27 de jun de 2013

Um descompasso entre os processos subjetivos e o sucesso do capital.

Na semana passada eu dizia que havia uma mal estar que atravessava grande parte dos manifestantes, ligado a uma sensação de que, mesmo depois de todos os ganhos do governo Lula, o acesso às possibilidades da cidade, da cultura, do tempo livre, etc, continuava sendo uma prerrogativa dos ricos.

Por não vivermos em uma sociedade de riquezas coletivas, ela continuava tendo que ser individualizada.

A Tatiana Roque, inspirada pelo Lazzarato, escreveu: As manifestações no Brasil mostram que a crise não é econômica. há crise quando se intensifica o descompasso entre o modelo produtivo e a produção de subjetividade.

Pois talvez esse seja um bom resumo do que vivemos:

Um descompasso entre os processos subjetivos e o sucesso do capital.

Nesse sentido, a Copa é exemplar. Ela materializa o sucesso do país no capitalismo global e o fracasso das aspirações subjetivas frente a esse sucesso. Esse choque concretiza a crise.

A Copa é ainda exemplar pois ela marca uma radical aproximação entre os interesses privados e estado. Não é por acaso que a grande mídia e a direita estão constantemente tirando o foco da copa para recolocar sobre os “políticos”.

Se as manifestações estão ligadas a uma crise do modelo produtivo, é fundamental que o estado não seja o alvo exclusivo daquilo que oprime o que podemos.

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