28 de mar de 2016

Teatro em BH - Claudio Botelho

Teatro
O que aconteceu em Belo Horizonte na peça sobre o Chico Buarque é interessante.
Em um dado momento o ator introduz um tema do cotidiano na peça – impeachment, Dilma, etc. O público, no lugar de entender sua fala como parte da cena, aceita que a quarta parede está rompida e se manifesta; se opondo às considerações do ator. Aparentemente, a quebra dessa quarta parede não era algo esperado pelo ator, assim, a primeira aferição é de que, independente do que o ator dizia, havia ali uma explicita incompetência em manter a fala no campo da ficção.
Depois da peça, o ator disse: mas era ficção! Ora, a ficção não é algo que se avisa, mas algo que se cria. No momento em que o público reage, o ator perdeu a cena.
A outra opção é de que o espectador contemporâneo, por princípio, está presente. Ou seja, a quarta parede é fluida e porosa. A passagem do espectador à cena não encontra grande barreira. Assim, no momento que o público reage e surpreende o ator, é uma incompreensão do estatuto do espectador contemporâneo que faltou ao ator em questão. Ele se achava completamente protegido diante de espectadores passivos. Não foi o que aconteceu.
Nos dois casos, antes de concordar ou não com as opiniões de Claudio Botelho, o problema parece ser sua fundamental inadequação para o teatro.


20 de março

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