21/08/2009

O que eles pensam? 2

Segundo uma reportagem da Folha de São Paulo, Suze Orma é a analista financeira superstar da economia americana.

Folha: Que erros são evitáveis para não se cair na pobreza?
SO: Todos.
Para começar não compre para impressionar. Depois, faça planos só com o dinheiro que tiver em conta, nunca com o que vai cair. Só compre a prazo o fundamental, não use cartão para satisfazer seus desejos de consumo. Temos que ser melhores e maiores do que nossas vontades.


Tudo politicamente correto.
Só é pobre quem quer. Tudo é uma questão de auto-controle.

Temos que ser maiores que nossos desejos. Agora sim chegamos ao que interessa à Suze Orma: Não tenha vontade de nada, não deseje nada. Consumo sim, mas controle sobre o desejo. Desejar algo pode ser um perigo!

20/08/2009

O que eles pensam?

No capitalismo contemporâneo não há mais nada para ser escondido.
O cinismo é a ordem.
Explicitar o seu próprio poder é a forma de arrebatar os corações.

"Para que uma mensagem publicitária seja percebida, é preciso que o cérebro do telespectador esteja disponível. Nossas emissões têm a vocação de tornar o cérebro disponível: ou seja, divertindo-o, relaxando entre duas mensagens. O que vendemos à Coca-Cola é tempo de cérebro humano disponível."

Patrick Le Ray, presidente da TF1 (principal canal de TV francês) - Citado por Maurízio Lazzarto em Revoluções do Capitalismo.

25/09/2008

FIM

Não estou mais postando neste blog.
Continuo com os ensaios e críticas na Revista Cinética.
abraços
Cezar Migliorin

17/08/2008

Viagem à Superfície

Link para a exposição que tive a felicidade de fazer em Fortaleza - até o dia 5 de setembro no Mauc.

FICHA TÉCNICA

Realização
Curso de Especialização em Audiovisual em Meios Eletrônicos, do Instituto de Cultura e Arte, da UFC
Coordenação
Beatriz Furtado
Produção Executiva
Gláucia Soares
Assistência de Produção
Rúbia Mércia, Mariana Smith, Nonato Neves, Waléria Américo e Geórgia Cruz
Diretor do Mauc
Pedro Eymar
Concepção Visual
Frederico Teixeira

Live Cinema

Festival de cinema com intervenção ao vivo na imagem, no som.
Assisti 3 trabalhos na sexta.

O problema.
Que tipo de efeito o "ao vivo" traz para a imagem? Como o que o espectador vê é afetado pelo fato de estar ao vivo?
Mais, que tipo de tensão para a imagem o live traz?

Fiquei um pouco em torno dessas perguntas.

A amiga Paola Barreto, em parceria com David Cole, apresentou um trabalho muito bom!

Quatro câmeras (vigilância) no espaço da Caixa Cultural, 10 performers e uma edição de som e imagem ao vivo na sala de cinema.
Alta tensão. O trabalho joga com a temporalidade da câmera de vigilância e do ao vivo de maneira super eficaz, frequentemente colocando o espectador em um mar de dúvidas e perguntas sobre o seu lugar mesmo diante das imagens.

O reverse ao vivo é um dos ótimos estranhamentos que os artistas trazem para o live e para a segurança.

5, 4, 3, 2, 1, - Paola abre o "filme".

O trabalho é uma bela e poética maneira de se retomar o uso das câmeras - além da informação e do controle, aquele mesmo aparato ganha uma dimensão estética cheia de humor.

Um prazer.

28/07/2008

Pausa e link

Faço uma pausa até o dia 15 de agosto.
meu abraço

um link: "O Escafandro e a Borboleta", na Cinética.

20/07/2008

Porque filmar uma pessoa?

