28 de mar de 2016

A rua não está pronta

A rua não está pronta
Dos mais interessantes debates das últimas semanas diz respeito à forma como aqueles que se associam à uma tradição de esquerda se relacionam com os recentes eventos políticos.
Por um lado há os que estão nas ruas e mídias sociais contra o impeachment e em explícita defesa de Lula e Dilma. A cineasta Ana Muylaert chegou a chama-los de pai e mãe dos jovens pobres que hoje estão na universidade; uma construção no mínimo infantilizante das lutas políticas, dentro e fora das universidades. Exemplo do lugar apolítico que se quer dar a Lula.
Por outro lado, a esquerda crítica ao governo encontra uma boa oportunidade para enfatizar suas discordâncias. No limite, fazendo como parte da direita e contemporizando as ilegalidades do judiciário, a falta de legitimidade de Cunha e companheiros e os descalabros da grande mídia.
De certa maneira, os dois grupos têm tratado as ruas e as manifestações como se estas estivessem prontas, ou um exemplo da defesa “do pai”, ou como se dominadas pelos governistas.
Uma pena!
Quem esteve na manifestação do dia 18, na recente reunião do pessoal do teatro no Rio, etc, percebeu que o espaço está aberto, que as críticas ao governo são intensas e que há, sobretudo, um clima de reconquista do campo da esquerda. Seja contra a direita, seja contra o PT.
A inquietação das ruas é a própria inquietação necessária para que a política esteja presente.
O imobilismo hoje é achar que a rua está pronta. Não está.


28 DE MARÇO

Não vai ter golpe - naturezas políticas

Há uma diferença de natureza nas pautas e questões colocadas à direita e à esquerda.
Por um lado, uma parte da esquerda se une em torno de radicas críticas ao governo Dilma e diz: É isso mesmo, tem que cair. 
À direita, seja por preconceito de classe, gênero ou simplesmente por não ver diferença entre Dilma e Cunha, a conclusão é a mesma: o governo rouba, tem que cair. 
Há ainda os que estão contra o golpe jurídico-midiático, mas que se esforçam em embutir diversas outras pautas no debate.
Nos três casos há uma mistura de naturezas políticas.
O “não vai ter golpe” não pode depender de qualquer julgamento do governo, ele transcende qualquer avaliação. É esse o princípio democrático.
As cartas que dizem “não vai ter golpe” e defendem os ganhos dos últimos anos com o PT são infundadas, misturam essas duas naturezas. Os que dizem que o Dilma merece cair por conta da economia ou da educação, também misturam.
Hoje, o “não vai ter golpe” não deveria ter qualquer relação com o governo Dilma, apenas com a democracia.

Brasil / política

A política contra os gigantes – do capital, do estado, do poder centralizador – só pode ser feita juntando dois níveis de atuação. 
Por um lado há a luta pela informação, pela verdade, pelos lugares de fala, pelo enfrentamento com os inimigos que exploram e destroem. 
Mas esse não basta. É preciso a surpresa, a loucura, a falta de limites, o pé na porta, o desvio, a poesia, o estranho, o perturbador. Ou seja, tudo que não tem como ser negociado, tudo que não aceita a ordem do poder. 
Sem essa duas forças, o mais forte vencerá sempre.

24 de março

“revolução democrática”

“revolução democrática”
A mobilização contra o impeachment dos últimos dias trouxe uma atmosfera de urgência política para o campo democrático, o que não há muito não se via. 
A mobilização contra os abusos do judiciário, da mídia e dos atores políticos que desejam a queda de Dilma como forma de assumir o poder parece estar se tornado um movimento pela democracia. 
Se a mobilização é pela democracia ela não pode ser apenas pela continuidade do que já conhecemos, do governo Dilma como ele se apresenta, mas também por uma “revolução democrática”, como falava o Florestan.
Educação, política, mídia ... – um choque democrático nessas esferas.
Diria então que ser contra o golpe é inseparável de uma radicalização nas críticas a esse governo.
O pacto à direita está quebrado, o Lula da paz, que dá entrevista no JN no dia que ganha as eleições acabou. Se o impeachment não passar os enfrentamentos são ainda mais urgentes.
Não estamos entre o golpe e o que já existe, mas entre o golpe e a possibilidade de uma democracia radical.
Há uma vibração política nas ruas e o atual momento é o que de melhor poderia acontecer para esse governo.


