’s ways of being, without compromising the organization of parts of the community, those that have the right to speaking and the sensitive.
Revolution, which remains like a backdrop to this criticism, effectively has no place. But it would be excessively reductive to disregard the micropolitical effects of works that do not operate by ample ruptures, but are accumulative and by putting together can, indeed, reach the limit of possible harmonies when one is in tension with what is real. For this, it is not enough to be together, but it is necessary to actualize contact: difference that meets difference. In this sense, a collective that forges itself between works and people with a arm stretched towards chaos - one other potential.
Spaces
Like hydraulic systems, collectives exist crossed by fluidity and openness, available to new connections but at the same time depending on fixed points of convergence. Otherwise, dispersion impedes the configuration of a point of tension, of a radiator of intensity. This point of convergence may be a space, an environment in which subjects, ideas and dispersions (of all natures: sexual, hallucinogenic or depressive) meet the possibility of coexisting. The space frequently forms as catalyst and reason for maintaining the collective, even when nothing connects, even when networks are not made or little materializes.
The space of a collective is not an art studio or a business center, but it tends to contemplate economic, productive, creative and festive dimensions of the individuals that comprise it. Crossed by several orders and present in work configurations that are not pre-established, the space tends to be the point of convergence but at its interior the fluidity is also large: new walls appear, others fall; room changes, chairs move from one place to another, walls hold one image, then another, and the roof gains new contours to avoid excess heat. Even the space of convergence and consumption of food, coffee and drugs tends to be mobile, despite frequently being what most resists transformation. And, of course, in some place there is always a leak or dripping water, both with their beauty.
Networks
Finally, recent years have presented us with a type of mobilization around cinema and the audiovisual that brings singularities to the history of collectives. For technological, political, economic and subjective reasons, we have seen new production and consumption networks forming. These networks produced a lot for a little, uploaded films from every period, transformed public policies, multiplied film clubs and festivals, made the audiovisual very present in the most varied NGOs, schools and associations, invented criticism magazines, etc. This is not about valuing this process, but realizing that the notion of the collective reappears in an inalienable context of this configuration that crosses lives and these several socio-technical networks. I would say, then, that one of the characteristics of these networks is to establish the connection between collectives and that collectives appear as a micropolitical attempt at synchrony with network movements that transcend them and for which they are fundamental. The collective is a spot in the network and also a network itself. In building networks, condensed between multiple actors in an endless space, collectives appear as centers of concentrating ideas, people, creation, forces where new connections can leave to compose other networks.
A network is not by principle a value, but it is difficult to think of a cinema, an art or a communication is forged in a potent and democratic way and does not go through the expansion of these networks of people, technology, politics and creations. To be affected by a film, as viewer or producer, is to become a part of the world, of a community, of these social and technical networks. In this sense, there have always been collectives in the history of the arts, but they exist while they differentiate themselves in time, while they are engaged with what varies in the present and with the possibilities of creative, political and subjective updating that do not repeat themselves in time. Collectives exist in the acts that affirm the present, in operations that do not find answers in other places but in their own practices.

References
CANETTI, Elias. Masse et puissance. Paris : Gallimard, 1966.
CLASTRES Pierre. A sociedade contra o Estado. São Paulo: Francisco Alves, 1978.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. A Thousand Plateau: capitalism and schizophrenia. Minneapolis: University of Minesota, 1987 ( tr. Brian Massumi.)
RANCIÈRE, Jacques. Le destin des images. Paris: La Fabrique, 2003.
VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Encontros. Rio de Janeiro: Azougue, 2008.




[1] About hydraulic systems, see “Tratado de nomadologia: a máquina de guerra” by DELEUZE and GUATTARI, 1997b.


3 de jul. de 2013

O que virá contra a truculência policial?

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Quando falamos da violência policial das últimas semana, com frequência ouvimos que não houve novidade, que a polícia sempre foi violenta.
Ok, é verdade, entretanto, essa constatação pode nos distanciar das nuances do que acontece agora.

Há muitos anos não víamos a polícia atacar manifestações como aconteceu no Rio de janeiro, em Fortaleza ou Belo Horizonte.
Qualquer adolescente que frequentou as manifestações sentiu o efeito do gás lacrimogênio e viu pessoas feridas. O que estava restrito às ações no campo ou diretamente contra os pobres, se tornou uma ação central, um modo de operar para a cidade toda, essa diferença não é irrelevante.