Participei essa semana de um animado debate com dois espectadores, em Teresópolis, durante os Festival de Inverno.
Fui convidado para conversar sobre três curtas contemporâneos

Rua da Escadinha 162

Direção: Marcio Câmara


O Homem-Livro

Direção: Anna Azevedo


O chapéu do meu

Direção: Julia Zakia



Uma das questões que tentei pensar é das mais óbvias do documentário. Porque se filme a pessoa x ou y? Porque um filme escolhe o Caetano Veloso e não o Mia Couto, o porteiro da minha casa e não a caixa do supermercado?

Cada um desses três filmes se concentrava em um personagem específico.
No caso de “O chapéu do meu avó” a resposta é óbvia. Filmar a família sempre foi razão suficiente para se fazer um filme.
Não é preciso ter outra justificativa se filmar o avô além do fato de ele ser o avô .

Mas, o que acontece no caso dos outros dois personagens?
Eles são excêntricos, performáticos, eventualmente divertidos.
Seriam então essa características suficientes para a escolha?

Se concordamos que sim, o cinema deve então ser encarado com um gigantesco inventarista.
Enquanto houver gente haverá cinema.

Como no Curta do Furtado.... como é o nome mesmo?
Essa não é sua vida?
Toda e qualquer vida é tranformável em filme.

Justificar a escolha desses personagens pelo o que nelas difere de vidas mais ordinárias, como a minha, por exemplo, me parece muito pouco.
Ou melhor, não é o personagem que justifica o filme.

Ah! Mas isso é difícil demais de entender!

12/07/2008

Bartleby, o escrivão

Li essa semana um desses livros que a gente tem vontade de dizer que leu sem nunca ter lido.
Bartleby, o escrivão, do Herman Melville.
O bordão do Bartleby todos conhecem.
- Eu preferia não.
Mas o livro é muito mais que isso. Humor ácido, reflexividade delicada no meio do séc. XIX e um tom metafórico muito sutil.
No escritório do narrador, um advogado burocrata, mais três personagens excelentes compõe a cena, garantindo a estranha mistura entre a normalidade e o estranhamento da performance de Bartleby.
A fórmula do "preferia não", como diz Deleuze, "germina e prolifera", sendo colocada em dez ocorrências diferentes. A narrativa varia em torno de uma mesma negação.
Bartleby é resistência e abandono.
Como escreve Melville na última frase do livro:
Ah, Bartleby! Ah, humanidade!

11/07/2008

PT e PSDB unidos

Finalmente os dois grandes partidos brasileiros estão unidos.
Em Minas Gerais?
Não!
Daniel Dantas os uniu.
Todos calados, ninguém consegue prever os desdobrametos do caso.
Minha aposta é que uma certa jornalista da imprensa carioca acabará presa - até o Gilmar Mendes soltar, é claro.
O Blog do Paulo Henrique Amorim está imperdível.
O protesto dos juizes contra Gilmar Mendes.
A matéria On-line da Carta Capital. (É só o começo, título da edição que está na Bancas)
enquanto isso: o Leblon continua lindo.

09/07/2008

Jay Parini, "A arte de Ensinar"

O tempo foi passando e meu interesse em dar aulas foi se tornando minha principal atividade profissional.
Meu primeiro trabalho remunerado foi como professor de inglês. O curso que me contratou devia estar desesperado atrás de professores. Eu falava inglês mas não tinha nenhuma noção da língua, isso foi com 17 anos. De lá para cá falo menos e continuo ignorando os desvios, regras e invenções da língua.

Ser professor raramente foi um problema de método. Raramente tive a oportunidade de discutir o lugar do professor em sala de aula, o método, as formas de avaliação, a relação com os alunos, etc.

Às vezes trocamos algumas idéias com os mais próximos, mas nunca de maneira sistemática.
Normalmente, ser professor universitário é antes um problema de conteúdo do que de método ou estratégias de ensino.

Acabei ontem de ler um prazeroso livro sobre assunto.
Jay Parini, com 56 anos e três décadas em universidades americanas e inglesas como professor de literatura, faz, em "A arte de ensinar", uma reflexão sobre seu trabalho.

O livro caminha entre o autobiográfico e as dicas para jovens professores.

