29 de jun de 2012

A sala de ópera e o que podemos: notas para uma conversa sobre cultura em Fortaleza.


Gostaria de compartilhar um artigo que escrevi no ano passado para uma conferência de cultura de Fortaleza.

http://www.calameo.com/books/00036052414d150654663

O artigo foi editado agora em um caderno com vários outros textos.
Como seria bom se no Rio tivéssemos pelo menos um Conselho de Cultura!

27 de jun de 2012

nostalgia da centralidade ou do esvaziamento da política

Link para uma pubicação na revista da PUC/RJ.
Artigo em coautoria com Ednei Genaro

Resumo:
Através de um mapeamento de discursos e práticas, o artigo identifica movimentos em que se produz uma nostalgia das centralidades que legitimam, julgam e hierarquizam comunidades, indivíduos e estéticas. Argumentamos que tal nostalgia perfaz, na verdade, uma forma de se esvaziar a política e, consequentemente, de se retirar dos jogos de poder aqueles que não são acompanhados de uma legitimidade que anteceda suas práticas. Ou seja, em oposição às centralidades nos esforçamos para pensarmos as construções em rede e a política como a possiblidade do “um qualquer” fazer diferença na comunidade.
Palavras-chave
Política; Internet; Rede; Mediação; Educação.

Greve de estudantes (para os alunos da UFF)


A greve de estudantes é absolutamente legítima, uma vez que eles se negam a participar do papel que lhes cabe na sociedade nesse momento da vida.
Os estudantes em greve estão deixando de participar da ordem social, estão demostrando que uma instituição não está funcionando.
Negar a possibilidade de greve para estudantes é entender a greve apenas como um problema privado – o meu salário, o meu trabalho - e não como uma possibilidade de intervenção pública.
Nesse momento, o mais importante movimento politico no Quebec, em anos, acontece por conta de uma greve de estudantes por melhores condições nas universidades e custos menores. Essa greve coloca todo estado em questão.

20 de jun de 2012

Festival de Inverno da UFMG em Diamantina



Em julho acontece o Festival de Inverno da UFMG em Diamantina.
Olhei com calma a programação e diria que esse festival é dos gestos mais bonitos e políticos que vi a universidade fazer nos últimos tempos.

Trata-se de um festival complexo, feito de pequenas intervenções e o tempo todo atento ao conhecimento local, à comunidade e as possibilidades estéticas dos encontros entre atores muito diferentes.

O Festival faz um grande esforço apostando em um universidade forte, com grande capacidade de ação, mas, ao mesmo tempo, permeável à toda invenção que não passa por ela, por modos de vida que não são facilmente incorporáveis à lógica do mercado, da mídia e da academia. Impressiona a capacidade de dar corpo e promover ações com tanta ressonância com as reflexões políticas e estéticas que são feitas hoje em certos meios acadêmicos.

Uma das belas facetas do festival é a facilidade com que se passa de uma intervenção mais ligada ao universo das artes a um escritório público de arquitetura com a presença de um advogado ou de como aproxima, como proponentes de ações, doutores e crianças. Estética e politica fazem parte de ações que não são restritas a artistas ou a gestores e advogados.

Mais do que uma simples aposta na diversidade, o festival consegue traçar uma continuidade entre as questões estéticas, urbanas, discursivas, legais e expressivas. Essa linha de continuidade é propriamente um não isolamento das forças e desafios das próprias vidas no esforço de inventar um comum, ou seja, “uma comunidade de partilha” em que essa comunidade parece desejar rever-se reexperimentar-se, indo buscar em múltiplos cantos e saberes – populares, acadêmicos, indígenas – as potências para uma invenção no presente, para uma forma de estar junto e sermos muitos.

Diamantina,
Julho – de graça!



13 de jun de 2012

O capitalismo organizando o descontrole e a inventividade


A chamada para um recente simpósio realizado pela ABA (Associação Brasileira de Anunciantes),  patrocinado pela Petrobrás, Governo Federal, Caixa e empresas privadas, não poderia ser mais explicita:
O evento tem como objetivo “discutir os desafios, as oportunidades e as melhores práticas comerciais e mercadológicas que possibilitem transformar o Rio de Janeiro no grande produto nacional e internacional do momento" 

Eles provavelmente mostraram esse anúncio da Coca-Cola: 


Não só transforma as estratégias policiais em publicidade como organiza a desordem a inventividade das vidas para o capital.
Se a cidade e a vida são os produtos, o pessoal anda no caminho certo.



10 de jun de 2012

Coréia do Sul


O Globo em 10.06.2012:
Lições do 'milagre econômico' da Coreia do Sul para o Brasil Puxado por Samsung, LG e Hyundai e movido à tecnologia, o país asiático cresce e vira exemplo.

Guattari 1989:
"A instauração a longo prazo de imensas zonas de miséria, fome e morte parece daqui em diante fazer parte integrante do monstruoso sistema de "estimulação" do Capitalismo Mundial Integrado. Em todo caso, é sobre tal instauração que repousa a implantação das Novas Potências Industriais, centros de hiperexploração tais como: Hong Kong, Taiwan, Coréia do Sul etc."

9 de jun de 2012

A crise e a dívida


A crise é o momento em que todos os processos libertários são estancados.
-Agora não, não podemos arriscar, é preciso se controlar, etc.
E nós, que não estamos em crise?
Temos as dívidas. Podemos crescer emprestando, diminuído os juros e aumentando as parcelas. Podemos comprometer os ganhos de uma vida.
Se você tem um dívida é preciso se controlar, não é bom arriscar. O dia de amanhã é o dia de pagar o que se deve.
Crise e dívida são operações muito parecidas.

Nos dois casos há produção demais e consumo de menos.
Nos dois casos é bom não arriscar.

8 de jun de 2012

Violeta Foi para o Céu

Passei a semana lendo um capítulo do mil platôs - 1837 - A cerca do Ritornelo. Na edição brasileira está no Livro 4 -  que parece descrever o Papel da música nesse filme.

Primeiro a música pode aparecer como um assobio. Uma criança anda pela rua e cantarola, isso garante um território, afasta a criança do caos, um esboço de um centro estável.

Depois a música e a sonoridade inventam uma casa, um território que é sempre criação. As forças do caos são mantidas do lado de fora e no seu interior um rádio ou uma música garantem o território.

E, simultaneamente, os limites do lar nunca são absolutos, há sempre uma fresta por onde entra o caos, um estrangeiro ou por onde podemos sair e retomar o caos, lançarmo-nos nas forças da improvisação e do descontrole.

Violeta parece passar por todas essa potências da música. Com ela o Chile circula e lhe garante uma estabilidade, com ela se constrói um forte, uma cabana, mas esse território é invadido por diversos poderes e desejos, refazendo o contato com forças excessivas, maiores que ela própria.