Essa ação da polícia não foi apenas de defesa de bens e de território, mas um ataque que fez com que o medo esvaziasse as ruas. Deliberadamente a polícia fez de todo manifestante um alvo, um agressor. Nos tornamos o inimigo a ser combatido. Se em um primeiro momento a ação policial, em São Paulo sobretudo, inflou as manifestações, o que vimos no dia da final da Copa das Confederações foi um esvaziamento, causado, também pelo medo.

Nesse ataques da polícia duas coisas se explicitaram.
Primeiramente a truculência policial foi acompanhada de uma truculência da mídia. Ou a grande impressa camuflou o que acontecia, foi o caso de Fortaleza e São Luiz, ou partiu explicitamente para a narrativa desonesta e cínica de Vândalos X pessoas de bem.

Em segundo lugar, esses ataques policiais explicitaram para todos o papel do estado na relação com a Copa do Mundo, ou mais especificamente, o papel do estado na relação com o capital. A polícia esteve intensamente presente para afastar dos estádio qualquer manifestação que exprimisse qualquer desacordo com as opções do conglomerado FIFA/Capital/Estado.

A revolta se intensificou, obviamente. Todas as instância capazes de fazer alguma mediação entre os desejos e reivindicações populares e as rumos que a Copa tomava, estavam imobilizadas, esvaziadas e abertamente contra a população.

Me parece espantoso que o governo do estado que nas últimas eleições se reelegeu com a bandeira de uma policia eficaz que diminui a violência, fora a relação que a classe media vinha estabelecendo com a polícia por conta da lei-seca, normalmente incorruptível, tudo isso tenha sido jogado no lixo para inviabilizar as manifestações.

Encerramos a Copa das Confederações com uma boa parte da sociedade revoltada com os abusos do estado, do capital e da polícia.
Quando no entorno do Maracanã no domingo, havia milhares de policiais preparados para uma guerra, a insistência dos manifestantes em se aproximar do estádio, reivindicar aquele espaço, trazia um admirável heroísmo. Difícil não se comover com esses manifestantes que não aceitavam as regras da FIFA.

Se há o desejo de manifestação e elas são inviabilizadas pela truculência, a resposta pode ser desastrosa. Já vimos no último domingo a utilização de coquetéis molotovs, gritos incessantes de assassinos para a policia. Não me ficarei surpreso com ações mais radicais dos manifestantes, reagindo ao vandalismo policial.

Com os últimos eventos, mais do que propostas irrelevantes como transformar a corrupção em crime hediondo, o estado precisa dar uma resposta à violência deles mesmos contra a população.





30 de jun. de 2013

Nossas Ferramentas para pensar as manifestações


Manifestação dessa manha no Rio foi como os bem pensantes de esquerda queriam.
Bandeiras, partidos, pessoas engajadas, vazia e inócua.
ou a política se inventa ou é destruída.
 
por que? me perguntaram alguns
Respondo:
Depois da belíssima vitória, fica mais fácil.

O que me chamou muito a atenção nas duas manifestações da semana passada foi justamente um certo mistério em relação às causas e aos meios que levaram aquela multidão ao centro do Rio.

Nos dois momentos fui absolutamente surpreendido com a quantidade de gente.
Ao meu ver havia uma novidade ali que não era explicável pelo o que conhecíamos dos movimentos e dos poderes estabelecidos.
Todas as tentativas de explicar o que acontecia a partir de causas e efeitos ou a partir de pautas moralizantes, como a corrupção, não davam conta  do que se passava.

Curiosamente, as demandas de muitos foram no sentido de exigir mais engajamento, mais politização partidária, mais discursos coesos, mais centralidade. Obviamente era um absurdo qualquer ato de violência contra as pessoas com bandeiras de partido, mas algumas bandeiras e um carro de som também me incomodavam na primeira grande manifestação.

No meu entender, as  demandas por coesão e unidade ideológica apareciam com um caráter bastante conservador, uma vez que não aceitavam a novidade mesmo do que acontecia.
Na manifestação de quinta, no Rio, a multidão era formada por jovens que sem um discurso de esquerda explícito reclamavam da elitização da Copa e pediam uma democratização dos transportes, além de serviços públicos de qualidade. Esse pessoal constituía uma verdadeira novidade na paisagem política, sobretudo na quinta quando a multidão se popularizou enormemente.
Como sabemos, essa segunda manifestação foi brutalmente perseguida pela polícia.
Pois o que aconteceu hoje pela manhã?
Primeiramente, me parece que a estratégia da violência policial funcionou para os organizadores da Copa. Muitos sentiram medo de irem para as rua hoje.