Para mim, o prazer da leitura se deu pela forma sincera e libertária com que Parini se coloca diante do leitor e dos alunos.

Trata-se de um professor normal que ficou preocupado com a carreira, com as publicações, com a burocracia e com sua própria produção artística, de prosa e poesia.

É um livro rápido, para ser lido em um par de dias, mas que me reconectou com tantos dos desafios com os jovens que a cada início de cada semestre encontramos na sala de aula.

02/07/2008

Um BMW no meio da página

O Globo faz uma paginação forte no caso do assassinato do rapaz na frente da Baronetti.

Na mesma página coloca a carta da promotora em que fala que seu cargo exige "sacrifícios que só realizamos com determinação e coragem", que ela é uma uma mulher "implacável, em busca da justiça e da paz". Diz ainda que leva uma vida de medo, sem paz e que seu filho cresceu sem poder brincar como os outros garotos, feliz.

Segundo ela Pedro, o filho, cresceu "com valores rígidos, com caráter, decência e honestidade". "Pedro é um prisioneiro"
Por ai vai a carta da promotora.

O que ela não sabia era que o jornal colocaria na mesma página a foto do carro do filho, um BMW. (leia com atenção a descrição da 4 rodas)

Com a paginação o jornal destruiu a promotora.

Que prisão, rigidez, honestidade é essa que comporta o BMW?

Para o discurso da promotora se sustentar o carro não poderia aparecer.

O Globo se mantém no seu papel de destruição de toda e qualquer autoridade que não seja a mídia. A promotora é inimiga.

Ao mesmo tempo, que desejo é esse de justiça que permite que um jovem de 18 anos saia com um BMW de mais de 100.000 reais?

"Quero justiça para todos", a frase é da promotora Márcia Velasco.

30/06/2008

O Bandido da Chacrete, Julio Ludemir

Acabei de ler essa semana "O bandido da Chacrete", do Julio Ludemir.
O livro é uma bela e emocionante teia entre a cidade do Rio de Janeiro e a formação do Comando Vermelho, a história de Paulo César, um dos fundadores do Comando e hoje camelô no centro do Rio e a própria pesquisa do autor, permeada pela forma como a escrita alterava a vida.

Li o livro por conta da proximidade que tenho tido com o Ludemir na secretaria de Cultura de Nova Iguaçu onde ele é um dos adjuntos. Esse amigo é um profundo conhecedor das favelas e dos poderes que pela favela circulam.

Há nesse livro uma atenção tanto às micro-estruturas do crime; o discurso e as formas de auto-afirmação dos bandidos quanto à organização geral das cadeias e o momento histórico.

O livro acabou de ser escrito em 2007, é muito recente. Os personagens do livro estão vivos, escrevendo em jornais e fazendo a história da cidade.

Uma outra coisa que gosto muito no livro é a fusão entre uma reportagem profunda e uma escrita muito amarrada e bruta, sem meias palavras.

Há uma atenção com o personagem que é muito interessante.
Durante o livro experimentamos uma multiplicidade de sentimentos em relação a Paulo César. Da admiração ao desprezo. O cara consegue surpreender o leitor com a inteligência e com a estupidez, com a habilidade e com o despreparo para a vida.
O autor trabalha isso de maneira muito sutil e sem fazer nenhum julgamento de valor que supervalorize a inteligência ou a estupidez.

Ao mesmo tempo meu filho de 10 anos iniciou "Mais um pai", também do Julio.
Nos nossos últimos cafés da manhã ele tem nos narrado as aventuras de um menino que adora videogame e vive o drama de poder escolher qualquer presente de aniversário para o avô.

Fechei o Bandido da Chacrete na beira de um rio, na Serra da Bocaina, com lágrimas nos olhos.

28/06/2008

Um dia no Brasil

Essa foi uma semana de pesquisas.
Ideb, que indica a evolução da educação básica.
Pesquisa sobre desigualdade do Ipea.
Índices sobre desemprego.

Nesta mesma semana, com a morte da D. Ruth Cardoso houve o momento do abraço emocionado entre Fernando Henrique Cardoso e Lula.