23 de março

Moro destrói a Lava Jato

É só especulação, mas, por algum motivo, o Moro foi para o tudo ou nada na Lava Jato. 
Depois condução coercitiva de Lula e da ilegalidade das gravações, o juiz começou um processo deliberado para destruir a operação.
A primeira hipótese, claro, é entrar na velocidade do jogo político e não do processo jurídico. Uma velocidade bastante adequada à mídia que para derrubar Dilma não pode parar a narrativa da crise crescente. Todo dia é necessário algo que explicite que o abismo está mais próximo.
A segunda hipótese – que não exclui a primeira - é que a Lava Jato ficou grande demais. Convenhamos, os caras foram fundo. Condenar o Odebrecht a 19 anos... são raríssimos os países que conseguem tal feito.
A Lava Jato ficou maior que o Moro e os próximos a serem ouvidos e se tornarem réus não contribuem para a desestabilização do governo – Aécio e cia.
Em resumo. Ou Dilma cai rápido ou as investigações atingem os amigos.
Com essas duas opções, Moro acelera. Se Dilma cai e Lula é preso, resolvido. Se Dilma não cai, a operação – com suas investidas na ilegalidade - perde toda legitimidade e se dissolve, poupando os amigos.
O rapaz não é louco, se perdesse o controle seria bem melhor.


22 de março

Teatro em BH - Claudio Botelho

Teatro
O que aconteceu em Belo Horizonte na peça sobre o Chico Buarque é interessante.
Em um dado momento o ator introduz um tema do cotidiano na peça – impeachment, Dilma, etc. O público, no lugar de entender sua fala como parte da cena, aceita que a quarta parede está rompida e se manifesta; se opondo às considerações do ator. Aparentemente, a quebra dessa quarta parede não era algo esperado pelo ator, assim, a primeira aferição é de que, independente do que o ator dizia, havia ali uma explicita incompetência em manter a fala no campo da ficção.
Depois da peça, o ator disse: mas era ficção! Ora, a ficção não é algo que se avisa, mas algo que se cria. No momento em que o público reage, o ator perdeu a cena.
A outra opção é de que o espectador contemporâneo, por princípio, está presente. Ou seja, a quarta parede é fluida e porosa. A passagem do espectador à cena não encontra grande barreira. Assim, no momento que o público reage e surpreende o ator, é uma incompreensão do estatuto do espectador contemporâneo que faltou ao ator em questão. Ele se achava completamente protegido diante de espectadores passivos. Não foi o que aconteceu.
Nos dois casos, antes de concordar ou não com as opiniões de Claudio Botelho, o problema parece ser sua fundamental inadequação para o teatro.


20 de março

Manifestações pela democracia

Diria que as manifestações de sexta significaram uma certa retomada da política. Sutil, tênue, mas bem mais interessante que a polarização Dilma/Impeachment.
Curiosamente, à direita e à esquerda, muitos só quiseram ver a manutenção da polarização, como se sexta fosse apenas mais uma dobra do petismo. 
No meu entender houve, na sexta, um importante corte na atual conjuntura. Estavam mobilizados indivíduos e atores políticos que há muito se distanciaram do PT, que não se confundem com apoiadores de Dilma, mas que se colocavam novamente juntos na indignação em relação aos recentes acontecimentos político-mediáticos, explicitamente não republicanos.
Nesse sentido, não se trata de terceira via ou de apoio crítico, mas simplesmente de dizer que a política importa e que há uma democracia que precisará se impor. A política importa porque só com ela os dissensos e os embates poderão ter lugar sem serem esmagados pelos discursos raivosas que pregam a ação sem reflexão.
O sutil retorno da política talvez seja o que temos de mais importante agora.
Um retorno que parece refutar a semente do autoritarismo que se apresentou nas últimas semanas de maneira tão intensa. Há uma atmosfera política que nos últimos dias parece ter ganho corpo: das manifestações à alguns colunistas de grandes jornais, de uma exibição de uma peça em BH às infindáveis manifestações públicas de associações científicas, coletivos e tantos atores políticos.
Sexta-feira abriu um espaço que permite uma outra circulação das indignações em relação ao governo Dilma, além da lógica da ilegalidade. É tênue, mas não há outro começo possível.