Mas, fora o medo, nessa manifestação da manhã não havia novidade alguma.
Os grupos organizados que conhecemos estavam lá com suas justas causas. O vermelho estava novamente na rua, as palavras de ordem tradicionais, das mais nobres às mais patéticas.
Por mais que me sinta próximo da maioria dos que hoje andaram da Praça Saens Peña ao Maracaña, a novidade não estava lá. O que vimos era o óbvio. Tudo era compreensível e previsível.

Se o que era claro nas outras manifestações era a existência de um processo político que se fazia na própria manifestação, a caminhada de hoje foi apenas a confirmação das mesmas forças de esquerda de sempre.

Em resumo. A manifestação era vazia porque havia muito pouca gente.
A manifestação era inócua pois, sem invenção, com essas forças políticas e com essa organização, os poderes já sabem exatamente como lidar.

Evidentemente que não vai aqui nenhuma negação da necessária institucionalização dos processos políticos, mas talvez nossas ferramentas intelectuais e de organização, estejam aquém do que se apresenta hoje.

28 de jun. de 2013

As manifestãções - nova sociabilidade


Nas atuais manifestações, além do evidente descompasso entre os processos produtivos e os processos subjetivos, como comentávamos em um outro post, há o próprio lugar da manifestação.

Quando nos perguntamos o que querem os que manifestam ou quando lemos que há demandas demais, o que está colocado é que as manifestações devem ser o ponto final de uma elaboração política. Ou seja, as pessoas devem pensar exatamente o que querem antes de ir para a rua. Pois, não é isso que vemos: as ruas são ocupadas para que elas se tornem o lugar da sociabilidade. A manifestação, diferentemente do Fora Collor ou das Diretas, se constitui muito mais como um espaço em que uma inquietude em relação aos futuros possíveis se expressa.

Se concordamos com esse gap entre as formas de vida aceitáveis e as formas de vida desejáveis, faz todo sentido que as demandas sejam enormes, uma vez que é próprio a todo processo subjetivo um agenciamento de muitas ideias, forças, desejos.

A cada vez que perguntarmos para os que caminham em direção aos estádios o que eles desejam, deveríamos antes perceber que o que importa é que eles estão na rua e na frente dos estádios. Isso diz muito.

Mas, mesmo assim, as pautas são necessárias.
A do transporte tornou-se massiva. Por que? Porque os pobres querem consumir transporte como os ricos, poderíamos dizer. Me parece pouco.

Temos exercitado nosso preconceito de classe dizendo que os pobres querem apenas mais e mais consumo.
Pois o transporte está diretamente ligado aos processos subjetivos.
Todos querem o direito de ir, não sabemos para onde nem por quais motivos.

Para o capital, o estado autoritário e a grande mídia, isso é horrível! Eles descobrem que além de consumidores existem sujeitos.

27 de jun. de 2013

A falsa dicotomia das manifestações

Essas são as dicas do capitão da PM de Minas antes do jogo do Brasil. http://www.youtube.com/watch?v=rSdzyhcb-I4&feature=youtu.be

Diante dessa fala o Diego Migliorin foi preciso: “ele quer que os manifestantes sejam tão turistas quantos os estrangeiros que vem para a Copa”.

Essa percepção reforça a narrativa “pessoas de bem X vândalos”, como se houvesse duas manifestações. Não há. Não há de uma lado os que tem demandas específicas e são a favor da Copa e de outro os loucos irresponsáveis. Nas imagens de BH, um grupo de umas duzentas pessoas enfrentava a polícia e atrás deles milhares de outras as protegiam, por exemplo.
http://www.youtube.com/watch?v=_p3DvkDsicM

A tentativa de organizar esteticamente as manifestações em dois lados apenas reforça a necessidade daqueles que não desejam o embate por princípio se juntarem aos que forçam passagem pela polícia, nem que seja para se diferenciarem da “alegria das ruas” e da “festa da democracia”.

Um descompasso entre os processos subjetivos e o sucesso do capital.

Na semana passada eu dizia que havia uma mal estar que atravessava grande parte dos manifestantes, ligado a uma sensação de que, mesmo depois de todos os ganhos do governo Lula, o acesso às possibilidades da cidade, da cultura, do tempo livre, etc, continuava sendo uma prerrogativa dos ricos.

Por não vivermos em uma sociedade de riquezas coletivas, ela continuava tendo que ser individualizada.