No ano passado acompanhei as eleições francesas mais de perto pois estava passando um ano em Paris. A cada debate entre os candidatos, me lembrava da situação brasileira.
Sarkozy é triste para qualquer país, claro. Mas não era apenas ele que trazia um tom de tristeza para quem se interessa em política, para quem gosta daquele país. Ségolène Royal, do Partido Socialista, com quem Sarkozy disputou o segundo turno, também era parte da derrota da política.

As pessoas brilhantes estavam fora da política.

O abraço de Lula e Fernando Henrique me remeteu a esse momento francês em que uma eleição presidencial era decidida por pessoas sem nenhum marco simbólico em suas vidas que desse peso àquele lugar que ocupavam ali.

Goste ou não de Lula ou Fernando Henrique, estamos falando de homens decisivos para o país mesmo antes de terem sido presidentes.

Tenho tido muito orgulho do país. Por uma lado por conta desses resultados expressos nessas pesquisas que citei acima, por outro por conta da experiência que tenho tido como secretário adjunto de Cultura em Nova Iguaçu.


Tenho tido o privilégio de estar cotidianamente em contato com pessoas de um enorme engajamento com a questão pública. De estagiários a diretoras de escolas, de burocratas ao primeiro escalão do governo.

Desse pessoal que está lá não se criará um novo partido, como Lula e os companheiros da época fizeram em 80. Dificilmente sairá um novo Fernando Henrique, os tempos são outros. Mas, certamente, a política não está derrotada como no exemplo francês.

O abraço dos dois ex-presidentes marca um momento histórico e um momento de passagem na nossa história. Lula é real demais para a elite e irreal demais para um país. Estamos agora construindo um pós Lula, como pessoas normais, engajadas, com trabalho sendo feito em de maneira pulverizada em tantos lugares.

Na pesquisa do Ideb, por exemplo, das 30 escolas com Horário integral de Nova Iguaçu em 2007, 22 ultrapassaram a meta colocada pelo Mec. 6 apenas alcançaram a meta apenas 2 não chegaram. Esse sucesso é por conta de pessoas que ganham uma grana muito apertada para o mês, estudam e trabalham muitas horas por dia.

Em uma das primeiras escolas que visitei quando assumi o funcionamento das Oficinas Culturais da cidade, uma coordenadora do Horário Integral (hoje 42 escolas de Nova Iguaçu tem horário Integral para a educação primária) me disse meio en passant, que pegava picolé consignado na venda para vender na escola para poder ter dinheiro para tirar xerox para passar os trabalhos para as crianças.
Contei essa história para uma amigo que reagiu impressionado com a "história de superação".
É verdade, uma bela história de superação. Mas o que me impressionava era o desastre.
Como pode essa pedagoga ter que vender picolé consignado para tirar xerox?
Só eu buscava uma interpretação para aquela história; desastre ou superação.
Para a professora era apenas uma meia hora semanal que resolvia o problema dela com o xerox da mesma semana.

Ontem, durante a Conferência de Cultura da Cidade, tive a honra de poder falar sobre o papel do artista no governo.

Fiz uma fala demasiadamente teórica para um público ávido de respostas e idéias sobre o problema da arte e da cultura no Município. Era como se eu tivesse dando mais atenção ao picolé que à fotocópia. Sai em dúvida sobre a minha abordagem conceitual sobre o "devir artista" do governo, mas feliz com o engajamento e com a possibilidade de poder dizer para o pessoal de fora de Nova Iguaçu o que estamos fazendo por lá, os resultados etc.

Depois da conferência peguei um trem cheio. Na sexta a noite o trem que sai da Baixada para a Central é muito diferente dos outros dias da semana. Pessoas muito pobres, cheias de crianças, travestis e prostitutas. Vim em pé e tentei dormir encostando a cabeça no braço com que me segurava.

