Em apenas um break comercial essa semana:
“Para quem é 4X4” (Mitsubishi), "Aos 15 troquei a festa por uma viagem", diz a menina (Nissan), "porque a vida na cidade é uma aventura" (Fiat).
O que é excessivo e sem controle - a experiência e a aventura - encontra sua forma segura e domesticada em versão 4 rodas, de preferência com tração em todas elas.
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22 de nov. de 2007
25 de jun. de 2007
Ricardo Basbaum na Documenta

Você gostaria de participar de uma experiência artística?
Assim começa o dispositivo de Basbaum. Se a pessoa aceita ela deve ficar um mês com um objeto inventado pelo artista, utiliza-lo como quiser e documentar essa utilização. O projeto acontece desde 1994.
O objeto passa a fazer parte da vida e aparece então como um shifter de subjetividade, como escreveu Guatarri e as imagens que aparecem documentam esses deslocamentos, do objeto e do participante.

O que as imagens documentam é o modo como o objeto inspira gestos e ações ao mesmo tempo em que a utilização do objeto da a ver o indivíduo que o utiliza - o que é dos desdobramentos mais interessantes desse trabalho infinito (ele pode acontecer para sempre, crescendo, se alterando e se constituindo como um imenso banco de dados atravessado por uma poética), work in progress.
A relação do artista com os participantes se dá pelo objeto, não é necessário nenhuma pergunta, nenhuma intervenção mais específica; a entrada do objeto na cena do participante acaba por ser delicamente reveladora do indivíduo ou grupo que o utiliza. Uma revelação que é sempre desindividuada, transubjectiva, como escreveu Brian Holmes (inglês - espanhol) sobre o trabalho de Basbaum. O que se vê é sempre o indivíduo deixando um lugar estável, identitário, para jogar com gestos e modos possíveis de lidar com essa New basis of Personality.
Se o indivíduo é algo que sempre aparece em um processo de individuação, distante sempre de uma realidade substancial, o trabalho de Basbaum intensifica essa percepção inventado um dispositivo que materializa e traz uma presença estética para o próprio processo de individuação.
O objeto pode ser um instrumento de percursão, banheira, cama, roupa, máscara, balde de gelo, esteira de praia, barco ou simplesmente o motor para a invenção de grandes narrativas, como do rapaz do Rio Grande do Sul que vê todo seu entorno contaminado pela forma do objeto.
Na rua, é a cidade que é transformada pelo objeto.
Na instalação apresentada na Documenta há uma saborosa heterogeneidade de imagens que se unificam no objeto. Imagens normalmente ordinárias que perdem a banalidade porque são impregnadas por um desejo de encontro com o artista, com o o
O que acho que o muitos perdem no trabalho de Basbaum é o humor que aparece na relação que as pessoas tem com o que é produzido pelos participantes, esse mais óbvio, mas perdem também o humor que está no objeto em si e no nome mesmo do projeto: New Basis for Personality. Claro que a idéia é que a arte está sempre dando essas new basis, inventado objetos em que o processo de subjetivação seja uma constante, interminável. Mas, uma vez que esse vira o nome de um longo e complexo projeto, há uma dimensão irônica que se instala.
Se levado muito a sério, o projeto ganha uma dimenssão utópica que perde sua força tanto como obra que efetivamente mobiliza o público e o participante como comentário generoso e irônico às artes em geral.
Brincadeira com NBP em Kassel
Soraia Vilela narra a ação do Grupo Vaca Amarela com o objeto de Basbaum
De maneira geral o humor está ausente da Documenta 12 e essa ausência acaba fazendo que tenhamos dificuldade de encherga-lo mesmo onde ele está presente.
Este post gerou um ensaio publicado em julho na Revista Cinética
19 de jun. de 2007
A mão que pensa


No meio dos anos 90 os filmes deixavam de ser montados nas moviolas, estas grandes máquinas, normalmente italianas, americanas ou alemãs, onde se assistia, cortava-se e colava-se o copião (cópia em positivo para trabalho). A partir dali começamos todos usar computadores. Na época ouvi de vários montadores que algo se perdia, o contato manual com a película, o toque no filme. Esta reclamação sempre me pareceu ser parte por uma certa nostalgia ou uma simples dificuldade em aceitar que alguma coisa mudava nos gestos e odores, mas que o fundamental; o corte, a montagem, as decisões que se toma na sala de montagem, continuavam sendo o que importava no trabalho e isso não era muito diferente da moviola para o computador.
Pois, assim como os cegos desenvolvem uma tal sensibilidade com as mãos que os torna até capazes de identificar as cartas de um baralho, algo parecido acontecia com os montadores na moviola. Não era só com olhos que os montadores escolhiam o lugar do corte, mas com as mãos, com o tato apurado de anos de trabalho. O que os montadores sentiam falta não era o contato com a película, mas com a imagem mesmo.
Para o montador a mão é a fronteira entre o corpo e o que está for a dele. A mão opera essa mistura entre o intelecto que pensa o que a ela deve fazer e o corpo que faz sem passar pelo intelecto; um corpo que pensa. A mão torna-se não só o que faz o contato, mas o que pensa e seleciona o mundo.
A primeira imagem é de uma Steenbeck, rápida, precisa e com ótima qualidade de imagem. Conta-se que quando elas chegaram ao Brasil dizia-se que elas eram tão boas que nem precisava de montador.
A segunda é uma autêntica Moviola, americana.
6 de jun. de 2007
Puma, arte e capitalismo contemporâneo
Artigo inédito publicado na Revista Cinética
«Você tem que viver a criação. Palavras no papel não valem nada. Você tem que viver tudo você mesmo.», diz Jochen Zeitz, presidente da Puma.
«Você tem que viver a criação. Palavras no papel não valem nada. Você tem que viver tudo você mesmo.», diz Jochen Zeitz, presidente da Puma.
2 de jun. de 2007
Publicidade Toyota
Anúncio do novo Toyota Aygo exibido nas salas de cinema. Um jovem passa por um processo de esvaziamento de todas as experiências de seu cérebro. Todas as atividades radicais e emocionantes são retiradas. Todas as atividades que seriam comparáveis à emoção publicitária de dirigir um carro são eliminadas.
Depois disso o rapaz passa em casa, pega as chaves do carro e sai pela rua para uma experiência "única e incomparável'.
Curioso. Um novo carro não tem como prometer mais experiência alguma. O cotidiano urbano teria se mimetizado em um ambiente de fortes emoções, logo a nova experiência é o esvaziamento. A publicidade não promete nada e os produtos não tem como se igualar à vida. Esta é publicidade da Toyota.
Depois disso o rapaz passa em casa, pega as chaves do carro e sai pela rua para uma experiência "única e incomparável'.
Curioso. Um novo carro não tem como prometer mais experiência alguma. O cotidiano urbano teria se mimetizado em um ambiente de fortes emoções, logo a nova experiência é o esvaziamento. A publicidade não promete nada e os produtos não tem como se igualar à vida. Esta é publicidade da Toyota.
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