A Tatiana Roque, inspirada pelo Lazzarato, escreveu: As manifestações no Brasil mostram que a crise não é econômica. há crise quando se intensifica o descompasso entre o modelo produtivo e a produção de subjetividade.

Pois talvez esse seja um bom resumo do que vivemos:

Um descompasso entre os processos subjetivos e o sucesso do capital.

Nesse sentido, a Copa é exemplar. Ela materializa o sucesso do país no capitalismo global e o fracasso das aspirações subjetivas frente a esse sucesso. Esse choque concretiza a crise.

A Copa é ainda exemplar pois ela marca uma radical aproximação entre os interesses privados e estado. Não é por acaso que a grande mídia e a direita estão constantemente tirando o foco da copa para recolocar sobre os “políticos”.

Se as manifestações estão ligadas a uma crise do modelo produtivo, é fundamental que o estado não seja o alvo exclusivo daquilo que oprime o que podemos.

23 de jun. de 2013

os jovens e os pobres

Minha geração possui a memória das diretas já e do impeachment do Collor como grandes movimentos populares em que participamos, os atuais acontecimentos trazem uma marca singular: não somos mais os protagonistas.
Claro, vamos às manifestações, discutimos com amigos, organizamos encontros nas universidades, podemos ter um papel ainda importante, mas não somos os protagonistas.

Talvez esse “outro lugar” configure uma das dificuldades de pensarmos o que acontece. Se colocarmos nos jovens protagonistas - muitos deles pobres - as mesmas perspectivas que valeram para o nosso engajamento, não entenderemos nada.

Assim, o vermelho e a bandeira brasileira, por exemplo, ganharam outros sentidos. Não posso abandonar o sentido que esses símbolos tiveram para nós, mas não posso julgar a partir de uma perspectiva reacionária, de quem só vê esquerda quando tudo está vermelho, ou só vê lutas legítimas feitas por iguais.

A critica à forma da copa organizar a cidade, o passe livre, a rejeição do conservadorismo evangélico representado pelo Feliciano, foram bandeiras fortes nas manifestações e essa bandeiras são agregadoras de jovens que não necessariamente se identificam com um projeto tradicional de esquerda.

Com diversas bandeiras, estão à beira dos estádios/bunkers. Isso diz muito.

Pode até ser que os milhões de jovens que estão nas manifestações não nos digam exatamente porque estão ocupando as ruas e enfrentando a polícia, mas certamente eles sabem/sentem.

22 de jun. de 2013

Riqueza compulsória


A fala da presidenta tem uma aproximação com o tom da grande mídia que me parece relevante destacar.
Lamenta-se os protestos em relação à inserção do Brasil no cenário mundial.
Tudo vinha tão bem.... A Copa apareceria como um coroamento de uma trajetória que colocou o Brasil como um “player” central nas questões globais. E, logo agora, essas manifestações.

Os protestos precisa ser pensados não apenas como um problema na inserção em uma ordem vigente, regida por agencias de risco e padrões homogeneizantes de estádios de futebol, mas como problematização dessa ordem.

As manifestações não ocorrem porque o projeto desenvolvimentista e centrado no consumo industrial não deu certo, mas porque não é o projeto adequado. Ou, se foi durante dez anos, ele parece ter chegado ao limite. Nesse sentido, o Brasil assume efetivamente um protagonismo, questionando o projeto que o mundo admira. Os índios e a nossa imobilidade urbana testemunham os desdobramentos desse projeto. As agências de risco não incluem o risco de ser Guarani-Kaiowa.

Dilma pede que recebamos bem nossos convidados, mas como, se não fomos convidados para a festa? O Brasil é um detalhe para a Copa.
As manifestações dão um limite para a FIFA, símbolo da forma como fomos alijados do que nos pertence, o futebol.

No projeto de inclusão no consumo, estamos entendendo que para alcançar um patamar relevante de cidadania com cultura, educação, futebol e tempo livre é preciso ser rico.

Minha pauta – já que tantas são possíveis - : eu não quero que meus filhos sejam obrigados a serem ricos.

21 de jun. de 2013

por uma agenda libertária e inclusiva

Encontro uma amiga na rua e ela me pergunta se fui à manifestação de ontem. Digo que sim. Ela reage:
Foi fascista né?
A polícia?
Não, as manifestações, cartazes, etc.
Não! De forma alguma!
Fiquei impressionado com o imaginário que se criou sobre o que aconteceu ontem.

