29 de dez de 2013

A copa de todomundo

Na agência de publicidade:

- Tá todo mundo achando que a copa é elitista.
- E que é muito dinheiro pra poucos...
- Padrão Fifa só pra meia duzia. é o que as pessoas acham.
- Pra gente é uma merda! 
- Porra! e essas manifestações... Ninguém vai botar dinheiro em mídia se quando se falar em Copa o pessoal pensar em manifestação.
- A Nike tá usando o cabelo-periferia do Neymar direto!
- Mas o cara é o Neymar porra.
- Precisamos dizer que a copa é de todo mundo!
- é isso!
- Boa!
- E ai colocamos um narrador nordestino.
- Booooa!
- E falamos que a Copa não vai ser só "pra quem a gente sabe que vai ser "
- boa! hahaha! Boa.
- é isso.
- E colocamos um cara sem perna....
- sem perna?
- Porra, sem perna não dá!
- Dá sim! a Coca precisa ser radical!
- e um indio também.
- isso!
- isso!

https://www.youtube.com/watch?v=u-tp3SwitMY
(dica da Fernanda Bruno)

Educar a população

Para educar a população e limpar a cidade, no Rio de Janeiro já é proibido jogar guimba de cigarros no chão.
Felizmente ainda é possível andar de Land Rover 4X4 sozinho. Ufa!

Rolezinhos e cinema




Os “rolezinhos” que vem acontecendo em alguns shoppings me fizeram lembrar de uma cena de De pernas pro ar 2.
No filme,  o casal carioca vai de férias para Nova York com o filho de 11/12 anos e leva a empregada doméstica -  uma espécie de baba para a criança bem crescida. Tudo tratado com naturalidade.
Em uma das tentativas de comicidade com a ignorância da empregada, já em Nova
York, uma montagem paralela mostra a patroa, sua família e sócia entrando em lojas de grife e na loja da Mac e saindo com muitas sacolas, enquanto isso a doméstica se esbalda em uma espécie de megaloja de conveniência e sai com produtos de higiene e até uma vassoura.
A doméstica não só não tem dinheiro como também não sabe o que é bom em termos de consumo. Se satisfaz com nada.
Pois, os rolezinhos tornam sequencias como essas ainda mais constrangedoras. Explicitam o preconceito e a distância que essas comédias Jardim Botânico têm com o país.
Se alguns foram expulsos dos centros de consumo na certidão de nascimento, quando ali aparecem,  perturbam todo esquadrinhamento organizado pelas elites que se esforçam na separação, seja com as paredes sem janela dos shoppings, seja pela montagem paralela.
Invadir o shopping, zoar, se fazer presente, explicitar a exclusão, mostrar que se o consumo é parte dos processos subjetivos, a galera também sabe consumir; tudo isso é parte do rolezinho no shopping.
Já no cinema... que falta faz um rolezinho.

4 de dez de 2013

Mostra Cinema e Direitos Humanos - Homenagem a Vladimir Carvalho


Prezado Vladimir, amigos e colegas de engajamentos

Muito me toca estar aqui hoje, como Coordenador da Mostra e Chefe do Departamento de Cinema da UFF.

Poder apresentar uma mostra em homenagem a ti, Vladimir, é antes de tudo um agradecimento.

Os que se interessaram pelo Brasil, pela democracia e pelos direitos humanos aprenderam nesses teus tantos anos de carreira a acompanhar a tua trajetória de cineasta interessado em documentar o país e seu povo.

Sabemos, meu caro, que documentar para ti não é fazer um cinema apenas explicitando o que o mundo já nos apresenta, mas uma forma de invenção e criação de uma sociedade mais justa em que cada um tenha o direito de fazer diferença na comunidade em que vive.

Não é esse o nosso ideal de democracia, ou a democracia do documentário? Uma democracia que sabe das potencias de vida, das capacidades políticas e inventivas dos homens e mulheres comuns?

Teu cinema trouxe o sertão para o grão da película e, especialmente aqui, em Brasília, se dedicou a contar as histórias dessa cidade, a questionar seus espaços de exclusão, fazendo do cinema um projeto rigoroso e urgente.

Como professor na UNB, segues como uma inspiração para nós que cotidianamente estamos na universidade.
Nas artes e no engajamento político, as hierarquias entre professores e alunos se dissolvem, e nos vemos todos no mesmo barco, escutando atentos aos homens e mulheres que o cinema insiste em fazer presente, respeitando suas formas de vida, seu direito às riquezas da comunidade e à diferença que os singulariza.
Pois foi com esses alunos também que essa Mostra foi produzida; aqui também vens como inspiração.

 Nesse espírito, assistiremos um breve vídeo feito para o dia de hoje.

Caro professor, cineasta, colega.
Em nome da Mostra, da UFF e de todos os parceiros,
Muito obrigado!