20 de março

Brazil

Dear friends,
A personal point of view on recent events in Brazil . trying to answer some friends ..
There is something serious occurring in Brazil.
Since last year an important investigation on corruption in financing political campaigns is happening. This investigation managed to put extremely powerful people, such as Marcelo Odebrecht, in jail.
But since the beginning it has being putting all its efforts on people closely related to PT, the workers party, in power since 2003. There are no saints in PT, but, in the last two weeks, this same investigation, with a great deal of help from Globo Media Corporation, has broken basic democratic and republican rules.
Their main goal is to put Lula, the ex-president, in jail and push Dilma Roussef, the current president, out of government.
In the last few days, Lula was forcefully taken to the judge in charge – Sergio Moro – to make his statements. But he has never refused to collaborate with the investigation. His testimony was taken at an airport with a plane from the police parked on it.
The worst case happened three days ago. Lula’s phone calls with Dilma Roussef were recorded and released on the same day to the media by the police. They contained no revelation at all, but the media has done all it could to produce more anger against both of them.
Huge protests in the whole country have been held in the last few days. Lots of people in the streets demanding Dilma's resignation and, yesterday, crowds in the streets saying "não vai ter golpe" – "There won’t be a coup."
Yes, there is something serious going on. The media, the opposition – mainly from the right wing - and a great part of the judiciary are breaking democratic rules to remove Dilma from government.
The matter now is not whether we like her, PT or Lula, but is one of respect for young Brazilian democracy.

20 de março

Invenção e desamparo. - pol´tica

Momento de grande desafio para a tradição de esquerda.
Por um lado a necessidade de uma intensa luta pela democracia, pelo estado de direito. Por outro a necessidade de nos autorizarmos a fragilidade do momento, a falta de referências, a ausência de um salvador. 
Elevar lula a esse papel hoje me parece um ato de desespero e revanchismo. Até lula, com seu brilhantismo, sabe que seu retorno como líder popular é um erro, uma evidência do seu próprio fracasso.
O norte dos democratas hoje me parece simples e árduo. Há um estado de direito e lutar contra os golpistas é uma necessidade - seja o sujeito de esquerda ou não. Isso e simples, mas duro. Mas, o mais difícil, é ter a democracia como norte sem um exemplo partidário. Hora de 
Invenção e desamparo.

18 de março

Velocidade Brasil

Velocidade 
A oposição ao governo utiliza uma estratégia da extrema velocidade para desarticular resistências, desmontar a ordem democrática e criar uma sensação de caos e desordem. 
Com a manipulação de informações - por vezes banais, irrelevantes ou descontextualizadas – se cria uma atmosfera de descontrole e desordem. 
A velocidade, nesse caso, é a eliminação da política e de qualquer possibilidade do debate e pensamento.
Hoje, quando me preparava para falar da tristeza em ver Lula no governo, mais um ataque da Lava-Jato, agora empenhada em destruir a própria Lava-Jato.
O que era uma ação com importantes gestos republicanos vai ganhando contornos cada vez mais autoritários e partidários. Uma lástima! Os acontecimentos de hoje deveriam chocar a qualquer um que deseja a democracia.
Sim, a volta de Lula ao governo é triste. Mais do que um líder, Lula agora chega como o pai salvador, o justiceiro injustiçado. A política não precisa mais de Lula.
Triste momento do país, entre um passado como esperança enfadonha e sem imaginação – Lula novamente. E uma oposição autoritária e ridiculamente cínica.
Se fosse possível desmontar um pouco essa velocidade em que nada se fixa, tudo já seria melhor.