Alguns breves comentários: A pauta de reivindicações era enorme, mas havia uma agenda de esquerda que predominava: crítica à Copa, pelos serviços públicos de qualidade e contra o Governador, jamais contra a Dilma. No meio disso, bandeiras do Brasil e o hino, elementos que minha geração estranha em uma manifestação de esquerda, mas que também cantamos nas diretas.

A manifestação de quinta foi muita mais popular que a de terça e talvez menos engajada. Mas, me parece impossível pedir para jovens que cresceram com o PT no poder estejam nas ruas com uma agenda que não questione o poder vigente.

Na verdade, pautar o discurso das manifestações pela questão eleitoral é um equívoco. É isso que o capital, o PT e o PSDB desejam.

Obviamente brigo pela institucionalidade de todos os processos, mas uma manifestação que começou com a questão do transporte não pode eximir um governo que nos últimos 10 anos fez maciços investimentos na indústria automobilística.

Que tenhamos força para uma agenda propositiva, alegre e libertária, mas que não afaste das ruas os que não pensam exatamente como nós.

20 de jun. de 2013

As manifestações e a Copa

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                   Pelo o que vemos nas manifestações, nos gritos e cartazes, parece evidente a conexão entre esses atos e a Copa do Mundo, representada, nesses dias, pela Copa das Confederações. Essa conexão é cotidianamente obliterada da grande mídia. Eu arriscaria dizer que tudo isso acontece agora por conta da Copa em curso. Entretanto, seria singelo achar que se trata apenas de uma revolta com os gastos ou com a eventual corrupção que pode ter acontecido em algumas das obras.
                   Me parece que o modo como a Copa se configurou no país explicita questões políticas e sociais muito mais graves. De alguma forma a Copa se tornou o símbolo de um país que apesar de todas as melhoras dos últimos anos, não resolveu um problema fundamental que pode se expressar assim: para se ter direito à cidade, para se ter serviços públicos de qualidade, moradia, educação ou para poder ir ao jogo que sempre frequentamos, é preciso ser rico, é preciso pertencer a uma elite.
                   O futebol, uma marca constituinte do país, foi furtada daqueles que o apreciam e entregue como moeda de troca para o espetáculo, para a especulação imobiliária e para o comércio que cobra 12 reais a cerveja no interior do estádio. Para se ter direito ao que nos constitui é preciso ser rico. É isso que há muitos meses nós escutamos em todos os lados.
                   A multidão que está nas ruas não está respirando gás lacrimogêneo para poder ir ao estádio, mas é como se a Copa explicitasse o modo de operação de todo o estado associado ao capital e à grande mídia. O preço da passagem e a Copa materializam a forma como a população foi alijada do que lhes pertence, o forma como há uma desconexão entre consumo de bens básicos e participação efetiva no que constitui a elite: tempo, lazer, saúde, entretenimento.
                   É curioso que tudo isso aconteça sem que o Brasil esteja propriamente em uma crise econômica, deixando claro que o que provoca uma revolta não é uma crise, mas a política, a forma como alguns são excluídos. Ou como, apesar de incluídos em alguns consumos, fazem parte de um país que produz constantemente novas exclusões.
                   A Copa, de espetáculo virou metáfora.

