2 de dez de 2007

Babel, de de Alejandro González Iñarritu

Um filme detestável.

1 - Mobilizar o espectador pela possibilidade de duas crianças morrerem no deserto é anti-ético. Perfaz um uso de todo instrumental clássico narrativo de maneira a tornar o espectador refém e excluído do filme.
Mobilizar o espectador pela possibilidade de duas crianças serem mortas pela polícia é anti-ético.

2 - O filme tem "roteiro inteligente" baseado na estupidez alheia. Em alguma momento, em cada um dos personagens, a inteligência falha para provocar os desdobramentos do "roteiro inteligente".

3 - A narrativa cool em Tókio constitui-se como uma parênteses que legitima o melodrama familiar. Para Iñarritu, só a casa salva e o mundo é um lugar a se evitar.

Crítica de Cléber Eduardo na Cinética

3 comentários:

Garcia disse...

Um filme adorável.

1 - Mobilizar o espectador pela possibilidade de uma criança de 12 anos assassinar uma pessoa ou mesmo ser morta é anti-ético, mas nem por isso deixou de se abordar e, muito menos, de acontecer. Morrer é anti-ético.

2 - Você escreveu "Em alguma momento", o que pode ser encarado como estupidez e o que me motivou a contra-argumentar.
Todos temos momentos de estupidez e todo momento se segue de outro - até que uma estupidez maior ocorra e a vida cesse.

3 - Grande parte das questões da personagem japonesa tem origem na própria casa, portanto o lar gera e soluciona questões. O núcleo familiar é, de fato, o ponto de partida e de chegada.

Migliorin disse...

Caro,
Escrever sobre um filme é normalmente uma tentativa de traduzir algo que nos afeta de maneira positiva ou negativa não?

Minha tentativa de tradução ficou em torno do grande desconforto que tenho quando minha atenção e emoção são capturadas por sentimentos que diminuem minha energia e vontade de estar no mundo, ver coisas e experimentar diferenças.

Nesse sentido, detestei o filme porque acho que ele causa medo do mundo.

Se eu me concentrar nos momentos de estupidez, não saio de casa.
Se eu me concentrar no medo, me fecho e desisto.

Capturar minha atenção para esse tipo de afeto é algo que não desejo, nem para mim nem para ninguém. Talvez seja apenas meu romantismo, mas acho que certos afetos fazem um mundo melhor que outros.

Abraços
Cezar

mauro luciano disse...

Cléber Eduardo precisa ver novamente o filme daqui a uns 10 anos. Talvez assim ele perceba o teor crítico à cultura do terror contra tudo e todos, disseminado pelo Estado dos EUA na sociedade americana.

Se a crítica que existe no filme é neutralizada pela crítica feita ao filme, qual a negatividade levar em conta nesse jogo? Diria que falar "não" é muito difícil hoje, ainda mais no cinema lá de cima da américa. Fator a ser considerado, e muito.