25/06/2008

Morro da Providência

Brevíssima colaboração com o novo Blog do Écio Salles e do Marcus Faustini.
Vale acompanhar os caminhos desse Blog.
Os dois são engajados agentes e pensadores das questões da periferia.
O Blog é hospedado pelo jornal O Globo.

Não é piada!

Saiba como escolher seu candidato nas eleições municipais de 2008 e quais alianças vão estar em jogo na disputa. No dia 30 de junho, no Rio de Janeiro, a cientista política e comentarista da CBN Lucia Hippolito vai detalhar o panorama das eleições municipais que ocorrem em outubro. Venha assistir à palestra!

Local: Livraria da Travessa do Shopping Leblon. Av. Afrânio de Melo Franco, nº 290, Leblon

Data: 30/06/2008

Horário: Das 20h às 21h

Entrada gratuita

24/06/2008

Os dados do Ipea. Impressionante

LULA MELHOROU A VIDA DOS POBRES: A ELITE NÃO AGÜENTA, por Paulo Henrique Amorin (link)

Márcio Pochmann, presidente do Ipea na Record.

"O espetáculo da perda"

Cléber Eduardo analisa a entrevista da mãe de Isabella ao Fantástico.
Na cinética.

21/06/2008

IDEB e Jornalismo

Índice de Desenvolvimento da Educação Básica

Para consultar o resultado de cada escola, de cada município.


Fiz um breve post abaixo sobre alguns números do IDEB.
A divulgação desse índice explicita a forma do jornalismo atuar.
O Globo dá especial destaque aos vinte melhores e aos vinte piores resultados do
A opção é pelo extraordinário e não pelo jornalismo e pelo trabalho.
"Cieps estão entre as piores..."

Na folha de São Paulo a opção não é diferente.
"Só 1% alcança alcança nota de países desenvolvidos". Aqui também há um total desinteresse em entender as metas, os resultados e a realidade.

O tom de denúncia continua - na Folha :
"Na 8ª série, onde a meta até 2021 é de 5,5, o número de escolas ou cidades que já chegaram ao nível projetado é menor ainda: 189 escolas (0,7% do total) e sete cidades."

Ter um projeto até 2021 já é em si algo admirável! O mais preocupante é que apenas 61% das escolas de 8ª cumpriram a meta para 2007.

É na média que está a educação brasileira.
Impressiona essa constante opção pelo tom de denúncia.

A pesquisa é feita em todas as escolas brasileiras. Material para se pensar muito, tanto no nível macro como na ação em cada escola.

O Estado de São Paulo fez matéria mais neutra. (link)

Apenas em Nova Iguaçu são 105 escolas municipais.
As 20 mais e as 20 menos não falam nada sobre o país.


Educação e Nova Iguaçu.

O resultado da pesquisa sobre a qualidade da educação no país feita pelo Ministério da Educação indica que mais de 80% das escolas de quarta série atingiu a meta para 2007.

Das escolas de pior desempenho há um ano - 1242 -, que receberam espacial atenção do MEC , 1135 alcançaram a meta.

A matéria de O Globo consegue achar o pior dado e se concentrar nele. Parte do jornalismo patético. É o óbvio mas é sempre surpreendente. No site do MEC podemos ver que 72,5% da oitava série atingiu a meta estipulada em 2005 para 2007.


Nova Iguaçu, ultrapassa a meta para as crianças nos anos finais de escolarização e quase atinge a meta de 2009 para os anos iniciais.

Precisamos agora fazer um levantamento do efeito do horário integral no rendimento escola.


Alguns dados iniciais: uma Escola como a Alice Couto, em que o Horário Integral funciona bem, o resultado quase atingiu a meta de 2011, colocada pelo MEC. A Capistrano de Abreu, o resultado ficou acima da meta de 2011. A Orestes, uma grande escola, o resultado ultrapassou a meta para 2015. Resultados fantásticos.

Oficina Cultural em Nova Iguaçu

Filmar o outro é confrontar a minha mise en scène com a do outro”, escreveu Comolli

No livro do francês Clément Rosset, "Propos sur le Cinéma", ele faz considerações sobre o cinema: "A imaginação delirante pretende mudar o mundo, a imaginação "normal" pretende mudar a cena."