18 de mai. de 2013

Sobre Lar Doce Lar - Carta aberta ao apresentador Luciano Huck

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Prezado Luciano,

                  Um dos prazeres da TV é o zapping. Ser levado de uma palavra a outra, operar por montagem, colagens de fragmentos sem nenhuma continuidade no tempo ou no espaço, à exceção dos fragmentos estarem sendo exibidos no mesmo momento. Em um desses cortes entre canais, sou levado ao seu programa Lar doce Lar. A existência do programa não me era estranha, os programas de massa nos chegam mesmo que não os busquemos, o que não é de todo mau.
                  Se hoje reservo uma parte de meu tempo para te escrever é porque o que vi me fez pensar intensamente em meu trabalho e, também, me motivou a te convidar para que venhas conhecer um pouco do que fazemos na universidade.
                  Quando uso a primeira pessoa do plural, não é apenas por modéstia, mas por entender que há hoje uma importante reflexão no Brasil sobre o cinema e o audiovisual e a relação com o outro, sobretudo com o outro de classe, com os pobres. É sobre essa relação que gostaria de fazer alguns comentários. Na verdade, essa é uma forte tradição da reflexão e da prática audiovisual. Podemos dizer que uma considerável parte do cinema de não-ficção feita depois dos anos 50 foi atravessada pelo questionamento que os realizadores se colocavam sobre as possibilidades, sentidos e éticas produzidos na relação com o outro, com o povo – como chamou Bernardet no livro de 86, Cineastas e imagens do povo.
                  Podemos dizer que essa é então uma carta-convite para que te aproximes de um certo universo da prática e da reflexão acerca da produção de imagens sobre homens e mulheres comuns. Pessoas que não fazem parte do universo do espetáculo, que não compartilham o tom da linguagem dos grandes meios ou que, simplesmente, não têm tempo para outra coisa que não a reprodução de suas condições de vida.
                  Mas, deves perguntar, o que no programa Lar Doce Lar motivaria esse convite? Como disse, o que vi me mobilizou em relação ao meu próprio trabalho.
                  A universidade é constantemente criticada pelo seu isolamento, pela forma como os doutores falam apenas para eles mesmos, como se a “a-vida-real” não existisse. Tal crítica não é infundada, porém, por vezes esse isolamento é necessário, uma vez que para se fazer algum progresso nas ciências, a dedicação a questões microscópicas, de pouco interesse midiático ou instantâneo, é necessário. Felizmente alguns estudam as “negativas nos textos de Platão” ou as oxitocinas. Entretanto, tal isolamento por vezes é apenas uma forma de defesa, de não colocar à prova o próprio pensamento. No caso dos pesquisadores de cinema e das mídias contemporâneas, me parece que esse risco é menor, uma vez que os trabalhos se dão imediatamente sobre objetos que marcam nossas formas de ser e de pensar hoje.
                  Quando assisti o teu programa gravado em Parapuã, o isolamento da universidade me tocou. Me perguntava com sincera curiosidade: o que aconteceu com o que se escreve há 50 anos sobre o audiovisual que se relaciona com pessoas comuns, com o povo? Será que tantos pesquisadores brilhantes escreveram só para si e para os colegas? Essas perguntas se fizeram urgentes na medida em que minha impressão era de uma absoluta distância entre o que se pratica no campo do cinema, sobretudo aquele ligado ao documentário, e o programa que eu assisti. Claro que você também poderia se perguntar: o que acontece com a universidade que ainda não incorporou a nossa estética e a nossa bem-sucedida forma de fazer um audiovisual popular e rico?
                  Se me permites, vou pensar o Lar Doce Lar a partir do registro do documentário, uma vez que ali estamos diante de pessoas reais que têm vidas antes do programa e continuarão a pagar as contas do final do mês e a ir ao dentista depois que os caminhões e geradores a diesel da Globo deixarem a cidade. Estamos no registro documental, uma vez que as pessoas vibram e sofrem de verdade, ou seja, estão implicadas no programa como sujeitos.
                  Há um momento em Lar Doce Lar que me parece emblemático do isolamento do nosso trabalho em relação ao que se faz no teu programa. Antes, porém, uma sinopse para os que não conhecem o programa e lerão esta carta aberta.
                  Corrija-me se estiver errado, mas o programa funciona da seguinte maneira: qualquer pessoa do Brasil pode escrever uma carta para a Globo contando a sua história pessoal e fazendo a conexão dessa história com a sua própria casa. No programa que assisti, uma dona de casa chamada Marlene, ex-boia fria e ex-maratonista, tendo estado inclusive nas Olimpíadas de Atenas, não conseguia concluir sua casa, em obra havia dez anos. Selecionada pela produção, a casa de Marlene foi reformada pela emissora. O programa de mais de 20 minutos que assisti no sábado acompanhava a entrega da casa, nova em folha, à família de Marlene.

