26 de abr de 2008

Internet e crianças

Como meu filho entrou em uma idade de utilização do computador com os mesmos fins que nós, ou seja, para estudar, se divertir, se organiza, etc, comecei a pesquisar um pouco sobre o que poderia haver na rede de interessante para a sua idade.

Minha pesquisa apenas confirma uma sensação geral. Quando se fala em criança e internet, se fala em perigo.

Antes de ser um lugar em que a criança pode criar e se divertir, a internet é tratada como espaço de ameaça, de risco. Lugar em que a criança pode ver coisas que afetarão seu amadurecimento ou como lugar em que ela pode ser manipulada, aproveitada, etc.

Em relação a internet se reproduz o clássico "não fale com estranhos".

Para o adulto, que não cresceu com a internet, essa relação da criança com a rede é uma novidade. Algo novo que rapidamente se transforma em ameaça.

Nosso desconhecimento e incompreensão do universo das crianças e da internet faz com que ela se torne um espaço de perigos inenarráveis.

No momento que a internet é uma ameaça, poucos adultos se dedicam a criar conteúdo para crianças.

Outro problema é mercadológico. A grande mídia me parece ter todo interesse em manter a internet como espaço ameaçador. Uma criança vale mais sentada na frente da televisão do que surfando entre jogos, chats e orkuts.
Para a Globo, o Orkut é um inimigo.

No meio deste caminho, 3 links para os jovens:
Aniboom - Site que permite fazer animações com facilidade e que após algumas horas de brincadeira leva a criança a olhar para os desenhos animados da TV de maneira menos passiva.

Atlas Online


Miniweb Educação - site de educação, pode ser explorado por professores e crianças. Na parte de literatura um link "O fazendeiro do ar" do Fernando Sabino e do David Neves sobre o Drmmond, com o próprio.

Um comentário:

Gabriel Malinowski disse...

Um exemplo desse seu receio foi narrado na coluna do Zuenir Ventura dias desses:

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A repórter Juliana Tiraboschi, da revista "Galileu", teve uma original idéia de matéria: "Do_mal.com". Usando personagens fictícios, entrou na internet e durante semanas desempenhou vários papéis. Fingiu ser uma jovem deprimida à beira do suicídio, agiu como um pedófilo em busca de pornografia infantil, simulou que era uma menina ingênua assediada por adultos e passou-se por uma anoréxica procurando dicas de emagrecimento. A facilidade com que obteve cumplicidade e estímulo para comportamentos de risco ou atos criminosos a impressionou. "Decidi me matar e quero saber qual o método menos doloroso", ela escreveu, e em pouco tempo um internauta sugeriu um coquetel de medicamentos por ser "mais letal e menos doloroso". Outro aconselhou uma "overdose de barbitúrico" por sua ação rápida. Um terceiro ensinou a preparar um explosivo capaz de "te incinerar instantaneamente". Houve até quem se preocupasse com o preço. "Se fizer do jeito certo", ele alegava, "o enforcamento não é tão doloroso, além de ser barato e fácil. Só precisa uma corda".
Juliana ficou chocada. "Ninguém se mostrou perturbado, e apenas um dos meus interlocutores perguntou qual o motivo da minha decisão." Em outras comunidades, ela encontrou pessoas disseminando abertamente a violência e a intolerância, como homofobia e racismo. Uma antropóloga ouvida por ela identificou 14 mil sites de conteúdo nazista. Numa sala de bate-papo, a repórter começou a conversar com um homem de declarados 22 anos. "Eu disse que tinha 12 anos, mas meu interlocutor não se intimidou. 'Curte falar de sexo?', continuou. 'Sou tímida', recuei. 'Já fez sexo?', ele insistiu. Respondi que não e perguntei se não me achava muito nova. 'Só pra gente brincar, só matar a curiosidade (...). Você me mostra algumas coisinhas, eu te mostro tudinho que você tem vontade.' Ela concluiu que, como não há controle, "crianças de qualquer idade poderiam estar participando da conversa."
O resultado desse mergulho em zonas sombrias da internet levou a jornalista a questionar: "Onde termina a liberdade de expressão e onde começa o crime?" É bem verdade que, como ela admite, não foi a rede que inventou essas patologias; "ela apenas facilita a conexão entre as pessoas". Mas é crescente a influência do mundo virtual sobre o real. Em 2006, um jovem gaúcho de 16 anos se suicidou induzido por seu grupo de discussão a inalar monóxido de carbono. No ano seguinte, em Ponta Grossa, outro jovem se matou de forma semelhante. Nos EUA há uma infinidade de casos iguais. É um princípio de imitação que parece funcionar para os comportamentos desviantes.
Evitar que um instrumento tão útil e poderoso como a internet seja usado impunemente para promover o mal, eis uma das questões cruciais dessa nossa sociedade de informação."