16 de março

Conservadorismo e Lava Jato

Conservadorismo e Lava Jato
Os recentes acontecimentos com Lava Jato, Lula, Odebrecht etc vêm, infelizmente, aprofundando nossa crise política. Entretanto, esse não deveria ser o papel de uma importante operação contra o saque que o capital e as estruturas políticas fazem do bem público.
Primeiramente, como ser contra uma ação que expõe os principais operadores dessa íntima relação corrupta entre capital e estado? Como ser contra a investigação sobre as formas como megaoperadores – empreiteiras, bancos – centralizaram as ações de empresas estatais para que estas sirvam aos seus interesses? Como ser contra uma profunda investigação sobre a forma como essa união entre estatais e empreiteiras se tornou elemento chave na manutenção de certos poderes, destruindo possibilidades reais de democracia.
O desmonte dessa imbricada relação entre capital e poder político é mais que bem vindo.
Entretanto, dois movimentos conservadores podem jogar por terra um grande esforço.
O primeiro é óbvio: Moro e seu grupo não cessam de incorrer em injustiças e métodos de pressão bem pouco republicanos. Como é o caso das longas prisões sem julgamento, método que beira a tortura para forçar o acusado a aceitar uma delação premiada. Método esse defendido por Moro em artigo do final dos anos 90 sobre a operação “Mão Limpas” na Itália:
“Por certo, a confissão ou delação premiada torna-se uma boa alternativa para o investigado apenas quando este se encontrar em uma situação difícil.” (Moro)
O método do espetáculo ficou também mais evidente, claro, com a absurda condução coercitiva de Lula.
Em sua ação não equânime, espetaculosa e frequentemente autoritária, as investigações perdem seu caráter republicano e abrem espaço para o segundo ponto: a triste dicotomia entre Lulistas e seus opositores.
As características das ações da Lava Jato aprofundam a dicotomia entre esses grupos políticos, o que nada tem a ver com os reais problemas políticos do país.
Onde está o conservadorismo? Simples. No momento em que deveríamos efetivamente lidar com as questões ligadas à governabilidade, a corrupção como forma de governo, o fracasso de todos os governos recentes pós Collor em fazer uma reforma política e tributária no país, o que vemos? Uma nova polarização: Lula como mártir ou como exemplo de corrupção – segue-se a isso, gestos da mesma natureza: por um lado uma grande mídia constrangedora e golpista, como tradicionalmente o é, de outro um governo e seus partidários que olham para os fatos como se nada devesse ser feito e nossa única função fosse defender o pai – Nosso Lula.
Nos dois casos há um abandono da política e de qualquer perspectiva de futuro.
O conservadorismo é isso: está tudo certo no jogo, o problema é ganhar. Os últimos anos tem deixado claro que talvez o problema a ser enfrentado é o jogo e não a escolha dos vencedores e perdedores.

8 de março

A Garota Dinamarquesa

A Garota Dinamarquesa é um filme curioso. Tudo acontece em torno do personagem que começa a se travestir, assume junta à companheira sua homossexualidade e finalmente se submete à primeira cirurgia na história para a retirada do pênis e a produção de uma vagina.
Entretanto, narrativamente, é no amor incondicional de sua parceira que o filme se centra. Apensar de tudo, ela está ao seu lado. Com idas e vindas, mas sempre presente. 
O que acaba dando as feições mais conservadoras ao filme – além de tantas opções estéticas, como apontou Bernardo Carvalho em recente crítica – é o fato de a mulher, mesmo movida por seu amor incondicional, não ter seu desejo alterado ou perturbado por tudo que acontece com o marido.
O filme se apoia assim em um jogo binário – ou ele é homem, ou ele é mulher. Se ele for homem, a relação com ela pode existir, se for mulher, não há sexo. A centralidade narrativa passa assim a ser totalmente pauta pela lógica heterossexual da mulher, inalterada, mesmo quando seu marido não para de escancarar as portas para outras possibilidades eróticas.
O que poderia ser uma história libertária, acaba se tornando uma história que corrobora a impossibilidade daquele homem, com seus desejos subversivos para a época, mudar qualquer coisa no seu entorno, nem mesmo a mulher que o ama.