Destruir e modelar

                  Voltemos então a um momento que me parece dos mais relevantes. Depois da casa ser entregue e acompanharmos a emoção da família e as opções estéticas do programa para organizar e decorar a casa, chegamos ao fundo do terreno onde, antes da reforma, havia apenas um quartinho.
                  O diálogo que acontece nesse momento é especialmente revelador. O que surpreende é que ele possa acontecer de maneira tão explícita e ser mantido na edição. Depois de Marlene e o seu marido narrarem que foram eles que construíram uma parte da casa e que Marlene, grávida de sua filha, “batia massa” para o marido, você se desculpa por ter destruído tudo:  "Eu peço desculpas por ter derrubado o trabalho de vocês". Na continuação da sequencia, o diálogo explicita o que há mais duro na ação do programa. Transcrevo na íntegra o diálogo que acontece depois que tu mostras para o casal o banheiro nos fundos da casa:
Luciano - Gostou dessa parte Marlene?
Marlene - Adorei.
Marido de Marlene - Você acha que é simples, né? Simples, mas melhor do que o nosso.
Luciano - Não, mas é diferente. O de vocês, vocês construíram os dois, com o dinheiro que vocês tinham; vocês subiram os tijolos, não tem explicação, ali tinha uma vida inteira, tinha uma poesia. A gente é um programa de televisão, a gente é a TV Globo, a gente vem e faz. A gente tenta realizar o sonho da família, mas aquela casa que tinha aqui tinha a história de vocês.
                  Talvez tua equipe tenha optado por deixar esse diálogo na edição para explicitar, de maneira reflexiva, a violência da presença da Globo naquele lugar. A tua consciência sobre o que a Globo faz é certamente tão pertinente quanto o que diria qualquer crítico do programa. Tuas palavras têm a precisão de constatar a violência e tornar obsoleta qualquer crítica. Mas, mesmo assim, esse teu texto, me desculpe a agudeza da crítica – que insiste, apesar de tudo - , não pode ser dito e editado sem uma alta carga de cinismo. É como se a crítica que o programa poderia receber já tivesse sido incorporada por ti e pela Globo, para que possas dizer: é isso mesmo; destruímos a história, destruímos o trabalho dos outros, destruímos a poesia porque somos a Globo e a gente faz.
                  Mas a nova casa é muito melhor que a anterior, poderias dizer. É verdade, mas para que a nova ordem na vida dessas pessoas possa se impor, o programa depende da enorme carência de seus personagens. Só na grande carência os moradores da nova casa perdem o direito de manter uma cadeira velha ou um almofada que destoe da decoração pensada pela Globo.  Em cada lugar que teu programa encontrou marcas pessoais e subjetivas, a produção conseguiu eliminá-las. Não se trata de levar mais conforto para os mesmos sujeitos, poderíamos dizer, mas criar sujeitos novos, com novas circulações, novos hábitos, como se explicita na horta criada pelo programa, na churrasqueira e na hidromassagem, elementos que, além de trazerem conforto, colocam aqueles sujeitos em outro lugar nas práticas de consumo.
                  Sabemos, com pensadores como Gilles Deleuze e Lyotard, que é próprio ao capitalismo um fragilização dos códigos que organizam as formas de vida, permitindo um movimento libidinal que impulsiona novas formas de consumo. Nada menos interessante ao capital que identidades fixas e imutáveis. Lar doce Lar parece levar  ao limite essas desterritorializaçoes subjetivas na adequação ao consumo.
                  O que insisto, Luciano, é que, para reformar a casa, a Globo destrói um lar, modela espaço e destrói o território. No lugar do lar se cria um espaço espetacularizado à imagem da emissora. Se esse movimento é bom para a família, pelo menos inicialmente, ele não deixa de ser um gesto violento, uma vez que desconsidera que um lar é uma construção de quem nele mora e não uma imposição de quem vem de fora. Seria melhor nada fazer? Não, mas é apenas a partir da carência do outro que a emissora pode ser violenta.
                 