A idéia é boa.

me fez pensar na questão da política como cena - criticado por Antonio Negri, por exemplo - que trabalhei em um artigo na Revista Cinética.

Para Rancière, toda atividade política é um conflito para dizer o que é palavra e o que é grito, o que é parte de um comum e o que pode ser apenas separado dele. Recortes que constituem a própria dimensão estética da política.

[Um] recorte dos tempos e dos espaços, do visível e do invisível, da palavra e do grito que define ao mesmo tempo o lugar e o que está em jogo na política como forma de experiência. A política ocupa-se do que se vê e do que se pode dizer sobre o que é visto, de quem tem a competência para dizer sobre o que é visto, de quem têm competência para ver e qualidade para dizer, das propriedades do espaço e dos possíveis do tempo

Esta composição entre visibilidades e dizíveis é o que produz a política como cena para Rancière, tendo o teatro como modelo. O crítico e cineasta francês Jean-Louis Comolli, ao pensar as subjetivações e o universo do documentário, faz uso de uma metáfora teatral também. Para Comolli, os indivíduos estão constantemente passando de uma mise en scène a uma outra. Articulando várias mise en scène ele constitui a sua própria. “Filmar o outro é confrontar a minha mise en scène com a do outro”, escreveu Comolli. (continua)

Leis de incentivo

Entrevista com Juca Oliveira no Estado de São Paulo.

19/06/2008

Esculturas e Monumentos em São Paulo

Os monumentos públicos de São Paulo.
um belo trabalho!

Serras da Desordem, livro

O professor da UFF Daniel Caetano organizou um pequeno e importante livro sobre o filme Serras da Desordem, de Andréa Tonacci.
Um dos mais importantes filmes feitos nos últimos anos.
O livro é editado pela Azougue e começa com um texto do Ismail Xavier.
Com seu estilo sóbrio e rigoroso, Ismail se apega à análise fílmica. Vê-se cada vez menos análises como ele trabalha. No detalhe do filme, no processo de criação e formação de sentido.

TVs pagas e o nosso jornalismo

Net detêm 80% do mercado de assinatura das Tvs pagas.
Ouça o Bittar sobre o Projeto de Lei 29 no Blog do Azenha. (Importante)
Entrevista no início do ano com Bittar.

Ainda o jornalismo patético (e desesperado) da CBN. (também no Blog do Azenha.)
Lúcia Hipólito compara Dunga a Lula.

Merval Pereira no Jornal da Globo.
Para ele, os problemas da Argentina têm apenas um interesse; qual o efeito sobre o Brasil. Se a situação dos grãos lá piorar e isso for bom para a economia brasileira, devemos comemorar.

18/06/2008

Tonacci em Ouro Preto

Belo depoimento do Andréa Tonacci que o Cléber Eduardo colocou na lista da Revista Cinética.

Essa energia, esse tempo de produção, está no Serras da Desordem.
Mas, não é o grito e a expressão da urgência e do desejo apenas que aparece em Serras da Desordem, mas o milimétricamente pensado, o desenho lógico e detalhista.


"Não sou historiador, não olho tanto pra trás pra tentar entender o papel que a gente teve fazendo filmes, mas o que eu sentia... Se existe uma coisa que eu posso dizer hoje, que eu sinto ao olhar pra trás, é que quando a gente fazia cinema naquela época, não fazia porque tinha um projeto, 'eu vou fazer um filme porque tenho um projeto, vou realizar um projeto'. Aquilo era mais um caminho de vida, realmente uma tentativa de intervenção na realidade. Eu acho que se fazia cinema pra mudar o mundo e não pra ganhar dinheiro, ou pra ocupar mercado, ou coisas nesse sentido. Era um cinema que nascia da raiva, de uma dimensão de mundo que estava em volta que era totalmente opressiva, vivíamos uma época de ditadura militar no Brasil e de revolução no mundo inteiro, revoluções opostas às vezes, mas num sentido de libertarismo na França que levava, inclusive, à destruição do conceito de 'cultura' como um processo de acúmulo, como um processo de ego, um processo de poder de História e esse tipo de coisa. Eu vejo Rogério e Glauber hoje, ao longe, como dois gêmeos. De idades diferentes, filhos de mães diferentes, mas por um acaso gêmeos no mundo, gêmeos neste momento de intervenção e consciência do que significava um processo de intervenção na realidade através da imagem. Esse poder a gente vê quando assiste a Deus e o Diabo, e sabemos ali o que é a cultura visual de um homem, e vemos em Rogério o que é a cultura de um outro homem, uma outra concepção cinematográfica, digamos."

