25 de jul de 2010

Philippe Descola no Quai Branly

Oi Barbara,

Na sequência dos teus comentários no twitter que reproduzo abaixo:

1 - Fui ver a tal da exposição onde o Philippe Descola propõe 4 classificações das imagens. Proposta boa mas apresentação simplória.

2 - Me parece q o Descola cai numa arapuca: como colocar lado a lado, em 4 categorias (animismo/totemismo/analogismo/naturalismo) fabricação histórica de imagem com fabricações que são, por desejo desejante, a-históricas??? FABRIQUE DES IMAGES: http://bit.ly/b805pX


Antes de tudo tive um prazer nessa exposição, uma certa experiência e curiosidade, maior que normalmente tenha nas exposições, seja no Branly ou em outros lugares em que as imagens desse tipo são expostas dentro de uma ordem cronológica ou geográfica. Nesse sentido, me agrada o esforço do Descola de encontrar linhas comuns que atravessam esses quatro modos de representação, para além do contexto, é verdade. Mas, não seria essa a possibilidade dessas imagens voltarem a existir, não sendo apenas objetos que presentificam outras culturas, alienadas - a não ser pelo colonialismo -  da nossa? Mais, esse gesto não se constitui em uma forma anacrônica de se fazer história, uma história pelos modos de ser do observador?

Fiquei ainda me perguntando se quando nos aproximamos do perspectivismo e do multinaturalismo ameríndio, via Viveiros de castro, não estamos fazendo um gesto parecido do Descola. Ou seja, operando passagens conceituais entre um universo "encantado", do animismo, por exemplo, e um universo histórico? 

Acho que, no limite, o Descola respeita esse universo em que humanos e não-humanos não estão separados, o que dificulta a própria história, não? Nesse sentido, acho que o ele não está interessado em história não - nem as categorias são históricas - , o esforço é de que aquelas imagens sobrevivam à partir do modo como elas operam como o mundo, do modo como elas aparece à partir de formas específicas de ver/estar no mundo.

Obrigado pela provocação. meu abraço



Um comentário:

Barbara Szaniecki disse...

Tô adorando a conversa...Certamente vivemos transitando entre esses universos "histórico" e "não-histórico"... Porque vivemos na cultura brasileira mas frenquentamos a cultura européia, porque às vezes cansamos da arrogância branca e entramos em outros devires, entre outros porquês... O que quis dizer é que me parece que o Descola, ele, não conseguiu se desnudar totalmente de seu cartesianismo. Embora a exposição misture um pouco todos os registros de imagem na sua apresentação, aquela sistematização/simplificação das categorias me incomodou. Foi isso. Mas certamente é uma exposição que vale a pena (não comprei o catálogo grande, só o pequenininho, mais baratinho he he he). E valeu a pena pra gente ter nosso papo aqui on line. Até o próximo papo ao vivo. Grande abraço pra vc também, Barbara