Excluir e isolar

                 Outra forma de filmar a entrega da casa me chamou atenção. O programa utiliza pontos de vista da casa em que jamais podemos ver o entorno. As outras casas do bairro não foram reformadas e, além disso, foram obliteradas.
                  Não há contexto, não há comunidade, apenas hiperconcentração no indivíduo.
                  O contexto que vemos é uma massa em forma de auditório, impossibilitada por grades de entrar na cena e compartilhar a alegria da Marlene, ou estabelecer alguma relação crítica. Para o programa só existem dois sujeitos: aqueles que pertencem à família que conseguiu entrar no espetáculo e “se salvou” e os outros que, infelizmente, não têm uma boa história para contar e garantir uma ascensão social.
                  No primeiro programa sobre a Marlene, que assisti no site da Globo, há uma edição com a fala de vários conhecidos em que se enfatiza que Marlene merece o que está acontecendo com ela, que ela faz jus à casa nova, por seu esforço e trabalho. Mas o que isso quer dizer? Que as outras pessoas da comunidade não merecem? Não, o programa não diz isso. Entretanto, a pergunta que deveríamos fazer é: quem não merece? Qual o ser humano que não merece? Nesse sentido, a singularização de uma personagem como aquela que deve ser contemplada e marcada com uma diferença faz o contrário da política. Se a política pode ser pensada como esforços e tensões para o bem comum, aqui o bem é privado, exclusivo. Nesse sentido, saem os cidadãos e entram os consumidores. Elimina-se a comunidade e privilegia-se a diferença pela privatização dos bens. Se politicamente houvesse alguma relevância no seu programa, a ação não seria  individualizada, mas coletiva.
                  Talvez eu exija demais de uma emissão de TV, mas uma vez que o programa se propõe a uma intervenção direta no real, esses aspectos não podem ser deixados de lado. Quanto mais o programa faz por uma pessoa, mais atrelado à lógica do consumo e da eliminação da política ele se torna.
                  Se, por um lado, a concentração em um problema individual desfaz a política e enfatiza o consumo, por outro, essa concentração na história pessoal é feita de modo a tomar a história pessoal e eliminar os sujeitos. Essa supressão do sujeito está presente na maneira como a reforma é toda feita sem nenhuma ingerência das pessoas que vão morar na casa. A Marlene e a sua família irão receber uma casa infinitamente melhor que a casa inacabada que deixaram para trás, mas o gesto do teu programa é baseado na eliminação das necessidades, gostos e expectativas dos moradores da casa em relação ao seus lares.
                  Impressiona que a reforma não seja apenas de ordem estrutural, mas estética, subjetiva. Trata-se de melhorar, de acordo com a lógica do programa, o lugar em que se mora, mas também as escolhas de como se mora. Para isso, o programa pinta paredes, coloca desenhos, escolhe brinquedos para as crianças, entrega um iPad para um menino que ainda não deve saber escrever.  A nova casa não é propriamente uma intervenção no lugar de moradia, mas a imposição de um mundo sensível e simbólico.           
                  Novamente, trata-se apenas de uma emissão televisiva, mas que é atravessada por um discurso de justiça.  “Todo atleta merece respeito”, ou “Temos que tratar bem os atletas no Brasil”, tu disseste na abertura do programa. Deveríamos insistir na pergunta. Quem não merece respeito? Quem não merece ser bem tratado no Brasil? Percebe meu ponto, meu caro Luciano? O programa, por um lado se coloca como uma emissão que faz o bem e, ao mesmo tempo em que reclama por justiça, na sua prática e estética elimina aquilo mesmo que pode gerar alguma transformação, seja para os atletas, seja para qualquer sujeito: a política, substituída aqui pelo consumo individual.

Entrar na casa

                  Se historicamente o documentário traz como uma de suas marcas a audácia de entrar na casa das pessoas, de Nanook a Edifício Master, passando por clássicos fundadores do cinema moderno como Salesman, de Robert Drew e Crônica de um Verão, de Rouch e Morin, -  caso não conheças esses filmes, fica aqui um novo convite, todos eles disponíveis no Departamento de Cinema da UFF. No teu programa, são os moradores que deixam as casas para depois serem recebidos pela produção, que já está na casa quando os moradores chegam. Para poder filmar o rosto dos personagens, há uma câmera que aguarda a entrada da família dentro de cada cômodo, explicitando a quem, efetivamente, pertence o lar.
                  Caro, esses breves pontos são apenas algumas observações de quem, por um lado, admira a possibilidade de uma emissão televisiva falar para milhões e milhões de pessoas, pois é preciso talento e competência para isso, mas que por outro, percebe múltiplos níveis de agressão com as possibilidades de vida e com as possibilidades sensíveis das pessoas retratadas. Uma agressão que é menos individual do que coletiva, uma vez que faz de todo e qualquer mundo estético e sensível, uma reprodução de algo pronto e pensado no Rio de Janeiro.  A Globo faz, é verdade, mas que pena que para isso os sujeitos precisem desaparecer, transformados em narrativas espetaculares ou simplesmente deixados atrás das grades que os separam da cena.
                  Podemos mais.
                  Vamos aos convites: no momento, temos um grupo de estudos todas as quintas, no Laboratório Kumã de pesquisa e experimentação da imagem e do som, no IACS (Instituto de Artes e Comunicação) em Niterói em que, justamente, estudamos os gestos do documentarista na abordagem e na relação com a diferença e com o outro de classe, por exemplo. Nesse grupo vemos e debatemos filmes e trabalhamos com textos sobre arte, cinema, antropologia e filosofia. Próximo encontro:
Dia 23 de Maio – conversa sobre  o livro de George Didi Huberman – A sobrevivência dos vagalumes.
Seja bem vindo.



Meu cordial abraço
Cezar Migliorin

Chefe do dep. de Cinema e Vídeo da Universidade Federal Fluminense