"Em 66, quando fomos ao Rio, no Festival JB, eu acredito que já ali ficou claro que existia um outro grupo de pessoas, o Julio, o Neville, os mineiros, Geraldo Veloso, Marcinho Borges, e você percebia que existia algo de estômago, alguma coisa de mal-estar ali. Eram mais gritos do que filmes, eram mais expressões de angústia e de compulsão, de obsessão, do que realmente projetos feitos para passar em festival, ou tal história bonitinha e conveniente que cai bem aqui. Nisso existe uma diferença radical com o que se vê no cinema brasileiro de hoje."

Crime e burrice

Uma coisa me impressiona muito nesses acontecimentos recentes que envolveram o exército na morte dos jovens da Providência.

A cada fato narrado na guerra de quadrilhas, entre Comando Vermelho e Terceiro Comando, há, por um lado, grandes somas e forte armamento envolvido nas operações e no tráfico.
Por outro há uma extrema incompetência e uma grande burrice.

Matar sem razão, esquartejar, assustar a comunidade, acumular inimigos, etc. Não entendo a lógica.
Será apenas um discurso da mídia?

Independente da violência, há uma incompetência na gestão. As máfias não precisam ser burras
Violência e falta de inteligência é o que não paramos de ver associado à história desse embate entre grupos. Entendo a violência, mas a burrice não.

- Você não é do meu morro então te mato! Essa lógica não faz sentido se se trata de um negócio e de um projeto de poder nos morros. Essa lógica apenas indica que não há projeto algum. Nem de poder, nem de negócio.

O estado não tem inimigo, apenas uns incompetentes, é isso?

ps.
Depois de colocar esse post no Blog leio (O Globo) que o traficante Rogério Rios Mosqueira estaria pagando 20 mil reais a cada pessoa da facção inimiga entregue a ele.

O Globo deveria fazer uma matéria sobre as planilhas de excel do tráfico. Quando há desmanche de boca não se apreendem computadores?

Como diz o Paulo César no ótimo livro do Julio Ludemir, "O Bandido da Chacrete", 'os bandidos acabam acreditando que eles são o que os jornais escrevem.

05/06/2008

Blog instável



O tempo que se pode dedicar a um blog acaba por determinar a escrita.
Nos últimos dias foram post rápidos. Vontade de compartilhar a descoberta dos blogs com discos maravilhosos.
Comentei com uma amiga sobre o Loronix e ela me indicou o uma que tenha, mais voltado para a música brasileira contemporânea. Muito bom! (valeu Juliana)

Os posts rápidos para dizer que tive o privilégio de ver um corte quase final do filme Saens Peña, do Vinícius Reis. Maravilhoso!
Vamos ainda falar bastante do filme.

Queria ainda, nessa fase mais solta desse blog, pensar um "e se?"
Começa assim: se você tivesse 20 anos, o que você faria?

Hoje eu saquei, talvez por conta do filme do Vinícius.
Se eu tivesse 20 anos me mudaria para a Rocinha.

breves.

03/06/2008

Rio de Janeiro

nas capas de LPs.

02/06/2008

Música Brasileira

Um arquivo inacreditável da música brasileira.
anos 50/60/70.
Loronix
post é escrito ao som de Angela Roro.

01/06/2008

Entrevista Negri e Cocco

link