Zica e ciência

Os acontecimentos associados ao Zica e os casos de microcefalia são reveladores do funcionamento de toda ciência. 
Subitamente, aqueles que deveriam dar as boas respostas e organizar as ações contra a epidemia se embaralham, falam sem muita certeza ou são absolutamente ineficazes. 
No momento que a ciência falha, são convocados todos os atores sociais que de alguma forma podem influenciar as tomadas de decisão e as origens do problemas.
Talvez os casos de microcefalia sejam causados por uma vacina ou talvez por um pesticida da Monsanto - gigante que além de pesticidas produz sementes suicidas. Mas, não são apenas as eventuais erros, também científicos – vacina, pesticidas – que são convocados, também as condições de saneamento e os poderes públicos que poderiam ter evitado a proliferação dos mosquito. Além disso, a epidemia acontece na véspera de uma Olimpíada, o que transforma o problema local em algo global que
envolve grandes investimentos.
Os mesmo poderes locais, junto com a mídia, precisam, se não conter o vírus, pelo menos administrar a informação sobre ele, controlar a circulação do que se sabe e diz sobre a doença. A OMS anunciou ontem grandes investimentos para combater o Vírus. A maior parte das verbas vai para conscientização, ou seja, mídia.
O Zica e os casos de microcefalia são assim reveladores do funcionamento da ciência - fundamentalmente suja e opaca, distante de qualquer assepsia ou isolamento.
Se algum dia a ciência foi animada pela curiosidade, pelo livre pensar ou pelo simplório desejo de melhorar o mundo, nesse caso estão evidentes os fatores sociais, econômicos, interesses de estado e multinacionais, estruturas de poder midiáticas e globais.
O que perturba a ciência é que o “sujeira” venha a tona, que a solução para um problema se torne um debate em que essa mistura opaca tenha influencia. Perturba a ciência que as operações em torno de um mosquito sejam um problema sem exclusividade dos homens e mulheres de branco em seus laboratórios.
A sujeira sempre esteve lá, a confusão de opiniões que circula no momento não é o contrário da ciência, mas ela mesma.

"Manifesto Contrassexual" de Beatriz Preciado.

Com mais de 10 anos de atraso acabo de ler o "Manifesto Contrassexual" de Beatriz Preciado.
A leitura é instigante e frequentemente bem humorada, o rigor teórico e a metodologia são inspiradoras.
Mas, o melhor, é a aposta política não essencialista ou conservadora na discussão de gênero. Como se livrar das separações dicotômicas homem/mulher e, ao mesmo tempo, não abandonar a crítica à centralidade hetero? Como pensar o feminismo sem o que ela chama de "feminismo separatista", que acaba por se confundir, por oposição, aos discursos heterocentrados e falocêntricos?
A Carla Rodrigues escreveu uma ótima resenha para a CULT.
última obs. Ah como seria bom se os psicanalistas transitassem por ai!

Carnaval

O carnaval no Rio de Janeiro me dá uma certeza: qualquer melhora do espaço urbano passa por uma intensa carnavalização. 
Há quatro dias a cidade está ocupada por pessoas que transpiram uma alegria com a rua e com todos que estão em torno. A mistura é muito intensa, a circulação dos carros é bem menor, a segurança é maior, anda-se a pé enormemente, as múltiplas opções sexuais são amplamente aceitas, os desejos e criações tomam formas imponderáveis . Há uma bagunça que antes de ser transtorno é a vida da cidade sendo vivida pelas pessoas que fazem dela uma cidade. Quando o louco é apenas mais um.
Não, não se trata de um carnaval eterno, mas da evidência de que muitos dos problemas das cidades - segurança, preconceitos, circulação – são resolvidos quando as ruas são ocupadas, quando se tem tempo e festa.