22 de fev de 2012

Só há realismo no engajamento.

A historinha é assim.
Estava lendo um artigo de um historiador sobre um fato bastante específico da literatura brasileira nos anos 10 (sec.XX). Eu não conhecia nenhum dos personagens, nenhuma das casas de edição, nenhum dos livros citados. Claro, estava mergulhado em minha ignorância, mas ao mesmo tempo que o artigo levantava documentos e microhistórias, tudo ali poderia ser uma narrativa falsa, que apenas se pretendia verídica. Entretanto, num dado momento, o artigo deixava de elencar dados e fatos e fazia uma leitura política de uma passagem. De alguma maneira o artigo se colocava, ou seja, se engajava no presente com o que a história lhe trazia.
O realismo tomava concretude, não pela veracidade dos fatos, mas pela relação com o presente, pela tomada de um ponto de vista. O que havia de real era um desejo de mundo, independente da veracidade do que permitia aquele desejo de mundo.
Engajamento é uma conexão do corpo, da linguagem, da práxis, com o presente. Realismo é o que se constitui nessa relação. (ah se fosse tão fácil :) )-

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