29 de jul de 2016

Escola sem partido

Tão ou mais grave que as palavras de ordem do Escola sem Partido é o lugar que o projeto coloca professores e alunos.
Os primeiros são tratados como manipuladores, irresponsáveis e por princípio desconhecedores de seus próprios papéis como professores.
Veja uma das frases que o projeto pretende colocar em salas de aula:
“O Professor não favorecerá nem prejudicará os alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, morais ou religiosas, ou da falta delas.”
Ora, isso é ser professor. Colocar essa regra para um professor é com escrever em todas as marcenarias que o marceneiro trabalhará com madeira ou nos hospitais que os médicos terão que lidar com corpos humanos.
Além de insultar os professores, o projeto parte do princípio que os estudantes são imbecis e manipuláveis, sem nenhuma independência em relação ao que um professor diz.
Pensar e se constituir como pessoa é uma montagem. A escola é mais um pedaço do mundo em que o estudante transita. Mas, para esse pessoal, tudo retorna ao privado.
Há um ódio do mundo, por isso eles dizem: “O Professor respeitará o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.” Claro que respeitará, mas não se absterá em apresentar um mundo maior que a família.
O nome é enganoso. Não se trata de Escola sem Partido, mas de escola sem alteridade e, no limite, sem sujeitos.

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